GOLPE DURO PARA BURGUESADA: Lula foi capa do maior jornal francês e Papa Francisco se manifestou

A carta de Lula, direto da prisão, foi capa de destaque do mais importante jornal francês, o Le Monde.

Rússia e China: pesadelo dos EUA se torna realidade

A nova política dos EUA em relação à China está levando à aproximação entre Moscou e Pequim, comenta o analista russo Timofei Bordachev.

URGENTE: Lava Jato pode ter fraudado documentos para incriminar Lula; CONFIRA CÓPIAS!

Surgem novos documentos que podem comprovar o que declarou o deputado Sibá em um encontro realizado no último sábado (5).

Lula preso sem provas, Paulo Preto ''com cem milhões" solto. Justiça?

Se alguém do campo progressista ainda tinha dúvidas sobre o posicionamento político do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram relembrados nesta sexta-feira, 11.

Engenheiros da Petrobrás dizem que política de preços de combustíveis beneficia grupos estrangeiros

A AEPET reafirma o que foi expresso no Editorial “Política de preços de Temer e Parente é ‘America First!’ “, de dezembro de 2017.

sábado, 27 de junho de 2020

Professor denuncia: 10% da dissertação de mestrado de Decotelli é plágio

Ele terá de se explicar mais uma vez

Depois de ser desmentido pela Universidade Nacional de Rosario (Argentina) sobre seu suposto título de doutorado, o novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, recebe acusação de plágio em sua dissertação de mestrado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Pelo Twitter, Thomas Conti, professor do Insper, destacou trechos do texto de Decotelli similares aos de um documento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Banrisul.
"Tinha tanta coisa parecida entre esse relatório da CVM e a dissertação que eu desisti de achar as partes iguais na mão e joguei em um software de detecção de plágio. Mais de 10% da dissertação de mestrado é cópia idêntica ao relatório da CVM. 4.200 palavras", aponta Conti.
Aqui o início da thread publicada no Twitter por Conti (clique nela para ver as outras mensagens):





Fonte: Conversa Afiada

Vídeo: em debate, Boulos chama deputado bolsonarista de "pitbull de miliciano"

Silveira chamou a OMS de "comunista"

Do Twitter de Guilherme Boulos:
É muito difícil debater com a turma da terra plana. Mentem, gritam, babam. São investigados por fakenews e não cansam de passar vergonha na TV.#Debate360 #BoulosnaCNN pic.twitter.com/dt1s8DQ2De
— Guilherme Boulos (@GuilhermeBoulos) June 26, 2020


Fonte: Conversa Afiada

Presidente argentino diz que Moro serviu a interesses dos Estados Unidos

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, em live com o ex-presidente Lula nesta sexta-feira (26), pôs o dedo na ferida e criticou a Justiça brasileira pela influência que sofre do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. 
Depois da crítica, Sergio Moro, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e ex-chefe da Operação Lava Jato, passou o recibo nas redes sociais e defendeu o governo americano.


“A culpa é do Departamento de Justiça dos EUA, da CIA ou do FBI quando alguns líderes latino-americanos são surpreendidos em casos de suborno. Alguém sério realmente acredita nisso?”


Fonte: Brasil 247

Brasil voltou à Idade Média com governo Bolsonaro, diz Milton Nascimento

O cantor e compositor Milton Nascimento, um dos nomes mais importante da música no Brasil e no mundo, concedeu entrevista ao jornalista Renato Vieira, publicada no jornal Estado de S. Paulo, em que falou sobre política e questões raciais. "O Brasil vive hoje um colapso. Todos os estudos científicos são completamente ignorados. A ciência é ignorada. E é ignorada justamente por quem deveria nos orientar. Temos um governo que não confia na ciência e isso é absurdo. Tenho dito isso em várias entrevistas: voltamos à idade média. A tragédia só aumenta, o abandono é geral. O panorama é de terror", disse ele.


