domingo, 7 de abril de 2019

Reinaldo Azevedo: Odebrecht quase quebra, mas Lava Jato é multibilionária

A realidade brasileira ganha tinturas do mais franco e escancarado surrealismo quando nos damos conta de que o "ente" Lava Jato, por intermédio de instâncias que a operação foi criando, transformou-se numa das maiores gestoras de, sei lá como chamar, "fundos" do país. Sob a sua guarda, estão mais de R$ 6 bilhões decorrentes do acordo feito com a Odebrecht. A operação para capturar R$ 2,5 bilhões da Petrobras foi abortada. E tenho muita curiosidade de saber como a seção do Rio administra o dinheiro que amealhou, quanto é, em que está investido… Aliás, os recursos oriundos da ex-maior empreiteira do país estão sob a gestão de quem? Quanto rende uma soma fabulosa como essa ainda que aplicada em produtos de mercado os mais conservadores?

Não é fabuloso? A Odebrecht quase quebrou, mas a Lava Jato, se fosse uma empresa, seria uma das mais poderosas do país, Quem tem o caixa disponível que ela tem? E, para tanto, não precisa produzir um parafuso. Basta produzir discursos salvacionistas e sair por aí a prender pessoas, convencendo-as depois, com direito a exibição nas TVs, a entregar cabeças, que são demonizadas sem direito a defesa. Na mais recente exposição do ex-governador Sérgio Cabral, não faltaram nem mesmo elogios ao juiz — no caso, Marcelo Bretas, um homem de inegável musculatura jurídica.

Combater a corrupção é necessário. Mas algo de errado se dá quando empresas são destruídas, milhares de empregos vão para o ralo, e um ente bilionário se constrói com os recursos oriundos dessa operação, sem empregar ninguém. O erro evidente do artigo de Lula — e é um erro mesmo que seja de caso pensado; mesmo que tente ser uma estratégia — está em ignorar que ele não está preso porque um centro conspirador decidiu destruir o PT. A falha está em não reconhecer que o que chamo Partido da Polícia (Papol) decidiu tomar o poder, com o apoio, sim, de amplas camadas da sociedade, inconformadas com a corrupção que existe e também com a que não existe, já que até o diálogo político foi foi demonizado. Bolsonaro resolveu pegar carona nessa onda e levou Moro para o Ministério da Justiça, tornando-se também o seu refém. Há sinais de fadiga e até de fratura nessa poderosa construção que capturou fundos públicos com a mesma facilidade com que capturou consciências. Vamos ver.  Sim! Ainda falarei da prisão de Lula em si. Seus direitos individuais estão sendo agredidos. E por intermédio dessa agressão, também as leis e a Constituição.


Fonte: UOL
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