GOLPE DURO PARA BURGUESADA: Lula foi capa do maior jornal francês e Papa Francisco se manifestou

A carta de Lula, direto da prisão, foi capa de destaque do mais importante jornal francês, o Le Monde.

Rússia e China: pesadelo dos EUA se torna realidade

A nova política dos EUA em relação à China está levando à aproximação entre Moscou e Pequim, comenta o analista russo Timofei Bordachev.

URGENTE: Lava Jato pode ter fraudado documentos para incriminar Lula; CONFIRA CÓPIAS!

Surgem novos documentos que podem comprovar o que declarou o deputado Sibá em um encontro realizado no último sábado (5).

Lula preso sem provas, Paulo Preto ''com cem milhões" solto. Justiça?

Se alguém do campo progressista ainda tinha dúvidas sobre o posicionamento político do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram relembrados nesta sexta-feira, 11.

Engenheiros da Petrobrás dizem que política de preços de combustíveis beneficia grupos estrangeiros

A AEPET reafirma o que foi expresso no Editorial “Política de preços de Temer e Parente é ‘America First!’ “, de dezembro de 2017.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Ministro da Justiça livra Bolsonaro e avisa que ´´se o presidente sai sem máscara, cabe a quem está perto dele se cuidar``


Isentando Jair Bolsonaro de estimular aglomerações e o não uso de máscara, no momento em que o Brasil atinge 400 mil mortes pela Covid-19, o ministro da Justiça, Anderson Torres, disse que é uma "covardia" envolver discussões sobre a pandemia de Covid-19 no Brasil com questões políticas.




A declaração foi feita à Revista Veja, em entrevista publicada nesta sexta-feira (30).

"Se o presidente sai sem máscara e se expõe, cabe a quem está ali perto dele se cuidar. É um absurdo o chamarem de genocida. É uma covardia, num momento como este, misturar a tragédia com política", afirmou Torres.

Bolsonaro foi aconselhado nesta quinta-feira (29) a parar de falar para o público dele e a usar máscara, se quiser realmente ganhar a eleição de 2022. Aliados também fizeram um alerta sobre o risco de ele perder a disputa.


CPI

Torres também saiu em defesa do governo ao dizer que considera inoportuno o momento para o funcionamento da CPI no Senado, que apura justamente as irregularidades da gestão federal no combate à pandemia.


Fonte: Brasil 247

Assessora do Palácio do Planalto que redigiu os requerimentos apresentados por aliados de Bolsonaro na CPI da Covid é namorada de Fred Wassef


A assessora do Palácio do Planalto que redigiu os requerimentos apresentados por aliados de Bolsonaro na CPI da Covid, Thais Amaral Moura, é namorada de Fred Wassef, advogado da família Bolsonaro. Thais e Wassef tem sido vistos juntos em público desde fevereiro, em jantares e eventos do governo, e não escondem o relacionamento


Thais Amaral Moura


Ela é assessora especial da Secretaria de Assuntos Parlamentares da Presidência da República desde janeiro deste ano, quando foi transferida do Ministério do Turismo para a secretaria de Governo.


Segundo o portal da Transparência, Thais detém um DAS.5, segundo mais alto nível para os cargos comissionados, atrás apenas do DAS 6, remuneração normalmente reservada a secretários e ministros. Sua última remuneração líquida foi de R$ 16.240,60.

O Globo revelou na quarta-feira que foi Thais quem redigiu sete dos requerimentos apresentados à CPI pelos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jorginho Melo (PL-SC). A identificação de autoria aparece nos metadados dos documentos, registro que indica data e hora em que o arquivo foi criado, quem o criou e quantas modificações foram feitas.


Os requerimentos escritos por Thais pediam a convocação de médicos defensores do uso de cloroquina no tratamento da Covid-19 para depor na CPI, além do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, também o entusiasta do tratamento precoce. Com os depoimentos, o governo pretendia mostrar que o discurso de Bolsonaro a favor da coloroquina e da ivermectina se baseia na opinião de especialistas. Esses requerimentos específicos ainda não foram avaliados pela CPI.

