sábado, 23 de março de 2019

“Moro não sabe nada de segurança”, diz governador do Distrito Federal

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou neste sábado (23) que vai entrar com uma ação judicial pedindo a transferência do traficante Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCCP), trazido nessa sexta-feira (22) para o Presídio Federal de Brasília, anexo ao Complexo Penitenciário da Papuda. Para Ibaneis, ao determinar a vinda do líder do PCC para Brasília, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, demonstra seu completo desconhecimento sobre segurança pública.
“Já pedi à Procuradoria uma ação judicial com base na Lei de Segurança Nacional. Essa atitude do ministro Moro demonstra que ele não sabe nada de segurança. Você não pode trazer um criminoso desse quilate, que arrasta com ele todo o crime organizado [para a capital do país]”, reclamou o governador, que foi surpreendido com a chegada do criminoso na manhã de ontem. Segundo ele, trazer um preso dessa periculosidade para Brasília “certamente não dará certo”.
Marcola está condenado a 232 anos e 11 meses de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, homicídio e tráfico de drogas. Ele estava desde fevereiro em uma penitenciária de Porto Velho (RO), para onde foi após a descoberta de um plano de fuga do Presídio de Segurança Máxima de Presidente Venceslau (SP), no qual cumpria pena.
Advogado criminalista e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal, o governador disse que esse é o “maior absurdo” que já viu na segurança pública. Ibaneis afirmou que vai reclamar com o presidente Jair Bolsonaro, tanto sobre a transferência do líder do PCC quanto da existência de um presídio federal na capital do país.
Para ele, o próprio presidente, assim como as demais autoridades brasileiras e estrangeiras, bem coo a população do Distrito Federal e de cidades vizinhas que compõem o chamado Entorno do DF, estão sob grande risco. Ontem a Polícia Civil do Distrito Federal prendeu uma quadrilha formada por sete integrantes do PCC.
“Trazer um criminoso desse para cá, a seis quilômetros do Planalto? Nós temos mais de 180 embaixadas e representações internacionais, os principais tribunais da República, as principais autoridades circulando por aqui. Como é que você traz isso para dentro da capital da República?”, questiona. “Isso é o maior absurdo que ouvi falar na segurança pública na minha vida. Esse presídio federal em Brasília uma jabuticaba que só existe aqui. Em lugar nenhum do mundo você tem presidio federal na capital da República. Só aqui”, emendou.
“Vou levar ao presidente Bolsonaro o absurdo desse presídio federal funcionar na capital da República. Você tem o líder do PCC a seis quilômetros do presidente da República. Certamente não vai dar certo. Não adianta dizer que tem medida de segurança para afastá-lo. Eles estão na região”, afirmou.
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