GOLPE DURO PARA BURGUESADA: Lula foi capa do maior jornal francês e Papa Francisco se manifestou

A carta de Lula, direto da prisão, foi capa de destaque do mais importante jornal francês, o Le Monde.

Rússia e China: pesadelo dos EUA se torna realidade

A nova política dos EUA em relação à China está levando à aproximação entre Moscou e Pequim, comenta o analista russo Timofei Bordachev.

URGENTE: Lava Jato pode ter fraudado documentos para incriminar Lula; CONFIRA CÓPIAS!

Surgem novos documentos que podem comprovar o que declarou o deputado Sibá em um encontro realizado no último sábado (5).

Lula preso sem provas, Paulo Preto ''com cem milhões" solto. Justiça?

Se alguém do campo progressista ainda tinha dúvidas sobre o posicionamento político do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram relembrados nesta sexta-feira, 11.

Engenheiros da Petrobrás dizem que política de preços de combustíveis beneficia grupos estrangeiros

A AEPET reafirma o que foi expresso no Editorial “Política de preços de Temer e Parente é ‘America First!’ “, de dezembro de 2017.

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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Investidores abandonam o Brasil e o dólar dispara

No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 1,30%, a 4,185 reais na venda. É a maior valorização diária desde 8 de novembro de 2019 e o patamar mais alto desde 5 de dezembro do ano passado. O motivo é a contínua fuga de capitais, diante dos maus resultados apresentados por Paulo Guedes



SÃO PAULO (Reuters) - O dólar saltou 1,3% ante o real nesta quarta-feira, na alta mais intensa em mais de dois meses, com a moeda brasileira novamente liderando as perdas globais nos mercados de câmbio diante de renovados sinais de fraqueza na economia que podem prejudicar expectativas de fluxo cambial ao país.
Os dados corroboraram ainda mais apostas de cortes de juros. Uma taxa Selic mais baixa reduz a atratividade do real como ativo de investimento, colocando a divisa doméstica em desvantagem em relação a “rivais” como o peso mexicano.
Além disso, os sinais de menor ímpeto da economia no fim do ano passado jogam contra expectativas de melhora no fluxo cambial, cujo saldo no ano passado foi o pior da história.
No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 1,30%, a 4,185 reais na venda. É a maior valorização diária desde 8 de novembro de 2019 e o patamar mais alto desde 5 de dezembro do ano passado.
Na B3, o dólar saltava 1,20%, a 4,1860 reais.
Por ora, o movimento no câmbio ainda não indica estresse e uma piora estrutural no cenário para a moeda brasileira. A volatilidade implícita para as opções de dólar/real com vencimento de três meses tem oscilado em torno de 9,9% ao ano, ainda abaixo de máximas do começo de 2020, quando superou 10,6%.


Em novembro do ano passado, mesmo com o dólar batendo máximas históricas e flertando com 4,30 reais, essa medida de incerteza para a taxa de câmbio caiu de mais de 12% no começo daquele mês para cerca de 10% no final.
Mas novos cortes de juros voltam a emergir como um vento contrário ao câmbio e têm forçado o mercado a desarmar posições construídas no fim do ano passado que contemplavam um real mais valorizado.
Ainda assim, alguns analistas seguem vendo o real atualmente com excesso de fraqueza, o que deixaria a moeda mais inclinada para ganhos à frente.



“A moeda está levemente desvalorizada e a percepção de risco doméstico está em extremos negativos de acordo com nosso indicador de risco de câmbio por país, e ambos acabam funcionando como um vento favorável à moeda”, disseram analistas da MRB Partners em nota a clientes.