Procurada ontem, por telefone, Thais disse que não comentaria nem os requerimentos e nem o relacionamento com Wassef. Afirmou apenas que, como servidora, não pode falar sobre assuntos internos do governo. Além de já ter defendido Jair Bolsonaro, Wassef ainda advoga para dois dos cinco filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro e Jair Renan.

Depois de um período de ostracismo forçado, quando se descobriu que Fabrício Queiroz se escondia em seu sítio em Atibaia, Wassef voltou a ser visto com frequência em Brasília mais recentemente.

Ele é visita frequente no Palácio do Alvorada e gosta de se mostrar influente junto ao clã Bolsonaro. "Nada mudou na minha relação com a família. Toda a imprensa sabe que sou advogado do Flavio e família e me tratam como tal", declarou à revista Época em março passado.


Já Thais, formada em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, chegou a Brasília no início do governo Bolsonaro para trabalhar como chefe de parcerias e projetos na Embratur. Depois, foi diretora substituta no Departamento de Políticas e Ações Integradas e assessora especial do Ministro do Turismo.

Ela já estava na assessora na secretaria de Governo quando a nova ministra, Flávia Arruda, assumiu o comando da pasta. No Palácio do Planalto, sua indicação para o cargo é atribuída ao senador Flávio Bolsonaro.


Fonte: O Globo

Bolsonaro não tem a menor credibilidade entre políticos da Europa, diz deputado do Parlamento Europeu


Miguel Urbán Crespo chacoalhou o Parlamento Europeu quando, no início do mês, subiu à tribuna e declarou: Jair Bolsonaro está cometendo um crime de lesa-humanidade no Brasil diante de sua gestão da pandemia da covid-19.



Agora, em entrevista à coluna, o eurodeputado e um dos fundadores do partido espanhol Podemos, de esquerda, deixa claro que o presidente brasileiro não tem qualquer credibilidade entre a liderança política europeia. Mesmo aqueles que mantêm relações com o Brasil, segundo ele, "fingem acreditar" em Bolsonaro para manter seus bons negócios no país.

"Ninguém acredita em Bolsonaro", sentenciou. O presidente brasileiro seria, segundo o deputado, um "problema para o mundo".

Para ele, na gestão da pandemia ou na questão climática, existe uma diferença entre o presidente brasileiro e líderes de outras partes do mundo. "Na política, se comete erros. Mas precisamos diferenciar erros e crimes. Quando se toma decisões conscientes, sabendo de suas consequências, não são erros. E essa é a diferença de Bolsonaro e de outros líderes", disse.



Questionado quanto tempo o Brasil levaria para recuperar sua credibilidade internacional, o deputado foi claro: "só quando Bolsonaro sair".

Filho de uma vítima de torturas do regime de Franco, o parlamentar foi o porta-voz de seu partido no Parlamento Europeu, é membro da executiva nacional do Podemos e publicou obras sobre o fascismo e a extrema-direita.

Eis os principais trechos da entrevista do deputado, membro da delegação do Parlamento para o Mercosul e da comissão de Direitos Humanos:


Chade - Como é a imagem do Brasil na Europa neste momento?

Urban Crespo - A imagem é de um país que é o epicentro da pandemia na América Latina. A região é o epicentro de mortes e muita da culpa tem o Brasil. Tudo isso está vinculado às declarações do governo e do presidente Jair Bolsonaro. A imagem de um europeu médio é de hospitais saturados, milhares de mortes.

Na Europa também tivemos muitas mortes e não podemos nos esquecer. Mas o que contrasta é que, na Europa, há um esforço de passar uma imagem de que vamos tentar acabar com essa pandemia, vamos tentar buscar soluções. Já Bolsonaro nega a pandemia, de colocar os interesses da economia por cima do seu povo.

Havia uma concorrência dura entre Trump e Bolsonaro sobre quem dizia a maior barbaridade sobre o covid-19. Sem Trump, Bolsonaro é o protagonista das barbaridades e choca. Mesmo o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, uma vez contaminado, mudou de tom sobre a doença e o Reino Unido mudou de postura.


