sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O Brasil é muito maior que Bolsonaro: nós podemos vencer

É preciso não esmorecer diante dessas investidas diárias. É como uma guerra de trincheira. Resistir e contra-atacar


"O mar da história é agitado. As ameaças e as guerras havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas. (Maiakóvski)
É fato que o mar da política está agitado. A crise econômica combinada com a crise de representação levou um setor do povo a comprar gato por lebre. Bolsonaro se elegeu vendendo-se como antissistema, aproveitando a indignação popular com o regime político e com a velha esquerda que decidiu governar com os mesmos métodos do establishment político brasileiro.
Estamos diante de um governo que combina uma agenda ultraliberal, antipovo e de submissão aos interesses estadunidenses com uma ala de lunáticos. Setores reacionários que querem retroceder em avanços civilizatórios de décadas. Talvez séculos. Um governo que na mesma medida em que perde apoio do povo (sendo a gestão de primeiro mandato pior avaliada em seis meses desde a redemocratização), sinaliza ainda mais para sua base de extrema-direita.
Esses mesmos que defendem o fechamento das liberdades democráticas e que tentam reescrever a história são os que buscam a todo tempo atacar a Constituição de 1988. Entretanto, temos muitas reservas democráticas, que estão nos movimentos de mulheres, nos jovens, na resistência dos indígenas, nos negros e negras, na comunidade LGBTI+ e na história do movimento operário brasileiro.

Infelizmente, tivemos a aprovação da Reforma da Previdência. A unidade burguesa muito superior ao próprio governo fez uma campanha diuturna contra a aposentadoria do povo. Apesar de insuficiente para derrotar o projeto, a greve geral de 14 de junho foi importante e teve sua força, conquistando a retirada da capitalização, das mudanças no BPC e para as trabalhadoras rurais, suavizando um pouco o tempo de contribuição das mulheres e a regra de transição para professores. Mas nenhuma derrota e nenhuma vitória é definitiva.
Não é de se admirar que as pessoas estejam chocadas. Um presidente que ataca a memória de Fernando Santa Cruz, assassinado pelo Estado na Ditadura civil-militar, demite o presidente do Inpe por este revelar os dados do desmatamento na Amazônia, quer indicar o filho à embaixada dos EUA, ataca à liberdade de imprensa e o trabalho jornalístico sério como o de Gleen Greenwald e silencia diante dos ataques de garimpeiros a tribos indígenas.


Leia mais no Carta Capital
Reações:

0 comentários:

Postar um comentário