Fonte: Brasil 247

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Privatização dos Correios pode causar demissão de 40 mil trabalhadores

Defendida pela equipe econômica, a venda da estatal pode acarretar demissões em massa; dias atrás, Jair Bolsonaro declarou que não venderia a empresa para não prejudicar os servidores, mas há setores no governo que defendem a venda da empresa até 2021



A privatização dos Correios está sendo planejada para o final de 2021 e pode acarretar a demissão de 40 mil trabalhadores.  
Executivos de empresas privadas dizem que fariam o mesmo serviço com praticamente a metade do quadro atual de 100 mil funcionários. 
A equipe econômica do governo não pretende absorver os trabalhadores que forem descartados com a venda da estatal.  Isto poderia criar um precedente para as próximas privatizações.   



Devido à complexidade da operação - que envolve também o passivo do fundo de pensão Postalis, a data prevista para a apresentação do formato de privatização ficou para o fim de 2021, informa o Painel da Folha de S.Paulo.  
O  presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) propõe a quebra do monopólio dos Correios, mas a execução não é simples. A avaliação é que alcançaria apenas o setor de cartas e há dúvidas sobre se as empresas se interessarão em atuar fora dos grandes centros urbanos.



Fonte: Brasil 247

Guedes provocou o primeiro apagão do governo Bolsonaro: o do INSS

"Só no ano passado, o órgão perdeu mais de seis mil servidores. A debandada era prevista desde que a reforma da Previdência começou a tramitar no Congresso. Agora a falta de quadros é usada para justificar o apagão no atendimento", diz o colunista Bernardo Mello Franco, que lembra que há 2 milhões de brasileiros na fila dos atendimentos



Em sua couna no jornal O Globo, o jornalista Bernardo Mello Franco aponta que o ministro Paulo Guedes é o principal responsável pelo apagão do INSS.  "Em junho passado, o ministro Paulo Guedes apresentou uma fórmula mágica para reduzir gastos. Ele informou que o governo deixaria de fazer concursos para substituir os servidores que se aposentam. No discurso de Guedes, a medida ajudaria o governo a equilibrar o caixa e alcançar o sonhado trilhão de reais. No mundo real, produziu um colapso administrativo e ressuscitou a fila do INSS", lembra o jornalista.


"Só no ano passado, o órgão perdeu mais de seis mil servidores. A debandada era prevista desde que a reforma da Previdência começou a tramitar no Congresso. Agora a falta de quadros é usada para justificar o apagão no atendimento. Quase dois milhões de brasileiros esperam respostas do INSS. Além dos pedidos de aposentadoria, estão parados processos de auxílio-doença, licença-maternidade e benefício de prestação continuada. Ontem Jair Bolsonaro anunciou a convocação de militares da reserva, que receberão adicional de 30%. Além de não resolver o problema, o presidente vai aproveitar a crise para fazer outro agrado à sua base eleitoral", pontua o colunista.



Fonte: Brasil 247

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Para não sofrer derrota no Congresso, governo pode recuar e elevar salário mínimo

O possível recuo do governo na recomposição do valor do salário mínimo foi tema de reunião do ministro da Economia, Paulo Guedes com sua equipe na volta ao trabalho após um período de férias de fim ano. O custo adicional deve ficar entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões.


O governo teme uma derrota política. A avaliação é que, se o governo não fizer o ajuste no salário mínimo para recompor a inflação passada, o próprio Congresso fará na volta dos trabalhos do Legislativo, informa O Estado de S.Paulo.



O salário mínimo foi fixado em R$ 1.039, com alta de 4,1%, abaixo do Índice Nacional de Preços (INPC) de 2019, de 4,48%, que serve como base para correção do salário mínimo. Se for dado o mesmo índice sobre o salário mínimo vigente em 2019, o valor subirá para R$ 1.042,71.


Fonte: Brasil 247

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Le Monde questiona retomada do crescimento econômico brasileiro: recuperação ou ilusão?

