quarta-feira, 17 de abril de 2019

Petrobras mantém alta do diesel e caminhoneiros podem anunciar greve em 21 de maio

Categoria estava insatisfeita com pacote de medidas do governo e esboçava paralisação nacional desde a semana passada


Nesta quarta-feira (17), a Petrobras anunciou, por meio de seu presidente, Roberto Castello Branco, um acréscimo de R$ 0,10 no preço do diesel, elevando o valor do combustível para R$ 2,24 por litro. O aumento é divulgado seis dias após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) interferir na empresa para tentar frear uma alta de 5,7% que faria o preço do litro chegar a R$ 2,26.
"Se o diesel aumentar um centavo que seja e não houver efetiva fiscalização da aplicação do piso, a gente para no dia 21, quando a greve do ano passado completará um ano", afirmou o caminhoneiro Wanderlei Alves, o Dedéco, uma das lideranças da categoria em grupos de Whatsapp, em entrevista ao jornal Valor Econômico na véspera do aumento anunciado pela Petrobras.
Apesar de pouco tempo para reação, em doze grupos formados por caminhoneiros no Whatsapp que são acompanhados pela reportagem do Brasil de Fato, a notícia do aumento gerou revolta. Na noite desta quarta-feira, os pedidos de paralisação se multiplicaram. “Os R$ 0,10 são os mesmos 5%. Já passou da hora de parar, meus amigos”, afirma um condutor no aplicativo de conversa. Outro, revoltado com o anúncio da Petrobras, sentencia: “A greve vai ter que acontecer dinovo (sic), não vai ter saída”.
Um dos áudios que circula nos grupos de caminhoneiros faz críticas diretas ao presidente Bolsonaro, sinalizando arrependimento em relação à escolha de parte da categoria nas eleições presidenciais de 2018: "Rapaz, nós elegemos um cara despreparado até o último para governar esse país. Ele está perdido, perdido. Não consegue fazer nem aquilo que ele se comprometeu com a fatia financeira do país, que é aprovar a tal da Previdência, para f… com o pobre. Nós estamos f…, essa é a realidade". 



Conversas registradas no dia 17 de abril (Reprodução/Whatsapp)
Em maio de 2018, os caminhoneiros fizeram uma das maiores greves da história do país, reivindicando que a alíquota do PIS/Pasep e o Cofins fosse zerada e que houvesse a isenção do imposto que incide sobre combustíveis, o CIDE. 
A paralisação ocorreu durante o governo Temer (MDB), em meio a uma mudança na política de preços do petróleo que levaria à queda do então presidente da Petrobras, Pedro Parente.

Fonte: Brasil de Fato
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