Quais são essas imagens que chocam?

Vemos ele abrindo as igrejas, zombando das pessoas que usam máscaras, vendendo remédios pseudocientíficos. Um Bolsonaro que nega a vacinação, que abre a possibilidade para que empresas privadas possam comprar doses.

Quais consequências isso pode ter para o país no mundo?

A primeira consequência terrível é a taxa de mortalidade no Brasil. Falamos no Parlamento Europeu de necropolítica e de crimes de lesa-humanidade. Não acredito que seja apenas Bolsonaro. Temos também de ver as responsabilidades de autoridades europeias que se negam a liberar a patente de vacinas, em um momento de emergência total. Prevalecem os interesses de uma minoria perigosa, do lobby farmacêutico. É um autêntico crime.

No caso de Bolsonaro, ele foi além. Minou as medidas que poderiam ter sido tomadas e promoveu um boicote à resposta de saúde pública. O que ocorre é que o sistema de saúde no Brasil está resistindo, apesar de Bolsonaro.

O Brasil se converte em epicentro de mutações. Um problema que poderíamos considerar como um problema das brasileiras e brasileiros hoje se converte em um risco para o mundo.


Que resposta o mundo precisa dar a Bolsonaro?

Bolsonaro é hoje um problema para o mundo e, por isso, a imagem que existe internacional é de que deve haver uma reação global que evite que possamos entrar em uma recaída na pandemia.

Para isso, precisamos acabar com o capitalismo que favorece as multinacionais. Mas também os negacionistas. Não vemos apenas a negação da ciência e da vida. Mas o uso dessa situação para fazer avançar uma política neoliberal.

A resposta do mundo precisa ser contundente. Em primeiro lugar, precisa haver uma ruptura de qualquer negociação comercial ou política com Bolsonaro, até que ele aceite não ir aos interesses de seu povo e dos interesses do mundo. Mas temos de reconhecer que crimes de lesa-humanidade não são cometidos apenas por ele.



Quem mais teria de ser examinado?

Aqueles que detêm o antídoto e que não o colocam sobre a mesa. Apenas onze países controlam 97% das doses. É uma autêntica vergonha.

Há poucos dias, o presidente americano Joe Biden organizou uma cúpula do Clima. Como foi recebido o discurso de Bolsonaro, acenando para medidas ambientais?

Não, a pergunta é outra: alguém acredita em Bolsonaro? Ninguém acredita em Bolsonaro. O que ocorre é que, para uma parcela, não se trata de acreditar nele. Mas precisam dizer que acreditam para continuar fazendo negócio no Brasil. Fingem.

O único que Bolsonaro fez na cúpula do Clima foi se reorientar para se adequar ao final do governo Trump. Mas o que ele declarou não tem relação com suas políticas ambientais.



E o que gerou essa falta de credibilidade?

Olha, o Brasil tinha Ernesto Araújo (ex-chanceler), um dos líderes negacionistas não apenas da pandemia. Mas das questões climáticas. E agora o governo vem falar de meio ambiente. Sério? Ninguém acredita. Agora, como temos de fazer negócios com o Brasil, vamos dizer que acreditamos. Trata-se de uma necessidade hipócrita de dizer que ele moderou seu discurso.

Bolsonaro está apoiado pelos interesses da bancada do Boi, da Bala e da Bíblia. Você vai me dizer que esse apoio agora vai mudar?

Nesse cenário, há alguma previsão de ratificar o tratado comercial entre Mercosul e UE?

A pandemia atrasou tudo. Falar em ratificar neste ano seria prematuro. Mas também há uma recusa muito importante na Europa contra o Mercosul. A Áustria já disse que não apoia. Parlamentos regionais já deram um não. França passará por eleições em março de 2022 e já deixou claro seu desacordo.

Não há capacidade política para ratificar o acordo. Mas, dentro da UE, há também quer defenda um acordo, pelo impacto que ele tem para certas indústrias europeias. Uma das possibilidades seria dividir o acordo em partes, numa manobra da UE. Assim, não seria necessário um processo de ratificação. Há muito interesse da Comissão Europeia em fazer isso avançar.



