domingo, 7 de abril de 2019

Miriam Leitão diz que Bolsonaro é bizarro e mentiroso: “Quem diz que não houve Ditadura está mentindo”

Vítima de tortura na Ditadura quando estava grávida de 1 mês, a jornalista diz que o revisionismo histórico é uma das propostas mais perigosas de Bolsonaro

Em artigo publicado neste domingo (7) no jornal O Globo intitulado “Das bizarrices e mentiras”, a jornalista Miriam Leitão usa os dois adjetivos para se referir a Jair Bolsonaro (PSL), dizendo que “é espantoso neste governo é como ele é capaz de perder o próprio tempo e o nosso”.

“Bizarrices, debates ociosos ocupam as horas e consomem energias que deveriam estar dedicadas ao esforço de enfrentar os inúmeros problemas que o país tem. Perder tempo quando se tem tanto o que fazer é ruim. Mas são as mentiras que mais ameaçam. Se a ditadura foi ditadura, se o Hitler era de direita ou esquerda, se é melhor ir aos bancos para saber o número de desempregados em vez de consultar o IBGE, se o diálogo do presidente com os partidos é velha ou nova política. Esses são exemplos de temas pautados por este governo. Parecem só inutilidades, mas são, muitas vezes, mentiras perigosas”.

Miriam diz que Bolsonaro “nunca soube dar peso às próprias palavras” e compara à bizarra informação de que ele fez xixi na cama até os cinco anos com defesas que fez como parlamentar a vida toda. “Quando ele compara esse ato infantil involuntário com a defesa que fez na vida adulta de fechamento do Congresso passa a ser ameaça”.
Vítima de tortura na Ditadura quando estava grávida de 1 mês, a jornalista diz que o revisionismo histórico é uma das propostas mais perigosas de Bolsonaro. “Quem diz que não houve golpe nem ditadura no Brasil não está provocando polêmica, está mentindo”, citando as medidas autoritárias dos militares e, em seguida, ressaltando a posição de Bolsonaro sobre o nazismo.

“A revisão histórica em relação ao nazismo é horripilante, porque é a tentativa de reescrever uma das páginas mais dolorosas do século XX: o holocausto dos judeus na Alemanha de Hitler. Não se brinca com questão de tal gravidade. Relativizar o que houve é o primeiro passo para esquecer o que jamais pode ser esquecido”.
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