quinta-feira, 2 de julho de 2020

Depoimento de ex-mulher de Bolsonaro pode ser adiado depois da mudança de foro de Carlos Bolsonaro

RIO — Depois da mudança de foro na investigação sobre o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), pode ocorrer nova alteração no cronograma das investigações abertas há cerca de um ano no Ministério Público do Rio (MP-RJ). A segunda ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle, havia sido intimada para depor no próximo dia 9 de julho. Ela é investigada junto com Carlos nos procedimentos que apuram uso de funcionários fantasmas e eventual prática de “rachadinha”, como é conhecida a devolução de salários. No entanto, caberá ao novo promotor, que ainda não foi sorteado, decidir se mantém a data do depoimento. Ana Cristina foi lotada como chefe de gabinete do vereador Carlos Bolsonaro entre 2001 e 2008.


Magnum Roberto Cardoso, advogado de Ana Cristina, contou ao GLOBO que sua cliente foi convocada para depor na capital ainda em janeiro deste ano. No entanto, a defesa solicitou que o depoimento fosse prestado em Resende, no Sul do Estado, onde ela possui residência e trabalha como assessora de Renan Marassi, vereador daquele município. A primeira intimação a ela foi feita em novembro.

A investigação criminal tramita sob segredo de Justiça e era conduzida pelo Gaocrim (Grupo de Atribuição Originária Criminal), ligado à Procuradoria-Geral de Justiça, porque os vereadores tinham foro especial. No entanto, conforme revelou a colunista Bela Megale, o MP afirmou na terça-feira que reconheceu o declínio de competência e atribuição de 21 ações penais e investigações envolvendo vereadores depois que a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu, por unanimidade, estar suspenso um artigo da Constituição fluminense que estendia a vereadores a prerrogativa de serem julgados por desembargadores.

Com isso, a investigação sobre Carlos já foi declinada e será enviada esta semana para o Núcleo de Investigação Penal, antiga Central de Inquéritos, para redistribuição. A partir de agora, todos os depoimentos e as diligências serão redefinidos pelo novo promotor titular do caso. Além disso, há uma investigação civil, que apura improbidade administrativa sobre as mesmas acusações, na 8ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da Capital.


Investigação aberta em julho de 2019

Durante seus mandatos como vereador, desde 2001, Carlos Bolsonaro nomeou sete parentes de Ana Cristina. Parte deles, no período em que ela viveu em união estável com o presidente Jair Bolsonaro, entre 1998 e 2008. Dois familiares da ex-mulher do presidente admitiram em reportagem da revista Época nunca ter trabalhado para o vereador, embora estivessem nomeados. Ambos viviam em Minas Gerais. O MP ainda apura suspeitas de que, pelo menos, outros três profissionais nunca deram expediente na Câmara.

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Um dos principais alvos da investigação do MP é a situação de Marta Valle — professora e cunhada de Ana Cristina. Moradora de Juiz de Fora (MG), ela passou sete anos e quatro meses lotada no gabinete de Carlos, entre novembro de 2001 e março de 2009.


Segundo a Câmara de Vereadores, ela não teve crachá da Casa. Além disso, abordada por Época, disse que não havia trabalhado no gabinete. Outro caso descoberto foi o de Gilmar Marques, ex-cunhado de Ana Cristina e morador de Rio Pomba (MG). Questionado, também disse não se recordar da nomeação.

A situação se repetiu em relação ao advogado Guilherme Henrique de Siqueira Hudson, que constou como assessor-chefe de Carlos por dez anos — entre abril de 2008 e janeiro de 2018. Guilherme é primo de Ana Cristina e, apesar de todo o tempo em que ficou lotado na chefia do gabinete, jamais teve crachá. Desde 2012, possui residência fixa em Resende e um escritório de advocacia na cidade.

Quando Hudson era assessor-chefe, Ananda Hudson, sua mulher, foi nomeada no gabinete entre 2009 e 2010. Ao mesmo tempo, porém, ela cursava Letras em Resende. Depois, Monique Hudson, cunhada de Guilherme e igualmente estudante, em Resende, também foi nomeada.

Em fevereiro, O GLOBO revelou imagens mostrando que na mesma semana em que o advogado Guilherme Henrique de Siqueira Hudson foi prestar depoimento em outubro do ano passado ele também foi no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro. Ela estava acompanhado de seu pai, Guilherme dos Santos Hudson, investigado no caso de Flávio Bolsonaro.


Em dezembro do ano passado, logo depois da busca e apreensão em endereços ligados a outros nove parentes seus devido às investigações sobre o senador Flávio Bolsonaro, Ana Cristina gravou um vídeo no qual dizia que não era investigada.

— O MP veio a Resende, fez algumas buscas e apreensões em familiares meus, mas o mais importante que eu quero dizer para vocês é que eu, Ana Cristina Siqueira Valle, não estou sendo investigada. Isso é fato. Então eu acredito que isso seja uma estratégia da mídia para atingir o nosso presidente Jair Bolsonaro — afirmou, na ocasião, sobre as medidas que envolviam o procedimento sobre Flávio, irmão de Carlos.


Fonte: G1
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