Edição do jornal francês Le Monde, datada de domingo (12) e segunda-feira (13), traz uma página inteira sobre se o Brasil estaria começando a se recuperar da crise econômica como alardeado pelo governo Jair Bolsonaro. "Para o economista Eduardo Fagnani, esse crescimento é 'uma ilusão total'". "A verdade é que ainda estamos em uma economia em crise", diz



Da RFI - A edição do jornal francês Le Monde, datada de domingo (12) e segunda-feira (13), traz uma página inteira sobre os primeiros indicadores verdes da economia brasileira e lança a questão sobre se o Brasil estaria, finalmente, começando a se recuperar da crise na qual está mergulhado pelo menos desde 2015. O tema divide economistas. Para Eduardo Fagnani, esse crescimento é “uma ilusão total”. 
“Em 3 de dezembro de 2019, Jair Bolsonaro não escondeu sua alegria. ‘Estamos no caminho certo!’, disse o chefe de Estado brasileiro, comemorando no Twitter os números positivos de crescimento do PIB divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ou seja: um aumento de 0,6% no PIB no terceiro trimestre, o mais forte registrado em um ano e meio, 0,2 ponto percentual acima do previsto pelos analistas”, escreve Le Monde.
O jornal cita os indicadores econômicos que estão em alta em 2020: o crescimento esperado em 2,2% neste ano, após 1,2% em 2019; inflação contida (3,5% para este ano); queda do desemprego (em 11,8%, um ponto a menos de 12 meses atrás) e o período de euforia da Bolsa de Valores de São Paulo, com um índice da Bovespa que ultrapassou a marca de 100.000 pontos pela primeira vez em sua história, terminando 2019 com uma alta espetacular de 35% em um ano.
Diante disso, Le Monde pergunta: “As ‘Bolsonomics’ - o nome dado às medidas econômicas adotadas pelo executivo – são eficazes?”. A questão divide economistas, acrescenta o correspondente do Le Monde no Rio de Janeiro, Bruno Meyerfeld, que assina o texto.
"Eu me oponho totalmente a esse governo no meio ambiente, na diplomacia, no tratamento das minorias... Mas, na economia, tenho que admitir que a linha é boa", observa Renato Fragelli Cardoso, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), citando, em particular, o mérito de duas medidas: a drástica redução dos gastos públicos (com um déficit reduzido pela metade em relação às previsões) e, sobretudo, a grande reforma previdenciária, adotada no final de outubro de 2019.

Mercado financeiro

A reforma, que estabelece pela primeira vez uma idade legal de partida, deve economizar R$ 800 bilhões em dez anos. Ele encantou os mercados financeiros. "Estamos esperando por essa reforma há 25 anos. Devolve credibilidade econômica ao Brasil. É um choque psicológico real ", disse Fragelli Cardoso ao Monde.
No entanto, nem todo mundo entende dessa maneira. "Esse crescimento é uma ilusão total: estamos apenas acompanhando a recessão de 2015-2016, período em que o PIB caiu 7,5%”, estima Eduardo Fagnani, professor de economia da Unicamp. “Além disso, o crescimento de 2% em um país em desenvolvimento como o Brasil é extremamente baixo. A verdade é que ainda estamos em uma economia em crise", diz o economista ao jornal francês. 
Apesar de um real baixo (a moeda perdeu quase 10% do seu valor em relação ao dólar em um ano), nem tudo vai bem na balança comercial. Em 2018, o país sofreu as consequências da crise vivida por seu vizinho argentino, um grande importador de produtos manufaturados. Como resultado, o superávit comercial de Brasília caiu quase 20% em 2019, para o nível mais baixo desde 2015, passando de US$ 52 bilhões em 2018 para US$ 42 bilhões.

Pobreza extrema

“Muitos investidores relutam em investir no Brasil do altamente imprevisível Bolsonaro”, diz Le Monde. “No total, € 3,3 bilhões de ativos detidos por estrangeiros foram vendidos e retirados dos mercados financeiros no Brasil em 2019, de acordo com dados da Bolsa de Valores de São Paulo. A decolagem do índice Bovespa seria, portanto, principalmente o trabalho de investidores locais”, explica.