O sr. fala em crimes contra a humanidade no Brasil. Mas existe algum espaço real para que o tema ganhe força no Tribunal Penal Internacional?

Seria algo novo, de fato. Mas o Tribunal precisa se adaptar às novas realidades. Quando temos um chefe de estado que conhece perfeitamente as condições do que ocorre, que as consequências diretas de suas políticas negacionistas foi a morte, que fez isso de forma consciente e que diz que era mais importante manter a economia, temos uma política criminosa consciente contra a maioria da população.

Isso precisa ser investigado e avaliado. Mas mesmo antes de um tribunal, esse tema precisa percorrer a Justiça no Brasil mesmo. Bolsonaro precisa ser indiciado por suas políticas.

Todos enfrentamos uma pandemia que ninguém esperava e é normal que tenhamos cometido erros. Na política, se comete erros. Mas precisamos diferenciar erros e crimes. Quando se toma decisões conscientes, sabendo de suas consequências, não são erros. E essa é a diferença de Bolsonaro e de outros líderes.



Quanto tempo o Brasil vai precisar para resgatar uma imagem de credibilidade?

Só quando Bolsonaro sair. Até que isso não ocorra, essa credibilidade não será recuperada. A questão é que sua base eleitoral é muito clara e, num período de eleição em 2022, não vejo ele rompendo seu posicionamento com essa base. Ou seja, sua capacidade de dizer coisas certas, mesmo que ninguém acredite, é limitada.



Fonte: UOL

Vídeo: Rodrigo Pilha sofreu tortura e espancamento na prisão


Rodrigo Pilha, preso no dia 18 de março por estender uma faixa chamando o presidente Jair Bolsonaro de genocida, foi espancado e torturado na prisão e tem dormido no chão desde quando foi privado de sua liberdade. Ou seja, há exatos 41 dias.


Durante os últimos dias o blogue conversou com diversas pessoas que têm proximidade com Pilha que não pode dar entrevistas e confirmou a informação que já havia sido publicada sem maiores detalhes num tuíte por Guga Noblat.

Enquanto esteve na Polícia Federal prestando depoimento, Pilha foi tratado de forma respeitosa, mas ao chegar no Centro de Detenção Provisória II, área conhecida como Covidão, em Brasília, alguns agentes já o esperavam perguntando quem era o petista.


A recepção de Pilha foi realizada com crueldade. Ele recebeu chutes, pontapés e murros enquanto ficava no chão sentado com as mãos na cabeça. Enquanto Pilha estava praticamente desmaiado, o agente que o agredia, e do qual a família e advogados têm a identificação, perguntava se ele com 43 anos não tinha vergonha de ser um vagabundo petista. E dizia que Bolsonaro tinha vindo para que gente como ele tomasse vergonha na cara.

Na cela, Pilha foi recebido pelos outros presidiários com solidariedade e respeito. Mas durante à noite esses mesmos agentes foram fazer uma blitz na cela e deixaram todos pelados e os agrediram a todos com chutes e pontapés. Com Pilha, foram mais cruéis. Esparramaram um saco de sabão em pó na sua cabeça, jogaram água e depois o sufocaram com um balde. Todos foram avisados que estavam sendo agredidos por culpa de Pilha. Do petista que não era bem-vindo na cadeia.



A tentativa dos agentes que se diziam bolsonaristas de estimular a violência dos colegas de cela contra Pilha não deu resultado. Pelo contrário, Pilha ficou 22 dias só com uma bermuda, uma cueca e uma camiseta que lhe foram doados por colegas de cela. Não lhe foi oferecida nenhuma roupa.

Como também ficou sem contato com a família neste período inicial, era na camaradagem com outros presos que Pilha conseguia comer uma bolacha, uma fruta ou outros produtos que podem ser comprados.

Atualmente, Pilha está trabalhando por 6 horas todos os dias e com isso consegue ficar fora do presídio das 14h30 às 20h30. Mas tem que voltar para a cela todas as noites, onde convive com outros colegas, com baratas e escorpiões, por exemplo. Seus advogados estão tentando conseguir progressão de pena com base em leituras e cursos, mas têm tido dificuldade.

