quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Por ordem do governo Bolsonaro, Funai suspende atendimento e famílias indígenas passam fome no MS

Órgão decidiu parar de atender indígenas que vivem em áreas não demarcadas, levando a fome a comunidades no MS. Ministério Público cobra providências.

Solano Lopes, de 51 anos, é o líder da terra indígena Pyelito Kue, um território no município de Iguatemi (MS), a 470 km da capital, Campo Grande. Desde o início do ano, diz ele, as 64 famílias da etnia guarani-kaiowá que moram no local não recebem mais as cestas de alimentos que eram entregues com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai).



A comunidade, que fica na fronteira do Brasil com o Paraguai, "está passando muita necessidade" sem os alimentos que eram entregues pelo governo federal, diz Solano.

"Para a gente ter alimentação, a gente tem que plantar alguma coisa (...). As nossas áreas são 97 hectares. É muito pequeno (...). Eles (os indígenas) reclamam comigo que a área é muito pequena". diz.


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A área onde o grupo vive "é o nosso tekohá (o termo em guarani significa aldeia, território). Só que falta expandir", diz Solano.
A origem das dificuldades enfrentadas pela comunidade de Solano está bem longe dali, em Brasília. No fim do ano passado, a Fundação Nacional do Índio (Funai) decidiu que não vai mais atender comunidades indígenas que não vivam em áreas que já tenham sido completamente demarcadas.



No caso da comunidade de Solano, isso significa que os servidores da Funai não vão mais até a área acompanhando os caminhões da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) que fazem a distribuição. Sem o apoio da Funai, a empresa pública parou de fazer a distribuição.

O papel dos indigenistas, neste caso, é guiar os caminhoneiros, intermediar o contato com os indígenas (em alguns dos acampamentos os moradores não falam português) e registrar a quantidade de cestas entregues. Assim, sem o apoio da Funai, os alimentos pararam de chegar.



Em nota à BBC News Brasil, a Funai disse que não é obrigação sua ajudar na entrega das cestas.

Fonte: UOL

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