Milton também falou sobre os protestos nos Estados Unidos e no mundo após o assassinato de George Floyd. "É a nossa força que tá aí, eles acharam que passaria assim, sem nada, se enganaram. Agora é o seguinte, essa nossa união precisa continuar. A hora é agora. Na Missa dos Quilombos, tem uma coisa que o dom Pedro Casaldáliga falava, e que é a melhor definição deste momento: 'Está na hora de cantar o Quilombo que vem vindo, está na hora de celebrar a Missa dos Quilombos, em rebelde esperança, com todos os negros da África, os afros da América, os negros do mundo, na aliança com todos os pobres da Terra'”, afirmou.

Fonte: Brasil 247

Globo diz que prisão de Queiroz enquadrou Bolsonaro

O jornal O Globo, da família Marinho, avalia que Jair Bolsonaro foi enquadrado com a prisão de Fabrício Queiroz, que estava escondido em imóveis de Frederick Wassef, advogado do clã, em imóveis localizados, por ironia do destino, nas cidades de Guarujá (SP) e Atibaia (SP). "Nas oscilações de humor político, o presidente Bolsonaro tem cumprido um período de rara calmaria, sem agredir e ameaçar as instituições e o jornalismo profissional, um exercício que ele vinha praticando com regularidade. Há quem encontre na prisão de Fabrício Queiroz — um amigo de longa data que ele aproximou dos filhos — a explicação desta mudança para melhor no seu comportamento", aponta editorial do Globo deste sábado.

"O enquadramento de Bolsonaro em padrões condizentes com o cargo, coincidência ou não, tem se propagado no governo", reforça o texto, que cita a demissão de Abraham Weintraub e a passagem do general Tamos para a reserva.


"A prisão de Queiroz pode ter ajudado Bolsonaro a entender que prejudica a si mesmo tentar governar como se tivesse um impossível poder absoluto. Causar danos à estabilidade institucional também o afeta", finaliza o editorialista.

Fonte: Brasil 247

Repórter da CNN Brasil é assaltada ao vivo neste sábado; confira vídeo

Jornalista teve dois celulares roubados enquanto fazia a cobertura da chuva na cidade de São Paulo



A repórter da CNN Brasil Bruna Macedo foi assaltada na manhã deste sábado (27), durante uma aparição ao vivo do noticiário da emissora. A jornalista fazia uma cobertura sobre a chuva na cidade de São Paulo, na região da Ponte das Bandeiras, quando foi abordada pelo bandido com uma faca. Ele levou dois celulares que ela tinha em mãos. 


A emissora ainda informou que a repórter passa bem e não teve nenhum ferimento.


Fonte: O Tempo

sexta-feira, 26 de junho de 2020

CNJ instaura reclamação disciplinar contra desembargador que votou a favor de Flávio Bolsonaro

O corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, instaurou uma reclamação disciplinar contra o desembargador Paulo Sérgio Rangel do Nascimento, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), o mesmo magistrado que votou favoravelmente ao senador Flávio Bolsonaro nesta quinta-feira, 25. A reclamação disciplinar, aberta nesta sexta, 26, é uma investigação prévia.


Segundo a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Paulo Sérgio Rangel do Nascimento é investigado por negócio jurídico firmado com o empresário Leandro Braga de Souza, preso no mês passado durante a Operação Favorito, da Polícia Federal.

A operação da PF investiga supostos desvios de R$ 3,95 milhões da saúde do estado do Rio de Janeiro e pagamentos superfaturados feitos pelo Instituto Data Rio que administra Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs. A reclamação disciplinar terá andamento sigiloso.

“Verifica-se que, apesar de o magistrado ter apresentado informações neste expediente, diante da complexidade da matéria, que envolve a mudança de controle societário e, simultaneamente, a admissão do magistrado representado no quadro de sócios, tenho que as investigações devem ser aprofundadas, para que não haja dúvida sobre a integridade ética da sua conduta perante à sociedade”, disse o ministro Humberto Martins na decisão.

