domingo, 21 de março de 2021

Após briga com governo Bolsonaro na OMC, Índia anuncia que vai atrasar vacinas pro Brasil


Instituto responsável por vacina da AstraZeneca importada pelo Brasil alega necessidade de cumprir demanda interna e expandir capacidade de produção.O Instituto Serum, responsável pela produção da vacina da AstraZeneca na Índia, comunicou ao Brasil que não conseguirá cumprir os prazos de entrega dos imunizantes comprados pelo governo Jair Bolsonaro.



A informação foi publicada neste domingo (21/03) pelo jornal indiano Indian Times. Segundo o diário, o chefe do instituto, Adar Poonawalla, enviou uma carta à Fiocruz confirmando a suspensão das entregas, sem data exata para restabelecimento.

O Brasil, de acordo com Poonawalla, recebeu até agora 4 milhões das 20 milhões de vacinas encomendadas. A cifra difere da previsão mais recente da Fiocruz, Segundo a fundação, a negociação com a AstraZeneca (também conhecida como vacina de Oxford) e o Instituto Serum incluía a aquisição de mais oito milhões de doses ao longo dos próximos dois meses.



O atraso anunciada pelo Instituto Serum afeta também outros países, como Marrocos e Arábia Saudita. Ele foi justificado pelo aumento da demanda interna e dificuldades no trabalho de expansão de capacidade.

No início do mês, em declarações ao Congresso, o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, já havia indicado que poderia haver atrasos em março na carga vinda da Índia.



A informação do atraso de entregas ao Brasil é noticiado dias depois de o Reino Unido anunciar que teria que retardar seu programa de vacinação no próximo mês porque o instituto indiano demoraria a entregar doses planejadas. O Instituto Serum forneceu até agora metade das doses de 10 milhões que o governo britânico encomendou.

Uma fonte citada pela agência de notícias Reuters disse que o Serum trabalha para expandir sua produção mensal de 60 para 100 milhões de doses até abril ou maio.




Originalmente, o instituto deveria vender vacinas apenas para países de média e baixa renda, principalmente na Ásia e África, mas problemas de produção em outras instalações da AstraZeneca forçaram-no a enviar para muitos outros países em nome da AstraZeneca.

A Índia doou até agora 8 milhões de doses e vendeu quase 52 milhões para 75 países, principalmente a vacina da AstraZeneca feita pelo Serum. A Índia já administrou mais de 44 milhões de doses desde que iniciou sua campanha de imunização, em meados de janeiro.

Vacina gerou constrangimento para Bolsonaro

No início do ano, sob pressão após a aquisição da Coronavac pelo governo de São Paulo e sem ter nenhuma dose em mãos para o início da campanha de vacinação nacional, Bolsonaro enviou uma carta ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, pedindo urgência no envio ao Brasil, para, assim, tentar garantir o protagonismo da imunização.

O pedido de urgência para a importação das doses ocorreu após a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), entidade do governo federal, ter informado que ocorreria um atraso na chegada ao país do insumo necessário para a produção local do inoculante da AstraZeneca.




Pouco depois, o Ministério das Relações Exteriores afirmou em nota que o Brasil adquiriu as doses do Instituto Serum e que a embaixada brasileira teria feito os preparativos junto às autoridades indianas para receber os lotes. Um avião chegou a iniciar viagem para buscar a vacina no país asiático. Tanto Bolsonaro quanto o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, prometiam a chegada do imunizante em dois dias.

Num constrangimento para Bolsonaro, o voo, porém, acabou sendo adiado depois que o governo indiano declarou que não poderia ainda dar uma data para a exportação de doses produzidas no país.





“Parece que o Brasil queimou a largada ao anunciar oficialmente o envio de uma aeronave para transportar 2 milhões de doses de vacina”, afirmou uma reportagem do jornal indiano Hindustan Times na época.

A carga com 2 milhões de doses acabou chegando apenas em finais de janeiro. O material já vem pronto para ser aplicado e é apenas rotulado na Fiocruz. O segundo lote, com mais dois milhões, chegou ao Brasil em 23 de fevereiro.



Fonte: DW

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