Se o desemprego está em queda, escreve o Le Monde, o país continua sendo o campeão mundial da desigualdade: 1% da população monopoliza quase 30% da riqueza, de acordo com o "Relatório sobre desigualdades globais 2018". 
Em constante aumento desde 2015, a pobreza extrema atinge 13,5 milhões de cidadãos, que sobrevivem com menos de R$ 145 reais por mês. 
“Diante dessa situação muitas vezes crítica, o governo pensa apenas em implementar seu projeto ideológico ultraliberal que alimenta a desigualdade e não se preocupa com o padrão de vida da população", denuncia Eduardo Fagnani. 

Desafios para 2020

Para 2020, Guedes está pensando grande e planeja privatizar ou vender ações estatais em quase 300 empresas com recursos públicos (incluindo a muito emblemática gigante da produção elétrica Eletrobras), tudo com um ganho estimado de € 33 bilhões. O governo também planeja realizar várias reformas explosivas, incluindo uma simplificação tributária e outra ainda mais arriscada que afeta a estabilidade dos funcionários públicos.
“O jogo não vai ser fácil” para o ministro da economia Paulo Guedes, avalia Le Monde, lembrando que sua política é questionada por ministros ligados às Forças Armadas, com uma tradição mais estatista, e também pelo “influente e hábil” presidente da Câmara dos Deputados, o centrista Rodrigo Maia.
Além disso, destaca o jornal, em 2020, “a desaceleração global poderá pesar bastante sobre a economia brasileira, que é altamente dependente das exportações”. “De Brasília, observamos com ansiedade a guerra comercial sino-americana (os dois primeiros parceiros comerciais do país), mas também um possível confronto militar no Oriente Médio que provavelmente aumentará perigosamente o preço do petróleo.”



Fonte: Brasil 247

Fantástico chama empregados de aplicativos de “empreendedores” e apanha nas redes

Internautas acusam o programa de promover a chamada "glamourização" do trabalho precarizado


O Fantástico, programa da TV Globo, exibiu uma reportagem na noite deste domingo (12) sobre o uso de aplicativos e redes sociais por pessoas desempregadas como forma de obtenção de renda. O trabalhador informal é tratado na matéria como “empreendedor”, termo que gerou críticas nas redes sociais. Internautas acusam o programa de promover a chamada “glamourização” do trabalho precarizado.


Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelaram que 41% da população ocupada do país atua no mercado informal. O número de desempregados continua alto, beirando os 12 milhões, apesar da leve redução nos últimos meses.
No entanto, de acordo com a reportagem do Fantástico, o uso de redes sociais e aplicativos para o trabalho, como é o caso de motoristas de Uber e entregadores do iFood, nada mais é do que uma “reinvenção” talentosa de quem quer “melhorar o próprio negócio”, ignorando as jornadas exaustivas, o salário baixo e a falta de benefícios de quem recorre a esse mercado.


“O Fantástico quer convencer as pessoas de que trabalho precário e informalidade é sinônimo de empreendedorismo. Uma trabalhadora afirma: ‘A gente empreende desde que nasce. Eu também chamo isso de sobrevivência’. Não caiam nessa. Insegurança econômica não tem nada de glamoroso”, escreveu Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL.
To impressionado com essa matéria do Fantástico romantizando jovens ‘empreendedores’, na verdade isso é resultado do desemprego em massa que essa merda desse governo que vocês apoiaram não está resolvendo, trabalho intermitente e frila não é normal para uma economia sadia”, escreveu outro internauta.


O jornalista Murilo Ribeiro chamou atenção para o nervosismo do apresentador Tadeu Schmidt ao ler uma crítica à reportagem durante o programa. “Aí o Fantástico exibe uma matéria falando das maravilhas do ‘empreendedorismo’. Aí, depois, o Tadeu teve que ler esse esculacho do telespectador ao vivo. E se embolou todo. Que constrangimento!”, disse.