O desembargador Paulo Sérgio Rangel deu o voto decisivo que retirou o juiz Flávio Itabaiana, titular da 27ª Vara Criminal da Capital, do caso que investiga a “rachadinha” no gabinete do ex-deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro. Paulo Sérgio Rangel também foi favorável à anulação das decisões tomadas pela Justiça do Rio, que resultaram na prisão de Fabrício Queiroz, mas o desembargador foi derrotado pela maioria da 3ª Câmara Criminal do TJ-RJ.

Fonte: Veja

Desembargador que deu voto favorável ao foro especial para Flávio, criticava a medida anteriormente

RIO — O desembargador Paulo Rangel deu na quinta-feira o voto que desempatou o julgamento da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) e atendeu ao pedido de foro especial feito pela defesa do senador Flávio Bolsonaro. Rangel, porém, já escreveu um livro no qual criticou o foro especial e uma lei sancionada em 2002 que garantia o direito ao foro para autoridades mesmo em inquéritos ou ações judiciais abertos após elas deixarem seus cargos e que tivessem como objeto seus atos administrativos.


No livro “Direito Processual Penal”, que teve sua 27ª edição em 2019, Rangel escreveu que “não podemos deixar de consignar o cancelamento da Súmula 394 do STF” e a aprovação da “Lei nº 10.628, de 24/12/2002, verdadeiro presente de Natal do governo FHC, como se o próprio governo, por si só, durante os oito anos, não fosse suficiente”.

Em seu livro, Rangel defendeu o cancelamento da súmula que permitia o foro após o fim do cargo: “A razão de ser do cancelamento da súmula é simples: se o agente não mais ocupa o cargo para o qual foi estabelecida a competência por prerrogativa de função, não faz (e não fazia) sentido que permaneça (ou permanecesse) com o foro privilegiado”. Depois, o desembargador completa dizendo que a lei de 2002 que tentava restabelecer o foro após o fim do cargo era "um desrespeito à sociedade”.


Em 1999, o Supremo decidiu que “depois de cessado o exercício da função, não deve manter-se o foro por prerrogativa de função”. A partir disso, quando algum agente político ficava sem mandato, o foro se encerrava. Em 2018, o STF restringiu mais ao decidir que o foro por prerrogativa de função é restrito ao mandato e se aplica apenas a crimes cometidos no exercício daquele cargo e em razão das funções a ele relacionadas.

Rangel, no livro, ainda criticou as mudanças nas leis sobre o assunto. “Já estamos acostumados com o legislador brasileiro: daqui a pouco, para atender aos interesses de algum político ou algum reclamo social, eles revogam a Lei nº 10.628/2002”.


Além da carreira como escritor, Rangel também atua como palestrante e, quando disponibiliza os conteúdos que produz nas redes sociais, mobiliza amigos, alunos (ele é professor da Unidade do Estado do Rio de Janeiro, a UERJ) e admiradores. No Instagram, sua conta acumula 17 mil seguidores. Um dos episódios em que o nome do desembargador mais circulou na internet aconteceu em dezembro de 2017, quando o juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, publicou uma foto ao lado de Rangel durante um treinamento de tiro ao alvo com a Polícia Civil do Rio. Os dois magistrados portavam fuzis. Na legenda, o juiz responsável pelo braço fluminense da Lava-Jato se referia a Rangel como “amigo”.

Mais recentemente, em suas atividades on-line, Rangel tem publicado vídeos e promovido transmissões ao vivo nas quais emite opiniões acerca de temas jurídicos. Recentemente, repercutiram suas impressões sobre ações policiais em que cidadãos foram detidos por desrespeitar medidas de distanciamento social contra a Covid-19 e desacatar agentes de segurança.


— Esses prefeitos e governadores que estão dizendo “Ah, eu vou mandar prender” são homens loucos. Eu nunca imaginei assistir a isso na democracia. Nunca — afirmou Rangel em uma “live” no dia 12 de abril, completando: — Essas pessoas têm que ser submetidas a um exame de sanidade mental. Elas não estão normais.

Vídeos de falas de Rangel sobre decretos de prefeitos e governadores foram compartilhados na web por usuários críticos a essas autoridades. Grande parte dessas pessoas integra a base de apoio digital do presidente Jair Bolsonaro, que também fez discursos contrários aos administradores estaduais e municipais nos últimos meses.

