sábado, 30 de novembro de 2019

Na direção certa, Folha faz editorial histórico e se pinta pra guerra contra Bolsonaro

"Será preciso então que as regras do Estado democrático de Direito lhe sejam impingidas de fora para dentro, como os limites que se dão a uma criança", afirma o jornal, em duro editorial


A Folha de S.Paulo publicou, na noite desta sexta-feira (29), um editorial chamado “Fantasia de imperador”, em que considera que o presidente Jair Bolsonaro “combina leviandade e autoritarismo” e não entende os “limites que a República impõe ao exercício da Presidência”.


“O Palácio do Planalto não é uma extensão da casa na Barra da Tijuca que o presidente mantém no Rio de Janeiro. Nem os seus vizinhos na praça dos Três Poderes são os daquele condomínio”, afirma a Folha, ‌logo após dizer que “será preciso então que as regras do Estado democrático de Direito lhe sejam impingidas de fora para dentro, como os limites que se dão a uma criança”.


A Folha também critica diretamente as manobras feitas por Bolsonaro para privilegiar seus filhos, destacando que “a legalidade, a impessoalidade e a moralidade governam a administração pública, não se trata de palavras lançadas ao vento numa ‘live’ de rede social”.
“A Carta equivale a uma ordem do general à sua tropa. Quem não cumpre deve ser punido. Descumpri-la é, por exemplo, afastar o fiscal que lhe aplicou uma multa. Retaliar a imprensa crítica por meio de medidas provisórias”, diz ainda o veículo, citando a retaliação promovida por Bolsonaro contra o periódico e seus anunciantes.


Outro lado da moeda
A mesma Folha fez um editorial há 14 dias elogiando a política econômica comandada pelo ministro Paulo Guedes, em uma aparente tentativa de recomposição com o presidente. O título do texto é “Na direção certa”. Diante da reafirmação de Bolsonaro em uma postura autoritária, o veículo foi para o embate.
“Prestes a completar cem anos, este jornal tem de lidar, mais uma vez, com um presidente fantasiado de imperador. Encara a tarefa com um misto de lamento e otimismo. Lamento pelo amesquinhamento dos valores da República que esse ocupante circunstancial da Presidência patrocina. Otimismo pela convicção de que o futuro do Brasil é maior do que a figura que neste momento o governa”, finaliza o editorial.


Fonte: Revista Fórum
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