quinta-feira, 5 de agosto de 2021

O desespero de Bolsonaro para fugir de Lula e da eleição

  


JORNALISTAS PELA DEMOCRACIA  - Bolsonaro não sabe fazer contas, como provou ao pegar uma queda de 4% no PIB, tentar somar a uma alta de 5% e concluir que a economia havia crescido 9%. Mas o sujeito já pode ter calculado e acertado sobre o que pode ser mais vantajoso politicamente para ele nas atuais e dramáticas circunstâncias.

São basicamente três os cenários a serem considerados. Bolsonaro pode sofrer impeachment, pode ser condenado e se tornar inelegível depois das investigações determinadas pelo TSE e pelo Supremo e pode sobreviver e encarar a eleição do ano que vem.



O impeachment é cada vez mais improvável. Mas, se continuar agredindo a Justiça Eleitoral, Bolsonaro pode se complicar no inquérito das fake news. Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, hoje o STF o incluiu como investigado por produzir mentiras e atacar as eleições e o Judiciário, na farsa do voto impresso.

Bolsonaro pode ter feito o seguinte cálculo, com a ajuda de militares da engenharia, que são bons em calcular a segurança de estruturas e seus riscos, ou com a colaboração dos coronéis que calcularam os preços das vacinadas superfaturadas.



Eis a equação: vale a pena intensificar os ataques, aumentar a ira do Judiciário e ser condenado, ou o melhor é apenas seguir em frente, com alguma moderação, apostando que não acontecerá nada, para enfrentar uma eleição em que poderá ser goleado?

Bolsonaro vem mostrando que deseja triplicar a aposta no enfrentamento, com a defesa do voto impresso. Ele quer pagar pra ver. É a aposta na desqualificação do TSE, de Luis Roberto Barroso, do voto, das urnas, da eleição e da democracia.



Se for cercado pelas Justiça por todos os lados e cassado – por causa de um combo que, segundo Moraes, envolve calúnia, difamação, injúria, incitação ao crime, associação criminosa e denunciação caluniosa –, poderá ter uma vantagem.

Inelegível e fora da disputa por decisão do Judiciário que ele tanto ataca, Bolsonaro pode se transformar no primeiro mártir da extrema direita brasileira, que é o que está faltando.

Fora do jogo, poderia perambular como um grande zumbi cercado de pequenos zumbis vestidos de verde-amarelo, todos dedicados a aterrorizar as instituições e a democracia.



Qual a vantagem dessa situação, se ele perde poder e terá de se entender com a Justiça? Há apenas uma vantagem, que não é pequena. Tira Bolsonaro da arena, para que ele evite um vexame na eleição que o sepultaria como liderança forte do fascismo, e ajuda a erguer sua estátua de perseguido.

Se continuar, se conseguir ir até o fim e levar 7 a 1 de Lula, Bolsonaro não terá nenhuma chance de manter o argumento das fraudes e da defesa do voto impresso. Se perder de goleada, Bolsonaro perde a desculpa da eleição roubada e estará morto politicamente.



Poderá continuar existindo como voz fina da extrema direita, com muita gente ao seu redor, mas não será mais a expressão política que pretendia ter. Se for goleado e humilhado, Bolsonaro não poderá mais blefar com o golpe.

O homem deve torcer para que o desfecho das investigações o transforme em vítima de perseguição e produza um ambiente capaz de fomentar a seguinte desculpa-bravata: se ele tivesse continuado no jogo, tudo seria diferente.

Bolsonaro precisa calcular a próxima etapa, pensando que pode se transformar em outra coisa, se ficar de fora do jogo. Deve levar a sério a hipótese de que sua única saída talvez seja virar uma outra aberração.


Hoje, Bolsonaro vive do blefe do golpe, que parece não funcionar mais.  Parceiros dele, seus filhos, os generais que ainda o sustentam e até o centrão sabem que, mesmo sem ter feito muitos cálculos, tudo o que Bolsonaro deseja agora é fugir desesperadamente da eleição.

Bolsonaro aceitaria qualquer coisa, talvez até alguns meses na cadeia, que o tirasse da disputa de 2022. Porque sabe que não tem como aplicar o golpe e sabe que o voto impresso, para bagunçar tudo, já é uma miragem.


Bolsonaro é um homem alucinado em busca de uma saída fora da eleição. A realidade hoje é a que confronta sua covardia com a bravura de Lula.

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