Apuração no CNJ

Desde o mês passado, Rangel é alvo de uma apuração no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por determinação do corregedor Humberto Martins. O procedimento se debruça sobre o fato de o desembargador ser sócio do empresário Leandro de Souza em uma corretora de seguros. Souza foi preso na semana passada pela Polícia Federal (PF) no mês passado, acusado de pagamentos superfaturados na área da Saúde do Rio. Rangel esclareceu publicamente em maio que é sócio cotista da empresa, sem poder administrativo, e que ela não é objeto de investigação, somente Souza. Procurado ontem pelo GLOBO, não retornou até o fechamento desta edição.


Fonte: O Globo

General tentou convencer Moro a liberar a PF do Rio para Bolsonaro

As mensagens de WhatsApp do celular de Sergio Moro deixarão o ministro Luiz Eduardo Ramos exposto no processo que investiga, no STF, a interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal.

No dia 12 de maio, ao prestar depoimento a investigadores da Polícia Federal, o general disse “que desconhece que o presidente teria ou gostaria de ser informado sobre operações da Polícia Federal no Rio de Janeiro, tema este que também não foi tratado entre o depoente e o ex-ministro Sergio Moro”.


No WhatsApp, no entanto, Ramos mandou mensagens a Moro apelando para que o então chefe da Justiça tratando justamente do tema e intercedendo a favor de Bolsonaro, quando pede a Moro que “tenha sensibilidade com as preocupações de Bolsonaro no Rio”.

Pela conversa de Ramos, que trocou de celular nesta semana, tudo ficaria bem se Moro liberasse a PF do Rio a Bolsonaro.

Outro ministro enrolado nas novas mensagens é Heleno. No caso dele, o fato de ter dito no depoimento que não se lembrava de muitas coisas questionadas pelos investigadores sobre a interferência presidencial na PF livra de contradições com as mensagens do WhatsApp de Moro.


Fonte: Veja

Juiz Itabaiana diz lamentar a decisão da justiça de retirá-lo do caso Flávio Bolsonaro

Considerado um juiz discreto e rigoroso, Flávio Itabaiana relatou a pessoas próximas a frustração com a decisão da 3ª Câmara Criminal do TJ do Rio que tirou a investigação sobre o possível esquema de rachadinha no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj da vara da qual é titular. A amigos, disse, pouco depois da sessão de ontem que mudou o foro do caso: “Por que eles têm tanto medo de mim?”


Desde que assumiu o caso, em 15 de abril do ano passado, o titular da 27ª Vara Criminal da Capital se viu sob forte pressão, que incluiu duas ações da Corregedoria-Geral de Justiça em sua vara ao longo do inquérito. O juiz disse que não esperava ter de deixar agora o caso mais importante em 25 anos de magistratura.

Segundo relato de pessoas que o procuraram após a decisão de ontem, Itabaiana afirmou ter se mantido “firme” e “com paciência” enquanto presidiu o caso.


Recursos

O juiz evitou falar sobre o futuro do caso no Órgão Especial do Tribunal de Justiça. Sua única certeza, comentada nessas conversas privadas, foi ter colhido alguns inimigos no próprio Judiciário fluminense em decorrência das decisões que tomou, especialmente as de quebra de sigilo dos investigados, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, as de busca e apreensão, e as recentes prisões de Fabrício Queiroz e mulher, Márcia Aguiar.

O juiz evitou avaliar a decisão tomada pela 3ª Câmara Criminal, mas afirmou crer que as suas decisões tomadas no curso do inquérito serão validadas pelo futuro relator do caso. As defesas de Flávio Bolsonaro e de Fabrício Queiroz vão recorrer das medidas cautelares determinadas por Itabaiana nos últimos meses, como a quebra de sigilo bancário do senador e a prisão preventiva de seu ex-assessor.


