quarta-feira, 10 de abril de 2019

Sergio Moro passa vergonha em entrevista a Pedro Bial: inúmeros erros de português e erros jurídicos

Reinaldo Azevedo aborda o ex-juiz em seu blog no UOL. “Sérgio Moro e a língua portuguesa não são parceiros amistosos. A culpa, no caso, não é dela, claro!, mas dele. A Inculta & Bela está nos livros, na gramática, nas bibliotecas. Parece, no entanto, que ele é um leitor muito menos fecundo e dedicado do que dá a entender a sua pose. E obrigo-me a dizer: o herói sem máculas não trata o direito melhor do que trata a ‘Última Flor do Lácio’. No começo da madrugada desta quarta, foi ao ar a entrevista que Moro concedeu a Pedro Bial, na Globo. Num dado momento, e não pareceu combinado, o ex-juiz fez questão de falar a palavra “cônjuge”. O entrevistador, então, fez uma brincadeira com o vídeo que se tornou um viral em que o ministro, durante audiência na Câmara, fala e repte a palavra ‘conge’ — ou ‘cônji’, sabe-se lá. Não foi o único erro daquela fala, não. Ele também deu o exemplo de uma pessoa que cometesse um assassinato ‘SOBRE violenta emoção’. A verdade é que o doutor espanca a nossa língua sem piedade”.

O jornalista desenvolve seu raciocínio: “Não foi só isso. Moro disparou pelos menos três vezes ‘haviam’ no sentido de ‘existiam’, verbo que as pessoas que fizeram um ensino médio eficiente sabem ser impessoal. ‘Haver’, nesse caso, não tem sujeito. O seu complemento é um objeto direto. Por isso não dizemos ‘Hão pessoas’, mas ‘há pessoas’; logo, jamais ‘haviam pessoas’, mas ‘havia’. Espero ter sido claro. O ministro não tem o direito de repetir a bobagem”.

E vai direto ao ponto: “Seus erros de direito, no entanto, não foram menores. Confrontado com a absurda — isso digo eu — condução coercitiva de Lula, que nem intimado a depor havia sido, deu uma desculpa esfarrapada, afirmando que HAVIA (atenção, ministro!) informações de que a busca e apreensão em suas propriedades poderiam gerar alguma resistência. Em vez de direito, estamos no universo da fofoca. Moro, assim, faz o quê? Atribui à vítima do ato abusivo a responsabilidade pelo abuso. Típico. Deixou claro ainda que julga não ter feito nada de errado ao divulgar uma conversa entre Lula e a então presidente Dilma que era: a: fruto de interceptação ilegal porque gravada já fora do prazo autorizado; b: ilegal; por envolver a presidente da República, a conversa só poderia ter sido tornada pública com autorização do Supremo. Ele foi severamente advertido por Teori Zavascki por isso. E a gravação foi excluída dos autos. O valente, no entanto, com o mesmo deassombro com que atropela a gramática, deixou claro que pode atropelar a lei. Julga não ter feito nada de errado”.

Fonte: DCM
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