Fonte: Revista Fórum
Confira:


Aí o exibe uma matéria falando das maravilhas do “empreendedorismo”. Aí, depois, o Tadeu teve que ler esse esculacho do telespectador ao vivo. E se embolou todo. Que constrangimento!
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Planalto gastará R$ 343 mil com pneus de carros oficiais

Bolsonaro por meio do Palácio do Planalto, vai gastar mais de R$ 300 mil com pneus de carro para ele, Mourão e Ministros, segundo informações da coluna de Guilherme Amado, da Revista Época. Bolsonaro ainda fez piada com a notícia: “Por isso cancelei todas as assinaturas de jornais e revistas da Presidência”, escreveu Bolsonaro ao ironizar a notícia sobre a compra dos pneus.



O  Planalto abriu uma licitação para comprar mais de R$ 343 mil  para a compra de pneus novos para carros oficiais da Presidência da República. O edital prevê a compra de 474 pneus, com valores que variam entre R$ 207 a  R$ 1.822,00. As informações são da coluna de Guilherme Amado, da Revista Época.
Bolsonaro compartilhou a notícia da Revista Época e ironizou a notícia e a mídia:


“Que notícia fantástica! Por isso cancelei todas as assinaturas de jornais e revistas da Presidência”, escreveu Bolsonaro no Twitter. Segundo o texto do edital, a licitação servirá para substituir os “pneus desgastados ou danificados” dos veículos da Presidência.
O governo Bolsonaro decidiu no ano passado cancelar assinaturas do jornal Folha de São Paulo, deu sua justificativa, que era para “economizar”, mas a realidade é que era por causa de críticas ao governo.  Além de tudo ameaçou quem anunciava no jornal, empresários e outros.


Bolsonaro no entanto recuou e revogou a licitação que tirava o jornal Folha de São Paulo, das compras do governo.


A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e o PC do B haviam ingressado com ações na Justiça Federal contra o edital da Presidência.
Hoje foi a vez de Bolsonaro atacar a notícia que fala das compras de pneus:
- QUE NOTÍCIA FANTÁSTICA! Por isso cancelei TODAS as assinaturas de jornais e revistas da Presidência.
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O jornalista da Revista Época no entanto também respondeu a Bolsonaro por meio do Twitter. Ele lembrou que enquanto o governo corta da educação, da saúde e da área social, gasta com compra de pneus e lembra que a missão do jornalismo é mostrar o que é feito com o dinheiro público:


Por que noticiar compra de pneus para carros de luxo da Presidência da República é notícia? Porque é jogar luz do sol sobre as contas públicas de um governo que prega austeridade, corta da Educação, corta da Saúde. Isso é accountability, presidente. É jornalismo. É democracia.
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sábado, 11 de janeiro de 2020

Indústria terá desempenho negativo em 2019, 15% abaixo de 2013

O jornalista Luis Nassif destaca que "os últimos dados divulgados pelo IBGE, até novembro de 2019, apontam  para uma retração da indústria de 0,68% em relação a doze meses atrás, e de 1,25% em relação ao mês anterior".


"Das 28 seções analisadas pelo órgão, 18 caíram e apenas 10 registraram alta", reforça ele no Jornal GGN. "Em relação ao nível de novembro de 2013, o desempenho da indústria tem ficado sistematicamente abaixo. No momento, encontra-se mais de 15% abaixo".