Fonte: O Globo

Wassef escondeu Queiroz para proteger Bolsonaro

Em entrevista exclusiva, advogado afirma que havia uma trama para matar o ex-policial e responsabilizar o presidente pelo crime

Desde a prisão do policial aposentado Fabrício Queiroz, no último dia 18, o advogado Frederick Wassef perdeu o sono. Dono da casa em Atibaia onde o amigo de Jair Bolsonaro e faz-tudo do senador Flávio Bolsonaro foi detido, Wassef passa as noites em claro, trocando mensagens de texto por meio de dois aparelhos celulares dos quais não desgruda por nada. Durante o dia, alterna lampejos de euforia com mergulhos em momentos de depressão, nos quais sua verborragia incontida dá lugar a rápidas pausas — dramáticas, quase cênicas — para respiração. “Entrei em modo guerra. Quando isso acontece, viro o diabo”, disse ao receber VEJA na quarta-feira 24.


Hoje, a guerra dele parece perdida. Ao dar guarida a Queiroz, suspeito de ser laranja da família Bolsonaro, Wassef se viu obrigado a deixar a defesa formal de Flávio Bolsonaro no caso que apura um esquema de rachadinha no antigo gabinete do Zero Um na Assembleia Legislativa do Rio. Viu-se obrigado também a parar de declarar aos quatro cantos que é advogado de Jair Bolsonaro. Agora, quando perguntado sobre o assunto, silencia. A perda dessas credenciais, que lhe garantiam acesso aos palácios e prestígio, foi acompanhada de uma agravante: o risco de ser alcançado por uma medida judicial por tentar coagir ou controlar testemunhas.

A pessoas próximas, Wassef disse que se preparou para receber a visita da polícia. Curiosamente, enquanto essa preocupação o atormentava, chegou a se refugiar num hotel em São Paulo, para, conforme contou a amigos, fugir do assédio da imprensa. Mesmo com toda a exposição decorrente da prisão de Queiroz, o advogado alega que não fez nada de ilegal. Para ele, seu gesto deveria ser objeto de elogio, não de reprimenda. Sua tese é a seguinte: ao providenciar um esconderijo ao ex-policial, ele impediu que Queiroz, que estaria jurado de morte por “forças ocultas”, fosse assassinado. Além de salvar uma vida, evitou que a eventual morte fosse debitada na conta da família Bolsonaro, como uma ação de queima de arquivo. “O MP e a Justiça do Rio deveriam me agradecer por proteger uma testemunha importante.”

Não é fácil acreditar em todas as respostas de Wassef. Ele jura que não é o “anjo” que deu nome à operação que prendeu Queiroz e garante também que não contou aos Bolsonaro sobre o refúgio dado ao ex-policial. Afirma que após a prisão conversou com o presidente e o senador para explicar suas razões. Pediu desculpa pelo “erro”, mas ressaltou que agiu para protegê-los. O advogado não faz uma queixa aberta a seus antigos patrões, mas nos últimos dias foi tomado por reflexões sobre traição e lealdade. Acossado, descobriu-se só. Numa de suas pausas dramáticas, arriscou, num pensamento alto sobre manifestações públicas de apoio que esperava e não recebeu: “Não se deveria virar as costas para antigos aliados”.

“Eu nunca contei ao presidente Bolsonaro. Quando eu puder dizer os motivos, vocês vão me entender e vão me dar razão. Então eu assumi um risco de fazer isso porque eu sei o que é melhor para o filho dele”

Por que o senhor decidiu esconder o Queiroz?
Eu sou um sobrevivente de quatro cânceres e soube o que estava passando o senhor Fabrício Queiroz. Isso me sensibilizou muito. Imaginava aquele cidadão sendo torturado psicológica e emocionalmente, sofrendo um assédio terrível. O presidente Bolsonaro simplesmente cortou contato ou relação com Fabrício Queiroz. Da mesma forma, o senador Flávio Bolsonaro se distanciou completamente. E eu imaginei o que seria para aquela pessoa. De repente, não está mais com os seus amigos, doente e assediada. Não podendo andar na rua, não podendo ter uma vida normal.


