quarta-feira, 14 de julho de 2021

Fux vai tentar o que Toffoli tentou sem sucesso: domar Bolsonaro

   


 Metrópoles -Façam suas apostas: quanto tempo dura a versão “Jairzinho paz & amor” do presidente da República que agora, com humildade, declara aos que lhe querem bem: “Eu sou igual ao cocô de vocês”?



Opções de respostas:


+ Até que a Polícia Federal descubra se não passa de blefe a insinuação feita pelos irmãos Miranda de que gravaram sua conversa com ele no Palácio da Alvorada;




+ Até que a Procuradoria-Geral da República conclua que ele nada teve a ver com a compra superfaturada da vacina indiana Covaxin; levará mais algum tempo, mas será assim;



+ Até que o Senado aprove o nome de André Mendonça para a vaga de ministro “terrivelmente evangélico” do Supremo Tribunal Federal; custará caro, mas deverá aprovar;

+ Até que passe a crise de soluço que há mais de uma semana atormenta Bolsonaro a ponto de impedi-lo de se alimentar direito e de fazer o que mais gosta: falar muito e sem freios.



A pantomima sobre mais um pacto entre os três poderes da República começou com o encontro do presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, com o presidente soluçante.

O encontro durou 20 minutos e deu ensejo à divertida cena de Bolsonaro, rodeado de jornalistas, ao invés de insultá-los como de costume, suplicar para que rezassem juntos o Pai Nosso.



Em novo ato, previsto para hoje sob o patrocínio da toga, o ministro Fux, Bolsonaro e os presidentes do Senado e da Câmara se reunirão para mostrar como estão unidos pelo país.

E assim, por quanto tempo ainda não se sabe, a harmonia entre os três poderes estará restabelecida, e afastada as ameaças de novas crises, cancelamento de eleições, golpe militar, essas coisas.

O antecessor de Fux na função de presidente do Supremo, o ex-ministro petista Dias Toffoli, bem que tentou firmar um pacto à sua época. Chegou a anunciar que o pacto era um sucesso.

Vez por outra, ele e Bolsonaro tomavam cafezinhos juntos e comiam pizza – ora no endereço de um, ora no do outro. Toffoli sugeriu que chegou a abortar um golpe contra Bolsonaro.

Fux dispensa a Bolsonaro um tratamento mais formal e cerimonioso. Mas sua pretensão oculta é a mesma de Toffoli: domar a fera travestida de presidente da República.

Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, que não gosta de jogar tempo fora, reduziu o pacto às suas devidas proporções: “Toda conversa é sempre salutar”.



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