Sem essa progressão, Pilha permanecerá como preso político até o dia 4 de julho e sua vida continuará em risco até esta data.

Assista :




Fonte: Revista Fórum

quinta-feira, 29 de abril de 2021

MP investiga possível favorecimento de Pazuello a empresa fornecedora de vacina


O MPF (Ministério Público Federal) identificou um descumprimento do contrato assinado para o fornecimento da vacina indiana Covaxin e investiga suspeita de favorecimento do Ministério da Saúde à empresa responsável, a Precisa Medicamentos, em razão de cláusulas tidas como benevolentes.


O contrato para a entrega de 20 milhões de doses tem o valor de R$ 1,61 bilhão. Foi negociado na gestão do general da ativa Eduardo Pazuello e assinado em 25 de fevereiro.

Três dias antes, em 22 de fevereiro, o ministério já havia autorizado o pagamento à farmacêutica. A nota de empenho, que é a autorização para os depósitos, contempla a íntegra do valor. O pagamento ainda não ocorreu.

Pazuello foi demitido do cargo de ministro da Saúde em 15 de março. É, hoje, um dos principais alvos da CPI da Covid, recém-instalada no Senado.

O contrato assinado entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos —que representa a Bharat Biotech Limited International— estabeleceu um cronograma de entrega que deveria ser cumprido “após a assinatura”.

Para 16 milhões de doses, esse prazo já se esgotou. Para os 4 milhões restantes, esgota-se no próximo dia 6, conforme cláusula prevista em contrato.


A Covaxin ainda não tem aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No último dia 31, a agência negou pedido do Ministério da Saúde para autorização excepcional de importação e distribuição da vacina. Faltam dados técnicos básicos sobre o imunizante, segundo a Anvisa.

Também foi negado pedido de certificado de boas práticas de fabricação para a Bharat Biotech, após inspeção de técnicos da Anvisa na fábrica na Índia.

A especificação sobre entrega da Covaxin é diferente, por exemplo, da cláusula no contrato entre o ministério e a União Química, responsável pela vacina russa Sputnik V. A Sputnik também segue sem aval da Anvisa.

Assinado em 12 de março, o contrato prevê que 10 milhões de doses devem ser entregues em até 60 dias "após a obtenção da autorização temporária de uso emergencial ou registro definitivo".


Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que não há diferença entre os dois contratos. "Trata-se meramente de redação", afirmou.

Segundo a pasta, a aquisição da Covaxin só será concluída após a Anvisa conceder registro de uso emergencial ou definitivo. "Com a aprovação da agência sanitária, o laboratório deverá providenciar o embarque do produto na Índia."

Diante do descumprimento dos prazos contratuais, o MPF em Brasília decidiu cobrar, no último dia 31, uma explicação do diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias. É ele que assina contratos do tipo.


A Procuradoria também quer uma cópia dos processos de importação da vacina. Neste caso, o pedido se dirige ao tenente-coronel do Exército Alex Lial Marinho, nomeado por Pazuello no cargo de coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos para Saúde.

O MPF investiga suspeita de favorecimento à Precisa em razão de termos contratuais tidos como benevolentes e por não ter havido sanção contratual após o descumprimento dos prazos previstos.

Além disso, a Procuradoria reúne indícios de que a cúpula do ministério pressionou as áreas técnicas para que fosse encontrada uma solução diante do descumprimento do contrato –o que o ministério nega.

"Não houve pressão para solução no deferimento da licença de importação. Este assunto foi tratado entre a empresa e a Anvisa", disse a pasta, em nota.

Os indícios levantados fazem parte de inquérito civil aberto para investigar suposta improbidade administrativa de Pazuello e seus auxiliares nos atos para compra e distribuição de vacinas, na distribuição de cloroquina —um medicamento sem eficácia para Covid-19—no país e na omissão diante do iminente colapso de oxigênio no Amazonas em janeiro.