Foi, então, por aquilo que o senhor chamou de questão humanitária?
O que posso dizer, limitado pelo sigilo profissional, é o seguinte: eu sabia que ele precisava vir a São Paulo se tratar. Precisava ter um local para ficar. Ele não podia ficar em um hotel, em pousada ou nada do gênero. Então, por uma questão humanitária, eu fiz chegar ao conhecimento dele que podia ficar em uma de minhas propriedades. Ofereci três opções: a casa em Atibaia, uma em São Paulo e outra no litoral.

O senhor ofereceu essa ajuda ou ela lhe foi pedida?
Essa pergunta também envolve questão de sigilo, mas vou dizer o seguinte: eu apenas fiz chegar ao conhecimento dele que, caso necessitasse, estaria disponível um local para que pudesse ficar durante um momento tão difícil e conturbado que é um tratamento de câncer. Meu objetivo foi tão somente conceder um espaço para que uma pessoa não viesse a morrer. Sempre houve um distanciamento entre nós.

O senhor nunca falou com o Queiroz?
Eu não vou me manifestar sobre isso agora. Na época dos fatos, eu mantive um distanciamento máximo dele. Não tinha o telefone dele. Não permiti que ele tivesse o meu telefone. Nunca liguei para ele nem para os familiares dele. Nunca ele e seus familiares ligaram para mim. Não havia contato de nenhuma natureza telefônica.

“Havia um plano traçado para assassinar Fabrício Queiroz e dizer que foi a família Bolsonaro que o matou em uma suposta queima de arquivo para evitar uma delação”

Nem para agradecer a sua ajuda?
Não. Eu apenas consenti que ele pudesse ficar em algumas dessas propriedades para que pudesse ter tranquilidade. Estou com a consciência tranquila.

Especialistas dizem que o senhor pode ter praticado um crime. Naquela época, Fabrício Queiroz era, como ainda é, um investigado. Ele não era indiciado. Ele não era denunciado. Ele não é réu na ação penal. Ele não era uma testemunha. E eu ainda não estava atuando como advogado do Flávio. Eu fiz uma coisa, em princípio, 100% humanitária. Depois, descobri que ajudei a salvar a vida dele de outra maneira.

Como assim?
Passei a ter informações de que Fabrício Queiroz seria assassinado. O que estou falando aqui é absolutamente real. Eu tinha a minha mais absoluta convicção de que ele seria executado no Rio de Janeiro. Além de terem chegado a mim essas informações, eu tive certeza absoluta de que quem estivesse por trás desse homicídio, dessa execução, iria colocar isso na conta da família Bolsonaro. Havia um plano traçado para assassinar Fabrício Queiroz e dizer que foi a família Bolsonaro que o matou em uma suposta queima de arquivo para evitar uma delação.


Quem teria interesse em assassinar Fabrício Queiroz?
Eu tive informações absolutamente procedentes e formei a minha convicção de que iriam matar Queiroz e iriam colocar a culpa no presidente Bolsonaro para fazer um inferno da vida dele. Na verdade, seria uma fraude. Algo parecido com o que tentaram fazer no caso Marielle, com aquela história do porteiro que mentiu.

O senhor, então, alega que agiu para defender o presidente?
Agi no regular exercício da advocacia. Eu era advogado do Flávio, hoje não sou mais. Naquele momento, meu entendimento é que eu queria evitar que Fabrício Queiroz fosse executado em uma simulação qualquer ou mesmo que sumissem com o seu cadáver.

O senhor contou isso ao presidente ou ao senador Flávio?
Não. Eu omiti isso do presidente. Eu omiti do Flávio por motivos que me reservo ao direito de não dizer agora. O presidente da República jamais teve conhecimento da autorização para que o Fabrício, caso quisesse, pudesse estar nessas propriedades.

Quanto tempo ele passou em Atibaia?
Eu sei que teve vez que ele ficou uma semana e foi embora. Teve vez que ele ficou um mês e foi embora. Teve vez que ele ficou dois meses e foi embora. E teve vez, como recentemente, que ele foi para o Rio de Janeiro e ficou um mês e meio. A prisão dele ocorreu na quinta-feira passada. Antes de ele ser preso, ele esteve no Rio de Janeiro.

