quarta-feira, 10 de abril de 2019

10 pessoas morrem após temporal no RJ; prefeito cortou 100% do investimento em combate a enchentes

Por Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier, da Reuters - Um forte temporal considerado "absolutamente anormal" pelas autoridades do Rio de Janeiro deixou ao menos 9 mortos, causou destruição pela cidade e levou a prefeitura a declarar estágio de crise nesta terça-feira.

O prefeito Marcelo Crivella (PRB) disse que o volume de chuvas foi atípico e negou que sua gestão tenha feito poucos investimentos na prevenção e combate a enchentes. Ele também cobrou mais repasses de recursos do governo do presidente Jair Bolsonaro ao município.

"As chuvas que caíram são absolutamente anormais para o período do ano, nenhum de nós esperava tanta chuva nessa data", disse o prefeito ao fazer um balanço das chuvas, que deixaram ruas alagadas e tomadas pela lama, dificultando a locomoção das pessoas.


De acordo com dados da prefeitura, em alguns pontos da cidade, choveu cerca de três vezes o que era esperado para todo o mês de abril apenas entre a noite de segunda-feira e a manhã desta terça-feira.

A prefeitura decretou estágio de crise na cidade durante a noite, o nível mais elevado da escala. A previsão é que continue chovendo forte até o fim do dia e a perspectiva é que o tempo melhore já na madrugada de quarta-feira.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, duas mortes foram confirmadas em consequência do desabamento de uma laje causado por um deslizamento de terra no Morro da Babilônia, no Leme. Uma terceira morte foi registrada na Gávea, de um motociclista que foi arrastado pela enxurrada.

Um homem também morreu após receber uma descarga elétrica em sua casa no bairro Santa Cruz, na zona oeste, onde uma outra vítima morreu afogada.

Além disso, três pessoas morreram após o carro em que estavam ter sido soterrado em Botafogo, na zona sul. No carro, estavam avó e neta que tinham acabado de deixar um shopping center em meio ao temporal. A nona vítima das fortes chuvas no temporal morreu afogada em Guaratiba, na zona oeste.

O temporal também provocou um novo desabamento de um trecho da ciclovia Tim Maia, na zona sul da cidade. A obra foi inaugurada para a Olimpíada de 2016, mas desde então já foram registrados quatro acidentes no local, com duas mortes.

Crivella cogitou nessa terça feira a possibilidade de realizar um plebiscito na cidade para definir o destino da ciclovia, que custou cerca de 60 milhões de reais. As chuvas também causaram outros danos, como deslizamentos de terra e a queda de árvores que atingiram ônibus na cidade.

Devido à tempestade, 26 comunidades tiveram sirenes ativadas para alertar moradores sobre riscos de deslizamentos de terra, e vias importantes foram fechadas por precaução. No Morro da Babilônia, onde duas irmãs morreram soterradas, as sirenes de alerta não soaram.

Também foram registrados 785 pontos sem energia na cidade, de acordo com a prefeitura.



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