domingo, 1 de agosto de 2021

“Dói nos ossos.” Moradores de rua narram como enfrentam frio intenso


  Metrópoles  - Dependentes de doações, eles contam com trabalho de ONGs para aguentarem temperaturas que estão abaixo dos 10°C


A nova onda de frio que chegou, nesta semana, ao Distrito Federal atinge em cheio a população em situação de rua da capital. Essas pessoas, que dormem em barracas ou apenas enroladas em um cobertor, dependem de doações para amenizar o impacto do frio, que tem registrado temperaturas abaixo da casa dos 10°C, nas madrugadas.


No Setor Comercial Sul (SCS), Antônio José da Silva, 56 anos, sempre busca uma galeria para poder se abrigar à noite. “É um pouco mais sossegado. Fiz amizade com um vigilante, boto minhas coisas ao lado e durmo”, conta.

As últimas noites, ele diz, têm sido piores. Com a ventania, a sensação térmica cai bastante e as cobertas disponíveis nem sempre são o suficiente. “O frio forte mesmo é depois das 2h, 3h. Mas acaba que a gente acostuma um pouco”, comenta.


Como está desempregado desde o início da pandemia, Antônio precisou ir para as ruas, pois o dinheiro ficou curto. “Fico vendendo bala no ponto de ônibus durante o dia. O que eu ganho ainda é pouco para conseguir alugar um cantinho para morar, mas pelo menos estou ativo”, explica.



Lucas Alves, 22 anos, também tenta se abrigar como pode, debaixo dos prédios do centro de Brasília. O jovem veio de Goiânia em busca de uma vida melhor, e não tem barraca onde ficar. A estratégia dele consiste em colocar vários cobertores para evitar o contato direto com o chão, e depois se cobrir com os que sobram. “Muitas pessoas vêm até aqui e ajudam a gente. É dessa forma que conseguimos dormir”, diz.

À procura de emprego, ele vende água em semáforos para conseguir alguma renda, mas diz que é difícil se sustentar assim. “Eu quero prosperar, ter uma casa, uma família. Não quero ficar aqui o resto da minha vida”, destaca.



No Guará, Maria Lúcia Souza e Silva, 54 anos, diz não se recordar de ter passado tanto frio nas ruas como na última semana. “A gente até acostuma a dormir no chão depois de tanto tempo, mas com tanto frio, chega a doer nos ossos”, relata a mulher, que mora na rua há cerca de quatro anos.

ONGs tentam ajudar como podem

No próprio SCS, há várias organizações que tentam ajudar a população em situação de rua. Fundada por Henrique França, a Salve a Si, desde 2016, presta apoio a dependentes de drogas, e incentiva-os a mudarem de vida e receberem tratamento de reabilitação gratuito.



Toda quinta-feira à noite, há a entrega de marmitas e a disponibilização de cabines para que a população local possa tomar banho. Neste momento de frio, cobertores também são oferecidos. “O impacto social é tremendo. Duas horas que eles ficam aqui representam duas horas que não estão fazendo algo de ruim para si”, diz Henrique.

Nesta semana, o Metrópoles noticiou a possibilidade do fechamento da casa de acolhimento de mulheres da organização não governamental. Uma pessoa, que preferiu se manter anônima, no entanto, disponibilizou R$ 900 mil para que a Salve a Si permaneça em funcionamento. “Ele nos disse para que paguemos de volta à medida que conseguirmos. Ele não é rico, mas disponibilizou praticamente tudo o que tem para nós. É uma felicidade muito grande”, comemora. Leia mais no Metrópoles

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