Se ficar constatado que o Ministério da Saúde não adotou medidas diante do descumprimento do cronograma de entrega da Covaxin, o MPF pretende abrir uma investigação à parte, para apurar a ocorrência de crimes no caso.

A Covaxin é a vacina mais cara, dentre os imunizantes comprados pelo Ministério da Saúde para o combate à Covid-19. Pelo contrato, cada dose custa US$ 15 (R$ 80,70, pela cotação do dólar no momento da emissão da nota de empenho).

A Sputnik V tem um custo individual de R$ 69,36. Cada dose das vacinas da Pfizer e da Janssen saiu por US$ 10 (ou R$ 56,30, segundo pagamentos feitos antecipadamente). A Coronavac, do Instituto Butantan, custa R$ 58,20.

O Ministério da Saúde disse que os preços estão dentro da média e em conformidade com os mercados interno e externo.

No sábado (24), a pasta fez nova atualização no cronograma de entregas de vacinas e diminuiu em 31% a previsão até maio –de 46,9 milhões de doses antes para 32,4 milhões agora. Imunizantes sem autorização da Anvisa —Covaxin e Sputnik V— saíram do cronograma.


Em nota, a Precisa Medicamentos afirmou que o ministério fez pedido de importação dentro do prazo contratual e que, em paralelo, a empresa solicitou emissão do certificado de boas práticas de fabricação.

"Embora o processo de emissão do certificado não tenha ligação formal com o pedido de licença de importação feito pelo Ministério da Saúde, e ainda que a lei não condicione a autorização de uso excepcional ou emergencial à emissão do certificado, a Anvisa indeferiu a licença solicitada pelo ministério", disse.

Precisa e Bharat Biotech têm mantido contato permanente e relatado ao ministério as tratativas com a Anvisa, afirma a nota, "possibilitando assim, com a maior urgência e brevidade possível, sua entrega ao Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19".





quarta-feira, 28 de abril de 2021

Ministro Marco Aurélio, do STF, determina que governo tome medidas para realizar o Censo


Decisão atende a pedido do governo do Maranhão, que alegou que falta de informações sobre a população brasileira traz prejuízos para as estatísticas do país.


O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (28) que o governo federal tome as providências para realizar o Censo demográfico.



A decisão atendeu a um pedido do governo do Maranhão. Procurado, o Palácio do Planalto informou que não irá se manifestar sobre a decisão de Marco Aurélio.

Na semana passada, o governo confirmou que o Orçamento de 2021 não reservava recursos para o Censo e, portanto, ele não seria realizado neste ano.

Por lei, o Censo deve ser realizado a cada dez anos. O último ocorreu em 2010. No ano passado, a pesquisa, conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), foi adiada devido à pandemia de Covid-19.

“Defiro a liminar, para determinar a adoção de medidas voltadas à realização do Censo, observados os parâmetros preconizados pelo IBGE, no âmbito da própria discricionariedade técnica”, diz Mello na decisão.


 

Suspensão fere a Constituição

Na decisão, Marco Aurélio criticou o corte no orçamento para o censo. Para o ministro, a decisão fere a Constituição.

“A União e o IBGE, ao deixarem de realizar o estudo no corrente ano, em razão de corte de verbas, descumpriram o dever específico de organizar e manter os serviços oficiais de estatística e geografia de alcance nacional – artigo 21, inciso XV, da Constituição de 1988”, escreveu o ministro.

O ministro negou que a decisão represente interferência.

“Surge imprescindível atuação conjunta dos três Poderes, tirando os compromissos constitucionais do papel. No caso, cabe ao Supremo, presentes o acesso ao Judiciário, a aplicabilidade imediata dos direitos fundamentais e a omissão dos réus, impor a adoção de providências a viabilizarem a pesquisa demográfica”.

Marco Aurélio destacou a importância da pesquisa para o país.

“O direito à informação é basilar para o Poder Público formular e implementar políticas públicas. Por meio de dados e estudos, governantes podem analisar a realidade do País. A extensão do território e o pluralismo, consideradas as diversidades regionais, impõem medidas específicas”.