Leia a íntegra no GGN

Inflação dos alimentos assusta e pode aumentar com crise Irã x EUA

Preços que já vinham aumentando, podem ter uma disparada diante da irresponsabilidade política de Bolsonaro em não se manter neutro


A alta no preço da carne, de 32% ao longo do ano, foi a principal polêmica do governo de Jair Bolsonaro nos últimos meses de 2019.
Mas não foi só a carne. Outros produtos tradicionais do dia a dia tiveram um aumento ainda superior, como é o caso do feijão e do alho. Informações foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo IBGE.
O feijão carioca subiu 56%, enquanto o alho teve alta de 33,5%. Os jogos de azar, também típicos no dia a dia de muitos brasileiros, ficaram 40,36% mais caros.
Com a crise entre o Irã e os EUA, aberta em consequência do assassinato do líder militar iraniano, Qasem Soleimani, em Bagdá, no dia 3 de janeiro, o quadro se complica ainda mais. Na última quarta-feira (8), o preço do petróleo voltou a disparar, após o ataque da Guarda Revolucionária do Irã a bases militares dos EUA no Iraque.
Segundo o índice da West Texas Intermediate (usado como referência por grande parte dos países do Ocidente), o valor do barril de petróleo naquela manhã saltou para 65,54 dólares, um aumento de 4,53%. O fato levou o governo federal e a Petrobras a reverem suas políticas de preços dos combustíveis para não repassarem a alta nos custos às bombas de gasolina e diesel.
Analistas econômicos de diversas tendências políticas afirmam, no entanto, que, a depender dos rumos da crise, é quase impossível que o preço dos combustíveis não aumente no Brasil. Como consequência direta, também é muito provável que a alta de preços de alimentos de maneira geral se acentue.
Mercados emergentes, como o brasileiro, tendem a ter fuga de investidores em momentos de crise como esta. Isto tudo sem contar que a perigosa posição de Bolsonaro diante do conflito, se posicionando imediatamente ao lado de Donald Trump, pode trazer sanções por parte do Irã, o que traria impactos em vários setores, inclusive no agronegócio. O Irã é o segundo maior comprador de milho e o quarto de carne brasileiros — itens que garantem rentabilidade e estabilidade aos produtores.
De acordo com estimativa de Romana Dovganyuk, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Irã, o Brasil corre o risco de perder cerca de US$ 1 bilhão em exportações para o Irã este ano, por ter apoiado publicamente os Estados Unidos.
Segundo ela, com o aumento das encomendas de produtos como milho, soja, carne bovina, café e outras commodities agrícolas, a balança comercial brasileira registraria um superávit recorde acima de US$ 3 bilhões em 2020. Isso significa que, ao contrário do que disse na semana passada o presidente Jair Bolsonaro, que iria manter o comércio com o Irã, haverá perdas econômico-comerciais por motivos políticos.

“Vamos perder mercado por causa de uma decisão política. Se o lado americano é mais confortável, o governo brasileiro deveria ser neutro nessa questão, e não tomar partido”, afirmou Romana ao GLOBO.
Fonte: Revista Fórum

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Queda abrupta revelada pela IBGE mostra que a situação da indústria brasileira nunca foi tão precária

Para professor Marco Antônio Rocha, da Unicamp, pesquisa do IBGE que mostra retração da indústria revela incapacidade de reação do setor e perspectiva de reversão do quadro é muito difícil

Por Eduardo Maretti, da Rede Brasil Atual – Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial brasileira caiu 1,2% em novembro, configurando o pior resultado para o mês de novembro desde 2015. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (9). A queda não é apenas episódica, apesar de o resultado interromper uma sequência de três altas seguidas, em agosto, setembro e outubro. A produção recuou 1,1% de janeiro a novembro; 1,3% em 12 meses; e 1,7% na comparação com novembro de 2018.



