domingo, 24 de março de 2019

Sakamoto: Política é resolver conflito, mas Bolsonaro não quer ou não sabe fazer isso

Dentre todas as habilidades esperadas de um presidente da República, saber fazer política talvez seja a mais importante. Dada à limitada quantidade de recursos disponíveis em uma sociedade e ao seu amplo leque de interesses, legítimos ou não, é sua função encontrar soluções pacíficas para conflitos e buscar formas coletivas de construção, garantindo a divisão racional e solidária desses recursos. Imprimindo sua marca e visão de mundo, claro, mas evitando que o país se exploda no meio do caminho. Bolsonaro parece não saber como ou não querer fazer isso.

Tendo passado quase três décadas sem propor ou relatar projetos relevantes no Congresso Nacional, com dificuldade em respeitar os direitos de outras pessoas e caracterizando-se por propagar a política da cisão, era claro que ele teria problemas quando assumisse o cargo. O presidente critica a articulação, como se fosse algo asqueroso da "velha política" em detrimento da "nova política", que ele estaria apresentando. Dessa forma, dá às costas para algo central na vida em sociedade, o diálogo, que nunca foi seu forte enquanto deputado federal.

Suar a camisa para tentar convencer aliados e contra-argumentar o discurso da oposição, aceitar concessões às propostas originalmente apresentadas, repartir poder com aliados quando o seu partido possui apenas 54 das 513 cadeiras da Câmara, tudo isso faz parte da política. É diferente de vender cargos, emendas, leis e portarias, enfim o tomaladacá que rege muitas relações no Congresso. Desde a antiga Atenas, é tênue a linha entre as duas coisas em uma democracia, mas cabe a um líder político que se diz honesto tentar dialogar sem sujar as mãos.

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