Leia mais no G1

Biden vai tributar ricos dos EUA para conceder Bolsa Família .17 milhões de trabalhadores e 66 milhões de crianças serão beneficiados


O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciará nesta quarta-feira (28) um plano de US$ 1,8 trilhão para expandir as oportunidades educacionais e de cuidado infantil para as famílias. A ideia é o que Plano de Famílias Americanas seja financiado em parte pelos aumentos de impostos sobre os mais ricos no país. A proposta tem um paralelo evidente com o programa Bolsa Família dos governos do PT no Brasil.




A proposta combina US$ 1 trilhão em gastos com US $ 800 bilhões em cortes de impostos e créditos para famílias de renda média e baixa. A informação foi publicada pela Bloomberg.

De acordo com plano, o pré-jardim de infância e a faculdade comunitária devem passar a ficar gratuitos em todo o território americano. O projeto também estenderia o crédito do imposto infantil até 2025 e tornaria permanente uma expansão do crédito do imposto de renda para adultos sem filhos com baixa renda. O governo também pretende fornecer apoio direto às famílias para creches, finanças para formação de professores e criação de um programa nacional de licença familiar remunerada.


A Casa Branca informou que 17 milhões de trabalhadores de baixa renda podem ser beneficiados. E a extensão do crédito do imposto infantil contemplará 66 milhões de crianças.

“Você pode olhar para isso em termos de resultados de testes, em termos de ganhos futuros", afirmou o assessor da Casa Branca, David Kamin, vice-diretor do Conselho Econômico Nacional. "Portanto, essas são maneiras importantes de ajudar as famílias agora, mas também são essenciais para o futuro", acrescentou.


CPI da covid escancarou o pânico do clã Bolsonaro e já surtiu efeitos de pequenos milagres que não convenceram


A CPI da Covid já produziu seu primeiro milagre: transformou Flávio Bolsonaro num defensor do isolamento social. Ontem o senador tentou convencer os colegas a deixar a investigação para depois. “Por que não esperar todo mundo se vacinar?”, sugeriu.




A preocupação tardia com a doença não foi a única surpresa do discurso. Com a pele bronzeada pelas férias no Ceará, o primeiro-filho atacou o presidente do Senado, o relator da CPI e até a bancada feminina. O falatório não virou votos para o governo, mas escancarou o desespero do clã presidencial.

Pelo que se viu ontem, a família tem motivos para temer a comissão. Na sessão inaugural, a tropa bolsonarista levou um baile. Flávio ainda foi obrigado a engolir uma descompostura da senadora Eliziane Gama. Ela avisou que ali não era lugar para chute na porta e ironia machista. Só faltou dizer que o Zero Um não estava em Rio das Pedras.


Quando a reunião começou, os governistas se agarraram à liminar que impedia Renan Calheiros de assumir a relatoria. Foi uma tática desastrada. Como se previa, a decisão foi derrubada rapidamente. O senador se sentou na cadeira e desceu a lenha no Planalto.

“Vamos dar um basta aos suplícios, à inépcia e aos infames”, discursou. Ele atacou o negacionismo e prometeu “apontar culpados”. Num recado a Jair Bolsonaro, citou os genocidas Augusto Pinochet e Slobodan Molosevic. “O país tem o direito de saber quem contribuiu para as milhares de mortes, e eles devem ser punidos”, arrematou.


Renan também criticou a entrega do Ministério da Saúde ao general Eduardo Pazuello, que no domingo passeava sem máscara num shopping de Manaus. “A diretriz é clara: militar nos quartéis e médicos na saúde. Quando se inverte, a morte é certa”, disse.



O emedebista não se limitou à retórica: de cara, apresentou 11 requerimentos. A lista inclui a convocação de quatro ministros da Saúde, a requisição de documentos e o compartilhamento do inquérito das fake news.

No dia em que a comissão entrou em campo, Bolsonaro usou cinco palavras para defender seu desempenho na pandemia. “Eu não errei em nada”, garantiu. O capitão vai precisar de outro milagre para convencer a CPI.


Fonte: O Globo