“Os senhores sabem o que aconteceu no dia da prisão do Fabrício Queiroz?
Foi o início do processo de impeachment do governador do Rio de Janeiro. Uma curiosa coincidência”

O senhor disse que nunca falou desse caso com o presidente. Como, então, ele disse numa live no dia da prisão que o Queiroz estava lá fazendo um tratamento?
Eu não sei como o presidente ficou sabendo. Mas eu digo o seguinte: os senhores mesmos da revista Veja publicaram uma matéria do Fabrício Queiroz operado não tem muito tempo. Várias fontes podem ter dito isso.

Afinal, o senhor é o “anjo” citado nas investigações?
Nunca alguém me chamou de anjo. Nunca o presidente Bolsonaro me chamou de anjo e duvido que ele chamou alguém de anjo na vida. Ninguém na família Bolsonaro me chamou de anjo e eu nunca tive apelido de anjo. Agora, se alguém inventou isso, eu não sei.

O senhor já deu alguma ajuda financeira ao Queiroz?
Nunca. Jamais. Eu não ajudei ninguém financeiramente. Essa ilação que estão tentando fazer para dizer que houve uma ajuda ou patrocínio é mentira. O meu objetivo único era preservar aquela vida para que ela pudesse servir ao Poder Judiciário do Rio de Janeiro, ao Ministério Público e aos meus interesses enquanto advogado do senador Flávio Bolsonaro. É o mais absoluto, perfeito e regular exercício da advocacia.

Depois do ocorrido, o senhor conversou com o presidente?
No dia da prisão, eu telefonei para o presidente Bolsonaro, ele me atendeu. Eu pedi muitas desculpas. Falei: “Presidente, não tenho como te explicar agora por telefone. Eu estou muito triste por tudo o que aconteceu, eu lhe peço desculpas por ter omitido isso”.


O presidente aceitou as desculpas?
Ele ficou bastante descontente com a minha atitude. Pedi desculpas. Não podia falar mais, me estender mais. Falei que em algum momento ia explicar toda a história. Quando ocorreu a prisão do Fabrício Queiroz, entendi o que ia acontecer na minha vida. Entendi que ia virar alvo de todos os inimigos do governo, do presidente Bolsonaro, de toda a esquerda. Eu sabia que eu seria usado pelos inimigos para atacar o presidente Bolsonaro. Então decidi deixar o caso. O Flávio insistiu para que eu não deixasse, mas eu disse que se eu continuasse, iria prejudicá-los.

O senhor acha que o Fabrício Queiroz é inocente?
Esse processo tramita em segredo de Justiça e eu não posso me manifestar, é questão de sigilo. Mas eu não vi provas contundentes, eu não vi elementos para oferecimento de denúncia, eu não vi nada de crime ali. Para cada ato que dizem que é crime, eu tenho dez para dizer que não é. Movimentação financeira atípica não é crime, tudo o que falaram do Flávio Bolsonaro não é crime.

E sobre Fabrício Queiroz?
Chama atenção a operação hollywoodiana para prender Queiroz, um homem que estava num dia lá abalado, deprimido, doente. Se chegasse um escoteiro, levava ele preso, ele não ia reagir. Se fosse um soldado da polícia militar sozinho, ele ia se render. Me chama atenção o aparato que foi deslocado. Dez viaturas, grupo de operações especiais, fuzil, metralhadora na mão, helicóptero. E como o helicóptero da imprensa sabia e chegou ao mesmo tempo? Essa operação midiática, hollywoodiana, de guerra, para levar um cara doente, que teve três cirurgias, estava em tratamento, estava naquela região para ver médico e ter consulta. Vocês não acham que é um pouco demais? E a operação para pegar Márcia (esposa do Queiroz)? Estão caçando uma mãe, uma mulher de quem ninguém sabe nada.