No período de outubro a novembro de 2019, os dados indicam queda em importantes segmentos industriais. Bens de consumo duráveis (-2,4%), bens intermediários (-1,5%), bens de capital (-1,3%) e bens de consumo semi e não duráveis (-0,5%).
Das dezesseis categorias pesquisadas, dez apresentaram queda, entre as quais se destacam veículos automotores (-4,4%), produtos alimentícios (-3,3%), indústria extrativa e máquinas e equipamentos (-1,6%). Tiveram desempenho positivo seis categorias, entre as quais impressão e produção de gravações (24%), derivados de petróleo e biocombustíveis (1,6%)  e produtos de borracha e material plástico (2,5%).
Para Marco Antonio Rocha, do Instituto de Economia da Unicamp, é preocupante o fato de a taxa de câmbio ter apresentado uma tendência a desvalorização durante todo o ano 2019, o que poderia ter fornecido algum alento para a produção industrial. Entretanto, isto não ocorreu. “Portanto, os dados preocupam, em primeiro lugar, porque sugerem certa incapacidade de reação da indústria nacional a uma mudança positiva nos preços relativos.”
Outras características dessa retração chamam a atenção. “Primeiramente, a retração foi bem mais intensa nos setores importantes como bens de consumo duráveis, indicando, pelo menos, uma disposição menor das famílias em consumir.”
Para Rocha, isto é sintomático do estado do mercado de trabalho. “A maior geração de empregos precários também se reflete em uma menor capacidade em comprometer renda com o financiamento de bens duráveis e, portanto, com certa incapacidade de recuperação do mercado doméstico.”


Chama a atenção, também, a queda acentuada em bens de capital e bens intermediários, dado que “representa a queda da demanda intraindustrial, isto é, uma queda na propensão da indústria em investir e adquirir insumos produtivos”.
Rocha destaca que esse dado é preocupante porque, geralmente, sugere uma continuação da tendência de queda da produção industrial. “Tudo isso indica a continuação de um cenário de semiestagnação pelo menos para o curto e médio prazo na economia brasileira.”
Crise crônica
A crise industrial brasileira não passa por momento difícil apenas recentemente. “A crise é crônica desde a década de 1990”, diz. Segundo ele, essa crise se relaciona com a incapacidade do país de “assimilar o paradigma da microeletrônica e os efeitos decorrentes disso em termos de assimilação e difusão das novas tecnologias, além da incapacidade do Estado brasileiro em reorganizar um projeto industrialista para além do modelo esgotado na década de 1970”.


Para piorar o quadro, em sua análise, “os poucos mecanismos de proteção à indústria nacional reativados nos anos 2000 foram praticamente desmontados ou demonizados a partir do governo de Michel Temer e, depois, na recém-iniciada era Bolsonaro”.
A constatação é de que o Brasil está cada vez mais distante da conjuntura internacional, aponta o economista da Unicamp. “Hoje, é ponto pacífico que as economias desenvolvidas estão retomando as políticas industriais de grande porte. Enquanto isso, desmontamos nossos mecanismos de fomento.”
O Brasil não tem sequer empresas preparadas à assimilação do próximo paradigma tecnológico: a indústria 4.0.  “A situação da indústria brasileira nunca foi tão grave.”
Diante desse cenário, avalia Marco Antonio Rocha, a perspectiva de reversão do quadro é muito difícil, mesmo se houver uma mudança significativa da conjuntura econômica internacional, cenário que, segundo ele, não parece muito provável.
Assim, o esvaziamento da industrial nacional deixou o complexo industrial brasileiro com pouca capacidade de sustentar um ciclo de crescimento. “Qualquer retomada do crescimento econômico, nessa situação, teria como paralelo o ressurgimento de déficits comerciais. Tudo vai depender muito da conjuntura internacional durante 2020.”
Para o economista, pode haver outras fontes de crescimento para a economia brasileira durante 2020, como o investimento em construção civil, por exemplo, mas há uma questão importante: “como um impulso de demanda poderá se sustentar diante de um processo adiantado de desindustrialização?”
“Caso o câmbio continue nesse patamar (hoje, o dólar oscila pouco acima de R$ 4), a indústria pode até reagir, mas acho difícil que, sem a mudança da conjuntura internacional, estímulos internos e demanda possam garantir um ciclo de crescimento a partir do que sobrou da indústria nacional.”


Fonte: Brasil 247