domingo, 16 de junho de 2019

“Não houve julgamento no caso Lula, e sim um acordo de condenação”, diz juiz

PUBLICADO NO FACEBOOK DO JUIZ LUÍS CARLOS VALOIS

Eu sou juiz, portanto obviamente não estou feliz com tudo que vem acontecendo.
Não por corporativismo ou coisa parecida, mas mais pela mácula que a justiça como ideal acaba ganhando com essas coisas reveladas. Contudo, não posso negar que algo de satisfação há nisso tudo.
Durante muito tempo fui acusado de defender PT, de ser petista ou petralha, quando a única coisa que fiz foi defender que não havia provas para a condenação de uma pessoa, que o processo não estava sendo conduzido com justiça e que a sua prisão era inconstitucional.

Eu não podia ficar calado com tudo isso, como não fico calado com as injustiças diárias que vejo, sobre as quais escrevo e falo.
Havia um juiz que tinha vazado propositadamente e confessadamente uma ligação telefônica que não era de sua competência interceptar, que tinha determinado a prisão do réu mesmo estando de férias e contrariando ordem de um desembargador, que se apresentava como herói e pedia apoio público para a condenação e isso já era suficiente para desconfiar que uma pessoa estava sendo condenada injustamente, mesmo sem considerar que a prova de sua condenação era ter visitado um apartamento que não era seu.

Agora, vem a tona que o mesmo juiz auxiliava a acusação, que tinha objetivos escusos quando vazou a interceptação que não era de sua competência, pedia para trocar procuradora que não ia bem nas perguntas, indicava testemunha para a condenação que ele mesmo ia prolatar, orientava sobre recursos etc…

Não, não houve um julgamento, houve um acordo de condenação, e eu não estava errado, eu não sou PT, mas Lula devia estar solto até em nome da Justiça. In free Lula we trust!
Reações:

Um comentário:

  1. Que bom que juízes estavam conscientes,e para a felicidade de muitos juízes honestos, a justiça veio de uma outra forma. e desmascarou a tempo. O que esta errado e a atitude do STF, se amedrontando com as ameaças de um general que foi condenado por convênios legais de R$ 22 milhões ao governo, favorecendo amigos seus. Que não venhamos a nos intimidar por qualquer ameaça, vivemos numa democracia e a justiça acaba prevalecendo !

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