domingo, 27 de maio de 2018

Requião: Pedro Parente trabalha para as petroleiras estrangeiras

(…) JB: Como o senhor vê a maneira como Temer está agindo nas negociações dos protestos das transportadoras?
Roberto Requião: O Temer não está agindo. Ele continua privilegiando a política da Petrobras, que se submete aos interesses das petroleiras estrangeiras. A Petrobras reduziu o seu refino e está importando petróleo 3, 8 vezes mais caro dos Estados Unidos. O Temer colocou no conselho da estatal representantes das petroleiras estrangeiras. Com isso, ela deixa de ser uma concorrente e passa a ser uma subordinada.
JB: Como o senhor acha que deveria ser feita a precificação do combustível no Brasil?
Roberto Requião: O presidente da Petrobras, Pedro Parente, já falou que se o governo intervir, entregará o cargo. A política que ele faz não é a política do Brasil. É a política dos estrangeiros e dele mesmo. É o liberalismo econômico levado ao máximo.
JB: Como Senador, o que o senhor propõe como alternativa?
Roberto Requião: Eu entrei com uma ação popular restabelecendo o preço ao momento anterior à essa política suicida e criando também uma comissão de especialistas para estabelecer uma política de preços. A Petrobras é dos brasileiros. O Estado é o principal acionista. Ela tem que se submeter a uma política pública vinculada ao emprego, ao desenvolvimento econômico e ao Brasil. O Parente está fazendo uma política totalmente liberal.
JB: Mas essa política não é só do Pedro Parente. É uma decisão de governo…
Roberto Requião: É a política do Meirelles, do Parente. É a política do PSDB. (…)
E do editorial deste domingo 27/V do Jornal do Brasil:
Petrobras: da pilhagem à justa greve
Quem é o dono da Petrobras? Legalmente, é o povo, seu maior acionista, através do Estado Brasileiro. Mas, então, sendo o povo o “dono” da maior empresa do país, por que ela estaria agindo contra seu próprio acionista, aumentando os preços dos produtos acima da inflação e reajustando-os pela variação e paridade ao dólar?
A base para essa política, implantada pela atual diretoria, comandada pelo senhor Pedro Parente, é um grande equívoco, por princípio contábil, mas principalmente por ir contra os interesses do “dono” da empresa, o povo brasileiro.
A Petrobras produz cerca de 2,5 milhões de barris/ dia. O custo desse processo de extração e industrialização de derivados é composto, basicamente, de reais (salários, impostos, boa parte dos equipamentos, logística etc.). A decisão do senhor Parente, de atrelar o preço de venda do diesel e todos os demais produtos ao dólar, gera uma distorção que acaba, claro, na bomba do posto, no bolso do consumidor brasileiro. O resultado “benéfico” dessa política para o caixa da empresa mostra uma forte, mas fictícia geração de caixa, dando demonstração de “tranquilidade” para especuladores e para os bancos. Para o povo brasileiro, o resultado foi essa greve de caminhoneiros, que parou o país.
Em outras palavras, o senhor Pedro Parente quer vender em dólar o que paga e produz em real, sob a alegação de que o produto petróleo é cotado, internacionalmente, na moeda americana e, por paridade, o consumidor brasileiro tem de arcar com esse insustentável custo. O Brasil é autossuficiente e exportador do produto. Se fosse o inverso, como no passado, ou seja, se fôssemos importadores de petróleo, seria justificável o reajuste do diesel, da gasolina e de derivados pela variação cambial. (…)
Pedro Parente não faz parte desse grupo de ladrões. Mas está presidente para gerar um forte caixa, via reajuste de preços dos produtos pelo dólar, que tem como objetivo atender, exclusivamente, aos bancos e aos grandes especuladores. Logrou êxito, o senhor Parente, que não tem nenhum compromisso com o “dono” da estatal, o povo brasileiro, mas que teve, como resposta, a justa greve dos caminhoneiros que paralisou o país e desarticulou o abastecimento de toda a cadeia produtiva de nossa economia.
Quanto vai custar tudo isso à nação, pouco importa para Pedro Parente. Para ele, o que importa, via venda de ativos e correção dos produtos pelo dólar, é o lucro que está “conseguindo mostrar” para os grandes bancos, incluindo o pagamento de R$ 2 bilhões que teriam sido feitos, antecipadamente, ao banco americano JP Morgan, onde trabalha sócio do presidente da Petrobras. A conferir.
Resumo da opereta: a Petrobras é uma grande empresa, orgulho nacional. Quem não presta são os governos que a administram, em nome de seu acionista majoritário, o povo brasileiro.

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