quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Carro policial atropela casal gay intencionalmente durante protesto no Chile

Caso será incluído entre os abusos aos direitos humanos registrados no país em meio aos protestos sociais, mostrando que a homofobia também é um elemento presente na atuação repressiva dos policiais


Um casal gay se manifestava pacificamente no centro de Santiago e caminhava de mãos dadas, quando um furgão lançador de gases lacrimogêneos avançou rapidamente contra eles, atropelando ambos.
A agressão aconteceu há uma semana, no dia 19 de novembro, mas só foi denunciada formalmente nesta terça-feira (26), por iniciativa do Movilh (Movimento de Integração e Liberação Homossexual do Chile), que pede a aplicação da Lei Antidiscriminação para o caso.


Uma das vítimas é um sociólogo, identificado com as iniciais N.M.V., que relata que “o ataque foi claramente intencional, porque nós estávamos na calçada, em uma rua que não estava movimentada, e não havia nada mais ocorrendo naquele momento que justificasse jogar o veículo sobre nós”. Logo, o furgão teria retrocedido para, primeiro, lançar gases lacrimogêneos sobre as vítimas e depois sair em disparada, sem prestar socorro aos atropelados.
A vítima também afirma que ambos foram jogados no chão após o impacto e ainda tiveram o socorro prejudicado pelos gases lançados em seguida, “o que dificultou nossa reação e também demorou o auxílio de pessoas próximas, que só puderam chegar minutos depois, quando o efeito dos gases foi diminuindo”, conta o sociólogo, que sofreu lesões no ombro e no pescoço, enquanto seu namorado apresentou ferimentos no braço esquerdo, o qual tentou usar para absorver o impacto.
Análise
Segundo o advogado Óscar Rementería, porta-voz da entidade de defesa da comunidade LGBTI chilena, “o episódio ocorreu por volta das 21h30 daquele dia, em um local onde não havia grande presença de pessoas. Portanto, o motorista do veículo viu quem eram as pessoas que atropelou, viu o que estavam fazendo e avançou sobre elas porque eram dois homens de mãos dadas”.
Rementería afirmou que o caso já estava sendo analisado há dias, mas esperaram ter provas em vídeo das câmeras de segurança do local para poder oficializar a denúncia.


Fonte: Revista Fórum
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