sexta-feira, 17 de maio de 2019

Investigação sobre Flávio pode envolver do presidente à milícia

Michelle Bolsonaro, mulher e mãe de miliciano de Rio das Pedras e cinco ex-assessores do presidente tiveram quebras de sigilos bancário e fiscal determinadas pela Justiça

A quebra dos sigilos bancário e fiscal de 86 pessoas e nove empresas, determinadas pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, atendendo a um pedido do Ministério Público Federal do Rio para se aprofundar nas investigações de uma organização criminosa que atuou no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro (PSL) na Assembleia Legislativa do Rio, pode ter desdobramentos em outras apurações em torno da família do atual senador. As informações são da Folha de S.Paulo que teve acesso ao documento do MPF.
As possíveis ligações incluem a milícia de Rio das Pedras e Muzema (onde dois prédios desabaram matando 24 pessoas), a organização do PSL no estado do Rio de Janeiro, a ex-mulher de Bolsonaro e a atual, primeira-dama Michelle.

O passo dado pela Justiça carioca de quebrar os sigilos bancário e fiscal acontece após quase 500 dias do início da investigação, surgida a partir de um relatório Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que apontou uma movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, policial aposentado que se apresentava como motorista de Flávio Bolsonaro, mas depois disse que atuava como uma espécie de chefe de gabinete do então deputado na Assembleia.
Em seguida, o Coaf identificou que, entre 2014 e 2017, período em que também trabalhava com Flávio, o PM aposentado movimentou R$ 7 milhões em suas contas. Queiroz recebia, periodicamente, depósitos fracionados de outros funcionários da Alerj, sempre próximos às datas de pagamento. O ex-motorista, ainda chegou a realizar um depósito de R$ 24 mil na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Quando essa informação foi divulgada pelos noticiários, o presidente afirmou que o repasse para a esposa foi fruto de parte da quitação de um empréstimo de R$ 40 mil dado ao PM. Com a quebra de sigilo, os investigadores poderão esclarecer esse ponto. Como Michelle não tem foro especial, pode ter os dados vasculhados pelo Ministério Público do Rio.
A quebra de sigilo atinge ainda Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, respectivamente mãe e mulher do ex-PM Adriano da Nóbrega, acusado de comandar a milícia de Rio das Pedras e Muzema. Os investigadores do Ministério Público querem avaliar se os familiares dos milicianos eram usados como laranjas para repassar recursos ao grupo criminoso.
No documento usado para pedir as quebras de sigilo à Justiça, os promotores escreveram que “pelos elementos de provas colhidos” era “possível vislumbrar indícios da existência de uma organização criminosa com alto grau de permanência e estabilidade”, que existiria desde 2007, no gabinete de Flávio.
As investigações abrangem o período que vai daquele ano até 2018, espaço de tempo em que Fabrício Queiroz trabalhou como assessor de Flávio. O PM aposentado que teria indicado a contratação das duas parentes do miliciano Adriano da Nóbrega.
Ana Cristina Siqueira Valle, segunda ex-mulher do presidente Bolsonaro, também sofre quebra dos sigilos, assim como pelo menos cinco ex-assessores do atual líder do Planalto, que trabalharam com ele na Câmara dos Deputados.

O PSL no Rio também está na mira das investigações. O MPF suspeita que Flávio teria usado duas assessoras na Assembleia para tocar a própria campanha ao senado e estruturar o partido no estado. São elas Valdenice de Oliveira Meliga (tesoureira de campanha do senador) e Alessandra Ferreira de Oliveira (responsável financeira do PSL-RJ). As duas estão com os sigilos quebrados.
Segundo outra reportagem da Folha, divulgada em fevereiro, uma empresa de Alessandra e parentes de Valdenice foram beneficiados com verba pública do fundo eleitoral, recebendo recursos repassados por candidatos, na maioria mulheres, na reta final da eleição.
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