quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Ex-funcionário de Flávio Bolsonaro admite que dava 60% do salário a Queiroz

Em depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro, o ex-funcionário do gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Agostinho Moraes da Silva, disse que Fabrício Queiroz era o "chefe de gabinete", função que ele jamais exerceu oficialmente., já que era apontando como motorista, inclusive pelo próprio Flávio.

Agostinho, que assim como Queiroz, é ex-policial militar, disse que o colega de gabinete era extremamente habilidoso nos negócios automotivos. Tal qualidade o fez dar quase 60% do salário, todo mês, para Queiroz investir na compra de carros. A informação foi divulgada pelo site G1, que teve acesso ao depoimento.



A versão apresentada pelo ex-funcionário tenta se contrapor à versão apontada pelo MP, que suspeita que Queiroz seja o responsável por um esquema de repasses suspeitos dentro do gabinete do ex-deputado e filho do presidente, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Para os investigadores, a versão é, inicialmente, vista como frágil e carente de comprovações.

Mas Agostinho disse que a atividade de Queiroz rendia até 18% e vinha rápido, em um mês. Sobre as suspeitas de devolver parte do salário a Flávio Bolsonaro ou a Queiroz, o ex-funcionário disse que nunca fez.

No entanto, admite que faziam um TED (Transferência Eletrônica Disponível) de cerca de R$ 4 mil todo mês, de um salário líquido de R$ 6.787,49 (julho/2018), para a conta de Queiroz para investir com o "amigo".

Apesar de fazer a transferência por meio de depósito bancário, o retorno do suposto "lucro" obtido com as vendas de Queiroz era feito em espécie, ou seja, em dinheiro vivo sem qualquer registro ou declaração das operações à Receita Federal.

Questionado se nunca indagou Queiroz sobre o motivo de ele pagar os lucros em dinheiro vivo", Agostinho disse não.

Disse ainda que, apesar das habilidades extraordinárias de Queiroz vender carros, Flávio Bolsonaro não teria conhecimento da prática.

Para justificar o valor de R$ 400 pagos duas vezes ao mês, totalizando R$ 800 de repasse para Queiroz encontrados no Relatório de Informações Financeiras (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) que serve como base da investigação, ele disse disse que se tratava de uma substituição no gabinete em alguns dias.

Ele conta que, ao lado de Queiroz e outro funcionário, foi organizada "uma espécie de regime de plantão o qual cada um trabalhava 3 dias por semana". "E que, quando um dos 3 não podia comparecer no dia escalado, um cobria o outro mediante remuneração".


Fonte: Brasil 247
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