terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Sakamoto: Laranja sai, laranja fica: falta de critérios assusta aliados de Bolsonaro

"A vida é como uma caixa de bombons, você nunca sabe o que vai encontrar." A frase dita pela mãe de Forrest Gump, no premiado filme de Robert Zemecks, cabe feito uma luva para explicar a lógica por trás de certas decisões tomadas pelo presidente da República. Bolsonaro humilhou publicamente, chamando de "mentiroso", nas redes sociais e na TV, um de seus mais próximos aliados. Não teve coragem de demitir Gustavo Bebianno por conta própria, chamando o filho que ele chama de "pitbull" para ajudar na tarefa de fritura pública. Qual a garantia de que não volte a fazer isso e, num surto, ataque um parlamentar que o apoie, mas venha a desagradá-lo? A incerteza ressoa pelo Congresso Nacional e pela Esplanada dos Ministérios.

Outra pergunta óbvia: qual o critério objetivo para mandar alguém ao paredão? Ele demitiu um ministro suspeito de irrigar o Laranjal do PSL, mas mantém outro, também envolvido com plantação de cítricos no partido, Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), no cargo em que está. No vídeo construído milimetricamente para tentar impedir que Bebianno se torne um homem-bomba de seu governo, justificou a demissão dizendo que "diferentes pontos de vista sobre questões relevantes" acabaram levando à separação de ambos. Contudo, aplicada essa lógica, ele já teria pedido o divórcio a Paulo Guedes.

Nos bastidores, Bolsonaro reclamou a assessores que Bebianno havia vazado diálogos com o presidente e que esse seria um motivo para demiti-lo, quebra de confiança. Nesse sentido, uma parte da Esplanada dos Ministérios já teria rodado. Outra reclamação, de que o agora ex-ministro teria aceitado receber um representante da Globo para uma reunião, também levaria à demissão de outros que atenderam à empresa de comunicação, inclusive generais próximos a ele.

Não é novidade que tanto o presidente quanto o governo voltem atrás em questões relevantes, após críticas da população, colocando a culpa do bate-cabeça ou do balão de ensaio na imprensa que faria "fake news".

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