sábado, 16 de fevereiro de 2019

Em nome da transparência, Bebianno deveria contar tudo o que sabe

"Uma pessoa leal sempre será leal. Já o desleal, coitado, viverá sempre esperando o mundo desabar na sua cabeça." Gustavo Bebianno, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, postou um trecho de um texto sobre lealdade, na madrugada deste sábado (16), em sua conta no Instagram. Não é o primeiro recado que o ministro, que aguarda ser exonerado por Jair Bolsonaro, nesta segunda (18), manda a seu chefe. "Não sou moleque, e o presidente sabe. O presidente está com medo de receber algum respingo", disse em entrevista à revista Crusoé. "Todos nós voltaremos às nossas origens", respondeu ao ser questionado sobre o presidente ter dito que, se as investigações apontarem 
para responsabilidade de Bebianno no caso do laranjal do PSL, ele terá de "voltar às origens".


E completou: "As nossas origens estão no cemitério. O presidente não morrerá presidente. Muitas pessoas que se elegeram agora, eu não quero citar nomes, que também estão aí sob foco de investigações. Vamos ver, está certo?" Também disse a interlocutores que "não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado, é preciso ter um mínimo de consideração com quem esteve ao lado dele o tempo todo", de acordo com Gerson Camarotti, no G1. "Espero que o presidente se lembre de que ele, como disse claramente, deve a sua eleição a Gustavo Bebianno", lembrou o advogado Sérgio Bermudes, antigo chefe do ministro, à Mônica Bergamo, na Folha.

Bebianno e Bolsonaro teriam tido uma conversa dura, nesta sexta, em que o presidente o acusou de vazar diálogos privados a veículo de comunicação. Também estaria insatisfeito pelo ministro ter agendado reunião com um representante da Globo, que considera inimiga. Bebianno, por sua vez, achou um golpe baixo ter sido chamado de mentiroso por Carlos Bolsonaro e pelo presidente nas redes sociais e na TV. Ele nega ser o responsável pelo repasse de recursos públicos a candidaturas-laranja enquanto ocupou o cargo de presidente nacional do PSL, nas eleições, trazidas à tona em investigação da Folha de S.Paulo.

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