quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Bolsonaro choca a todos com ataque cruel a órfão de 15 anos; leia e entenda

 


Opinião de Ricardo Kertzman Jornal Estado de Minas -  Presidente ultrapassa a barreira do inimaginável em termos de covardia, desrespeito e crueldade



Hoje não irei atacar Jair Bolsonaro. Ao contrário. Irei tratá-lo com o máximo respeito que não me merece. Mas o motivo é justo e o assunto dramático demais para sujá-lo com adjetivos ofensivos, ainda que legítimos e verdadeiros. Assim, espero despertar no leitor o desejo por uma sincera reflexão a respeito de quem nos governa.



Eu não conheço a fundo os princípios do cristianismo em todas as suas correntes. O que posso dizer se refere a valores humanos universais, como caridade, compaixão, solidariedade, amor ao próximo... Sentimentos que são compartilhados por todas as religiões. Bolsonaro se diz cristão, mas fere de morte todos estes valores acima.

ATAQUE INFAME


Nesta terça-feira (3/8), ao atacar mais uma vez a democracia brasileira, o presidente, sabe-se lá o porquê, resolveu denegrir a imagem do ex-prefeito de São Paulo, Bruno Covas, morto em maio deste ano, após uma dura e longa batalha contra o câncer. Às portas do Alvorada, disse aos seus fiéis que lhe aguardavam:


‘É como aquele outro aí, que morreu. Fecha São Paulo e vai ver Palmeiras e Santos no Maracanã’. Bolsonaro estava se referindo à final da Copa Libertadores deste ano, ocorrida em janeiro, no Rio. Em meio à pandemia do novo coronavírus, foi permitido extraordinariamente o acesso de 5 mil torcedores ao estádio.

DESPEDIDA CRUEL


Covas - santista apaixonado - sabedor do (pouco) tempo de vida que lhe restava, foi com o filho Tomás, de 15 anos, também um torcedor do Peixe, não apenas assistir à partida e torcer pelo título do Santos, mas sobretudo proporcionar a lembrança - que será eterna! - ao garoto, daquele dia tão importante para ambos.


O prefeito e o filho, podemos assim dizer, foram se despedir de um prazer que jamais iriam desfrutar juntos outra vez. Fico imaginando o que passou na cabeça de ambos; toda a mistura de sentimentos e emoções que viveram naquele dia: dor, medo, raiva, ansiedade, alegria, tristeza, incerteza, decepção.

SENTIMENTO PATERNO 


Sou um chorão assumido, e enquanto escrevo sinto um nó torcer a minha garganta. Sou pai de uma adolescente de 15 anos também, e nossa relação é profundamente amorosa e próxima. A dor que sentiram Covas e Tomás (e este ainda sente) é a pior que pode existir para pessoas que amam e são amadas.

Jair Bolsonaro é claramente um homem insensível e impiedoso. Um sujeito incapaz de sentimentos nobres. Sua relação com os filhos mostra o que os une, e ali não há nada que pareça com amor paternal - e vice-versa. São políticos que se aproveitam e se alimentam uns dos outros e nada mais; nada além.

RELAÇÃO FAMILIAR


Que filho amoroso, verdadeiramente preocupado com a saúde do pai e com medo de o perder, conseguiria tirar uma foto (aquela de Bolsonaro, supostamente sedado e com a barriga inchada à mostra, na cama do hospital) e publicar em redes sociais como fizeram seus filhos - ou um deles, acho que o Carlos?

Que pai, verdadeiramente capaz de amar um filho, declararia: ‘eu prefiro ter um filho morto que um herdeiro gay’. Ou: ‘seria incapaz de amar um filho homossexual. Não vou dar uma de hipócrita aqui: prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí’. Compreendem o meu ponto?

INCAPAZ DE AMAR


Bolsonaro não conhece o ‘amor’. Aliás, foi mais ou menos isso que declarou Tomás Covas ao saber da infâmia presidencial ao seu pai: ‘Meu pai sempre foi um homem sério. Fez questão de me levar ao Maracanã no fim da sua vida para curtirmos seus últimos momentos juntos. Isso é amor! Bolsonaro nunca entenderá esse sentimento’.



Que pai, verdadeiramente capaz de amar um filho, declararia: ‘eu prefiro ter um filho morto que um herdeiro gay’. Ou: ‘seria incapaz de amar um filho homossexual. Não vou dar uma de hipócrita aqui: prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí’. Compreendem o meu ponto?

INCAPAZ DE AMAR


Bolsonaro não conhece o ‘amor’. Aliás, foi mais ou menos isso que declarou Tomás Covas ao saber da infâmia presidencial ao seu pai: ‘Meu pai sempre foi um homem sério. Fez questão de me levar ao Maracanã no fim da sua vida para curtirmos seus últimos momentos juntos. Isso é amor! Bolsonaro nunca entenderá esse sentimento’.


Ao receitar remédios que não funcionam; ao incentivar e promover aglomerações; ao encorajar o enfrentamento ‘de peito aberto’ ao vírus; ao maldizer o uso de máscaras; ao boicotar as vacinas e tudo mais, no íntimo, o que Bolsonaro deixa transparecer é que não se importa se um ou milhões morrerem. Ele mesmo diz: ‘CPF cancelado’.

RECADO DADO


Conforme prometido, caminho para o fim deste texto sem recorrer, como de costume, a adjetivações pejorativas e/ou outras formas de contra-ataque. Sim, porque quando ‘ofendo’ o presidente da República, apenas retribuo suas ofensas iniciais. Quando o ‘ataco’, é em resposta a um ataque anterior. Desrespeito com desrespeito se paga.


Mas confesso que não estou satisfeito. Meu estilo - e gosto - é escrever com o fígado e deixar à mostra toda a minha indignação. Porém, como disse anteriormente, não é um assunto para ser tratado no subsolo da civilização, sob pena de quem o fizer - no caso seria eu - se igualar a Jair Messias Bolsonaro, o mito que tanta gente idolatra.







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