Tarifaço: BNDES vai disponibilizar R$ 40 bi em crédito a empresas prejudicadas
Brasil 247 - Pacote do Plano Brasil Soberano prioriza exportadores prejudicados pelas tarifas impostas por Trump e prevê linhas especiais para empresas.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou que vai operar R$ 40 bilhões em crédito para apoiar empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi divulgada pela Agência Gov nesta sexta-feira (22). O montante faz parte do Plano Brasil Soberano e busca amparar principalmente o setor exportador nacional, que sofreu impactos severos com as barreiras tarifárias.
Do total, serão R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões em recursos do próprio BNDES, destinados a financiar capital de giro, adaptação produtiva, aquisição de equipamentos e abertura de novos mercados. Micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) também terão acesso a garantias especiais por meio do PEAC-FGI Solidário, mecanismo que pode alavancar até R$ 20 bilhões em operações de crédito.
Durante coletiva de imprensa no Rio de Janeiro, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, explicou a prioridade da iniciativa:
“A prioridade é crédito incentivado para todas as empresas que tiveram uma perda da capacidade de exportação, abrupta e sem possibilidade de negociação, que perderam acima de 5% de faturamento. Quem perdeu mais de 5% é a prioridade neste momento. Para essas empresas, o governo do presidente Lula, por meio do BNDES, vai abrir linhas incentivadas de R$ 30 bilhões”.
Segundo Mercadante, apenas o financiamento incentivado não é suficiente para resolver a situação das MPMEs, já que o grande entrave está na falta de garantias.
“Vamos alavancar o FGI-PEAC e o Pronamp, vamos garantir para as MPMEs cerca de R$ 22,5 bilhões de garantia para toda a rede bancária que trabalhamos, para que as empresas impactadas tenham acesso ao crédito”, detalhou.
Além dos R$ 30 bilhões em crédito incentivado, o BNDES destinará mais R$ 10 bilhões para empresas que, embora não tenham sido atingidas pela tarifa de 50%, também sofreram com tarifas menores. Esses financiamentos terão juros abaixo da Selic, mas com condições menos favoráveis em comparação às companhias mais afetadas.
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, reforçou que o programa traz uma cláusula de manutenção de empregos.
“Diferentemente de grandes empresas, MPMEs têm dificuldade de apresentar garantias, mas garantir o acesso delas ao crédito é fundamental”, afirmou.
Critérios e linhas de financiamento
De acordo com a resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), poderão acessar os recursos do FGE as empresas que tiveram pelo menos 5% do faturamento bruto em exportações aos EUA no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Para aquelas cujo índice chegar a 20% ou mais, será possível acessar todas as quatro linhas do FGE:
- Capital de Giro: financiamento de despesas operacionais
- Giro Diversificação: incentivo à busca de novos mercados
- Bens de Capital: aquisição de máquinas e equipamentos
- Investimento: apoio à inovação, adaptação produtiva e fortalecimento da cadeia
Os contratos incluirão cláusula de manutenção de empregos, reforçando o caráter social do programa
Já as linhas com recursos diretos do BNDES serão:
- Giro Emergencial, com recursos da Letra de Crédito do Desenvolvimento (LCD)
- Giro Diversificação Complementar, com recursos do FAT Cambial
Essas linhas estarão abertas para empresas de todos os portes, independentemente do percentual de impacto tarifário.
Diversificação e prazos
Para o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, o pacote deve estimular a diversificação das exportações brasileiras.
“Temos de fortalecer nossa competitividade, buscar novos mercados, o que pode exigir adaptações no processo produtivo e nos produtos exportados”, destacou.
Mercadante ainda informou que os empresários poderão procurar os bancos parceiros a partir do dia 4 de setembro, e que a expectativa é iniciar as aprovações de crédito em 15 de setembro. A lista das empresas elegíveis será definida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em conjunto com a Receita Federal e o Serpro.
O pacote reforça a estratégia do governo de minimizar os impactos do tarifaço de Trump, ao mesmo tempo em que busca acelerar a adaptação da economia brasileira a um cenário de maior protecionismo global.
Comentários
Postar um comentário