quinta-feira, 18 de julho de 2019

Patrocinador de filme da Lava Jato dá calote e entra em recuperação judicial

Judiciário paraense aceitou o pedido de recuperação judicial das empresas do grupo Jari, que produz celulose solúvel no Vale do Jari, entre o Pará e o Amapá, e é controlado pelo empresário Sérgio Amoroso, principal financiador do polêmico filme "Polícia Federal: A Lei é para Todos"; a dívida total sujeita ao processo é de R$ 1,75 bilhão


A Justiça do Pará aceitou o pedido de recuperação judicial das empresas do grupo Jari, que entre outras atividades produz celulose solúvel no Vale do Jari, região amazônica entre os Estados do Pará e do Amapá, e é controlado pelo empresário Sérgio Amoroso, principal financiador do filme "Polícia Federal: A Lei é para Todos". A dívida total sujeita ao processo é de R$ 1,75 bilhão. A intenção é apresentar o plano de recuperação dentro dos 60 dias previstos em lei.


Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o presidente da Jari Celulose, Patrick Nogueira, disse que o grupo está conversando com os credores com o intuito de elaborar um plano de recuperação judicial que atenda a todos. "A Jari é um caso de recuperação judicial. Temos um mercado maravilhoso e só precisamos de tempo para arrumar a casa", afirmou.
A Jari Celulose também teve problemas na conversão da fábrica de celulose de fibra curta para a celulose solúvel há alguns anos, o que levou à paralisação da operação por um longo período.
Em abril deste ano, o Banco do Brasil bloqueou as contas da Jari, levando-a a paralisar parte de sua produção. As empresas do grupo que entraram em recuperação judicial empregam cerca de 700 trabalhadores direto e dois mil indiretos.
'A Lei é para Todos'
Amoroso foi um dos financiadores do filme "A Polícia Federal: A Lei é para Todos", muito controverso porque mostrou apenas a visão de policiais federais. Antes das revelações do Intercept Brasil, que tiveram início em 9 de junho, a esquerda já denunciava a partidarização da Operação Lava Jato. 


O site, que tem como um dos fundadores o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, vem demonstrando um conluio entre o ex-juiz Sérgio Moro e procuradores do Ministério Público Federal (MPF-PR), o que feriu a equidistância entre magistrado e parte acusatória. Moro interferiu no trabalhos de integrantes do MPF-PR e sugeriu, por exemplo, inversão de ordem das fases das operações e recomendou acréscimo de informações na produção de provas.
O filme é narrado ate a condução coercitiva de Luiz Inácio Lula da Silva. Também mostra o dia em que o ex-presidente teve um diálogo com a então presidente Dilma Rousseff em 2016. Moro divulgou um grampo da conversa, o que era ilegal porque um dos participantes da conversa (Dilma) tinha prerrogativa de foro por função e, por consequência, caberia à primeira instância mandar as provas para a corte indicada. Moro pediu desculpas ao Supremo Tribunal Federal, mas não a Lula, nem a Dilma.
Será produzido um novo filme - "Polícia Federal: A Lei é para Todos 2" -, no qual não deverá aparecer a prisão de Lula, condenado sem provas, nem o vazamento das mensagens de Moro com procuradores em que aparecem a ilegalidades do ex-magistrado. A nova produção deverá mostrar aprofundamento das ações em Brasília e no Rio de Janeiro, saindo do foco em Curitiba.



Agora, após o vazamento de mensagens de Moro com procuradores, as irregularidades reveladas pelo Intercept, devem virar um filme. De acordo com Hanrrikson de Andrade, do blog Entre Quatro Poderes do Uol, imagens das audiências de Glenn Greenwald, editor do The Intercept, já têm sido captadas com objetivos cinematográficos.


Fonte: Brasil 247
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