segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Papa Francisco reforça coro católico contra política ambiental de Bolsonaro

 A pressão contra a política ambiental do presidente Jair Bolsonaro ganhou um reforço de peso: o papa Francisco. O líder religioso se juntou a entidades da Igreja Católica no Brasil no discurso em defesa da Amazônia, dos recursos naturais e dos povos indígenas.

Duas importantes entidades da igreja se manifestaram com veemência nesta semana contra o discurso do presidente na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU): a
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Para a CNBB e o Cimi, Bolsonaro tentou criminalizar os povos indígenas ao atribuir a eles a responsabilidade pelo aumento das queimadas no país.

No discurso feito na Assembleia Geral da ONU nessa sexta-feira (veja vídeo mais abaixo), o papa Francisco dedicou alguns minutos para demonstrar preocupação pela situação da Amazônia, com o avanço do desmatamento, e com a situação das populações indígenas. Sem citar Bolsonaro, ele afirmou "não se recorda que a crise ambiental está indissoluvelmente ligada a uma crise social e que o cuidado com o meio ambiente exige uma aproximação integral para combater a pobreza e a exclusão".


Na avaliação da CNBB, o presidente camufla "na fumaça das fake news" a luta desses povos por sobrevivência e colabora para "trazer o caos da desinformação". Já o Cimi considerou o discurso do presidente "falacioso, refratário e irreal", em especial, no combate aos incêndios da Amazônia e à pandemia de coronavírus.

Para a CNBB, o presidente tem uma atitude na contramão da consciência social e ambiental ao dizer que "o Brasil está de parabéns com a proteção de seu meio ambiente" diante de "tamanha destruição". A entidade afirmou também que essa atitude acaba "na verdade beneficiando apenas grandes conglomerados econômicos que atuam na mineração e no agronegócio".

O Cimi acusou Bolsonaro de agir com má-fé, preconceito e a irresponsabilidade ao responsabilizar os indígenas pelos problemas ambientais do país.


"Ele não só responsabilizou, mas também criminalizou os povos indígenas que, de fato, são as vítimas dos crimes ambientais em curso no país. Entendemos que Bolsonaro deve ser responsabilizado por seus atos. Não é justo que os povos indígenas no Brasil venham a sofrer mais violência por mais uma acusação sem provas, fantasiosa, do senhor presidente", afirmou a entidade.

A CNBB criticou ainda a diminuição do orçamento dos órgãos ambientais como o Ibama e o ICMbio, afirmando, que não é possível permanecer em silêncio diante dos "cortes orçamentários sofridos pelo Ibama e pelo ICMBio, bem como do sucateamento dos órgãos de combate e fiscalização".


Veja o vídeo abaixo e o discurso do papa Francisco na íntegra:


Fonte: Congresso em Foco

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