“Adriano tinha ficha limpa e respondia a um processo criminal que, pelo que eu apurei, é uma fraude. As forças ocultas do Rio de Janeiro decretaram a prisão dele e o executaram”

O senhor sabe onde ela está?
Não tenho ideia. Eu só vou dizer o seguinte: a única coisa que se tem contra Márcia é que ela tirava dinheiro da conta dela e passava para o marido. Há muita coisa nesse caso que ainda precisa ser devidamente esclarecida.

O que, por exemplo?
Os senhores lembram quando foi a busca e apreensão no Rio de Janeiro? Foi nessa busca, em dezembro, que as autoridades pegaram os telefones da mulher do Fabrício. Desde então, o Ministério Público já sabia que ele estava em Atibaia há muito tempo. Os senhores sabem o que aconteceu no dia da prisão do Fabrício Queiroz? Foi o início do processo de impeachment do governador do Rio de Janeiro. Uma curiosa coincidência. O que chega para mim é que essa operação hollywoodiana nada mais foi do que uma cortina de fumaça para desviar a atenção do impeachment do governador, com a participação especial do governo de São Paulo.

O senhor, então, está dizendo que houve uma conspiração dos governadores Wilson Witzel e João Doria?
Não há dúvida e é público que ambos os governadores permanentemente confrontam o presidente Bolsonaro. Mas não vou entrar em detalhes aqui. Eu só estou dizendo que eu, enquanto advogado, me desculpem, pergunto: qual o objetivo de prender o Fabrício Queiroz? Ele estava ameaçando alguém?

O senhor agiu para proteger o presidente Bolsonaro?
Na verdade, eu prestei um favor ao Poder Judiciário do Rio de Janeiro e ao Ministério Público do Rio de Janeiro porque hoje eu acredito que, se Queiroz não estivesse num lugar mais tranquilo, eu acho que hoje ele não estaria vivo. E o presidente Bolsonaro ou a família Bolsonaro estariam sendo investigados por um suposto assassinato. Uma fraude, como já disse, parecida com aquela da Marielle ou do Adriano da Nóbrega.

“Estão caçando uma mãe, uma mulher de quem ninguém sabe nada. A única coisa que se tem contra Márcia é que ela tirava dinheiro da conta dela e passava para o marido”

Qual é o paralelo entre o assassinato da vereadora Marielle e o de Adriano da Nóbrega com esse caso?
Tentaram criminosamente envolver o presidente em ambos. Fala-se sobre esse tal de Adriano como um miliciano. Adriano tinha ficha limpa e respondia a um processo criminal que, pelo que eu apurei, é uma fraude. As forças ocultas do Rio de Janeiro decretaram a prisão dele e o executaram. Ele não foi morto em uma troca de tiros com a polícia da Bahia. Isso foi uma farsa, uma mentira. Ele foi pego vivo. Torturaram, quebraram suas costelas, bateram em sua cabeça.

É difícil acreditar que o senhor nunca tenha falado com o presidente sobre o Queiroz.
Eu lhe garanto que eu nunca contei ao presidente Bolsonaro. Quando eu puder dizer os motivos, vocês vão me entender e vão me dar razão. É uma questão de segurança. Fiz para proteger o Flávio. Fiz para me proteger. Fiz para proteger o presidente. Então eu assumi um risco de fazer isso porque eu sei o que é melhor para o filho dele.

Devido aos desdobramentos, não teme que esse episódio o afaste definitivamente da família Bolsonaro?
Zero de preocupação. Quando tomei a decisão de deixar o caso, a família Bolsonaro quis que eu ficasse. O Flávio queria que eu ficasse. Eles conhecem o meu trabalho, a minha integridade, honestidade e competência. E acima de tudo eu sou leal e não traio ninguém nunca. Outra coisa: nunca entrei nisso por dinheiro, por cargo, por ajuda de qualquer tipo ou natureza. O que me aproximou do Bolsonaro foi o inconformismo. Eu amo o presidente.

Publicado em VEJA de 1 de julho de 2020, edição nº 2693

Fonte: Veja