sábado, 16 de outubro de 2021

Em ano pré-eleitoral, ministros gastam quase R$ 270 mil com viagens

 Metrópoles - Pelo menos 13 dos atuais 23 ministros do governo Bolsonaro devem se lançar a algum cargo público em 2022, e têm intensificado viagens



A menos de um ano das eleições de 2022, ministros do governo Jair Bolsonaro que pretendem concorrer a cargos políticos têm intensificado o número de viagens pelo país. Dos 23 ministros, 13 devem concorrer a algum cargo eletivo nas próximas eleições, distribuídos em nove estados do país (veja abaixo quem são e quais cargos pleiteiam ou aos quais são cotados).




Ao todo, esse grupo de ministros gastou R$ 266,6 mil com viagens nos primeiros nove meses do corrente ano, dos quais R$ 140,7 mil foram dispendidos com diárias e R$ 125,8 mil, contabilizados com passagens aéreas.





Entre janeiro e setembro de 2021, foram feitos 288 afastamentos a serviço e 351 voos interestaduais pelo país. Todas as unidades da federação foram contempladas nas agendas dos ministros, com exceção do Amapá.

O levantamento foi feito pelo Metrópoles no Painel de Viagens do governo federal, abastecido pelo Ministério da Economia. Os valores não incluem gastos com as passagens e diárias de assessores, apenas dos próprios ministros.





Os gastos com viagens podem ser ainda maiores, uma vez que o sistema só inclui as viagens realizadas com aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) quando houver pagamento de diárias. Além disso, os custos operacionais das missões em aeronaves da FAB são considerados estratégicos por envolverem aviões militares e, por isso, são sigilosos.




Os campeões de viagens são os chefes dos ministérios do Turismo (52), da Infraestrutura (44) e da Saúde (32). A pasta do Turismo é também a que mais gasta com diárias — foram R$ 30,3 mil nessa rubrica. A pasta da ministra Damares Alves, da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, é a que mais dispende com passagens — R$ 24 mil.

Veja os gastos com viagens nacionais de ministros que devem se candidatar:




  • Gilson Machado (Turismo): 52 viagens, R$ 36.610,77
  • Tarcísio de Freitas (Infraestrutura): 45 viagens, R$ 30.323,35
  • Marcelo Queiroga (Saúde): 32 viagens, R$ 20.167,09
  • Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos): 29 viagens, R$ 38.946,16
  • Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional): 27 viagens, R$ 23,771,91
  • João Roma Neto (Cidadania): 22 viagens, R$ 15.438,24
  • Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovações): 20 viagens, R$ 28.594,40
  • Fábio Faria (Comunicações): 17 viagens, R$ 32.399,47
  • Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência Social): 15 viagens, R$ 15.150,86
  • Tereza Cristina (Agricultura): 14 viagens, R$ 11.724,83
  • Anderson Torres (Justiça e Segurança Pública): 9 viagens, R$ 9.660,61
  • Ciro Nogueira (Casa Civil): 4 viagens, R$ 3.696,75
  • Flávia Arruda (Secretaria de Governo): 4 viagens, R$ 2.913,41


Ministros “técnicos”

Na comparação com ministros que não devem pleitear cargos eletivos no próximo ano, os políticos gastaram quase 20% a mais com viagens. No grupo dos 10 ministros tidos como “técnicos”, estão Paulo Guedes, da Economia, e militares, como o general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional. Vale ressaltar que o número de políticos também é maior (13 políticos versus 10 “técnicos”).

Esse segundo grupo gastou, de janeiro a setembro deste ano, R$ 223,8 mil com passagens (R$ 75,5 mil com diárias e R$ 1,3 mil com passagens).

Em relação ao número de afastamentos, os técnicos fizeram menos viagens tanto em números totais (173, ante 288) quanto em média — os ministros políticos viajaram, em média, 22 vezes, enquanto os técnicos tiveram uma média de 17 viagens.

Nesse grupo, os campeões de viagens são os chefes dos ministérios de Minas e Energia (43), da Educação (36) e, empatados, Ministério da Defesa e Gabinete de Segurança Institucional (24, cada). Em termos de gastos, a maior concentração de diárias ficou com a Defesa, com R$ 18,9 mil, e o maior valor global com passagens foi da pasta de Minas e Energia, com R$ 102,7 mil.

A reportagem não elaborou um comparativo com anos anteriores porque boa parte dos ministros investidos atualmente no cargo só chegou ao governo Bolsonaro em 2021. É o caso, por exemplo, de Ciro Nogueira, Flávia Arruda e João Roma.

Ministros de olho em 2022

No próximo ano, ministros que optarem por se candidatar a cargos públicos terão que se licenciar do cargo até abril, conforme estipulado pela legislação eleitoral.





Recém-chegado ao governo, o ministro da Casa Civil, o senador licenciado Ciro Nogueira (PP-PI), deve deixar o cargo na Esplanada para se candidatar ao governo do Piauí, intenção já anunciada publicamente por ele.

Chefe da Saúde, o médico cardiologista Marcelo Queiroga é cogitado pelo Planalto como possível candidato ao governo da Paraíba ou ao Senado (por Paraíba ou Rio de Janeiro).

Os ministros da Cidadania, da Justiça e da Secretaria de Governo também devem disputar as eleições. Responsável pela área social do governo, João Roma (Republicanos) deve disputar o cargo de governador da Bahia. Já Anderson Torres, da Justiça, e Flávia Arruda (PL-DF), responsável pela articulação do Executivo com o Legislativo, devem concorrer ao Senado. No caso de Flávia, há ainda a possibilidade de concorrer, como candidata ou vice, ao governo do Distrito Federal.

Conhecido como “sanfoneiro de Bolsonaro”, Gilson Machado, titular do Ministério do Turismo, deve disputar a vaga do Senado por Pernambuco.

Dois ministros brigam por vagas no Rio Grande do Norte: o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho (sem partido), que já foi deputado federal, e o ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD), que tem mandato na Câmara até 2022. Um deles deve se lançar ao Senado e o outro ao governo local.

O presidente Jair Bolsonaro ainda tenta emplacar o nome do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, como um possível concorrente de João Doria (PSDB) ao governo de São Paulo.

Além de Tarcísio, Onyx Lorenzoni, que assumiu o recém-criado Ministério do Trabalho e Previdência, também deve deixar o posto de ministro, para concorrer ao governo do Rio Grande do Sul.

A lista de ministros com possibilidade de deixar o governo para concorrerem em 2022 ainda contempla Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), que podem pleitear uma cadeira no Senado; e Tereza Cristina (Agricultura), que avalia concorrer à reeleição na Câmara, a uma vaga no Senado ou ao governo de Mato Grosso do Sul.

Para elaborar a lista de pré-candidatos, a reportagem levou em conta declarações públicas de Bolsonaro ou dos próprios ministros, além das tratativas sobre as eleições nos bastidores.

Procurados, os ministros Marcelo Queiroga e Damares Alves informaram que não têm a intenção de concorrer às eleições de 2022. O Metrópoles os manteve na lista porque a possibilidade existe extraoficialmente e está sendo trabalhada, com estímulo do presidente Jair Bolsonaro.

Arte/Metrópoles

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