GOLPE DURO PARA BURGUESADA: Lula foi capa do maior jornal francês e Papa Francisco se manifestou

A carta de Lula, direto da prisão, foi capa de destaque do mais importante jornal francês, o Le Monde.

Rússia e China: pesadelo dos EUA se torna realidade

A nova política dos EUA em relação à China está levando à aproximação entre Moscou e Pequim, comenta o analista russo Timofei Bordachev.

URGENTE: Lava Jato pode ter fraudado documentos para incriminar Lula; CONFIRA CÓPIAS!

Surgem novos documentos que podem comprovar o que declarou o deputado Sibá em um encontro realizado no último sábado (5).

Lula preso sem provas, Paulo Preto ''com cem milhões" solto. Justiça?

Se alguém do campo progressista ainda tinha dúvidas sobre o posicionamento político do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram relembrados nesta sexta-feira, 11.

Engenheiros da Petrobrás dizem que política de preços de combustíveis beneficia grupos estrangeiros

A AEPET reafirma o que foi expresso no Editorial “Política de preços de Temer e Parente é ‘America First!’ “, de dezembro de 2017.

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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Efeito Bolsonaro: turismo estrangeiro no Brasil recua 5%

Não adiantou dispensar unilateralmente o visto para turistas norte-americanos. Ou o ministro da pasta se comportar como o Tatoo da Ilha da Fantasia na recepção da primeira leva de visitantes dos Estados Unidos dispensados da burocracia. Ou Jair Bolsonaro oferecer as mulheres brasileiras aos ávidos estrangeiros em busca de sexo. No primeiro semestre deste ano, informa a Organização Mundial do Turismo, os viajantes internacionais fugiram do Brasil. A queda no número de visitantes foi de 5% em relação ao mesmo período do ano passado, dado que fica pior quando comparado à alta de 4% no geral e 8% no Oriente Médio. Dentre as regiões e subregiões, só a América Latina registrou recuo.


O quanto da péssima imagem do País teria pesado neste resultado? Bolsonaro, sabe-se, não é um mandatário querido mundo afora. Suas diatribes contra líderes internacionais, os sucessivos micos, a destruição da Amazônia e o obscurantismo das políticas para educação e ciência horrorizam o planeta, do nascente ao poente, da Antártida ao Círculo Ártico. Não bastasse, o presidente esforça-se particularmente para atrapalhar o turismo, caso de suas declarações contra visitantes LGBTs, responsáveis por movimentar bilhões de dólares no setor. “O Brasil não pode ser um país do mundo gay, do turismo gay. Temos famílias”, declarou em abril.


Leia mais na Carta Capital

Bolsonaro propõe cobrar 0,4% para saques e depósitos em dinheiro

O governo planeja em sua proposta de reforma tributária que saques e depósitos em dinheiro sejam taxados com uma alíquota inicial de 0,4%. A cobrança integra a ideia do imposto sobre pagamentos, que vem sendo comparado à antiga CPMF.


Já para pagamentos no débito e no crédito, a alíquota inicial estudada é de 0,2% (para cada lado da operação, pagador e recebedor).

Ambas as taxas tendem a crescer após serem criadas, já que ideia do governo é usar o novo imposto para substituir gradualmente a tributação sobre os salários, considerada pela equipe econômica como nociva para a geração de empregos no país.




Marcelo de Sousa Silva, secretário especial adjunto da Receita Federal, defendeu a contribuição nesta terça-feira (10) no Fórum Nacional Tributário (promovido pelo sindicato dos auditores fiscais, em Brasília), ao ressaltar que o instrumento substituiria tanto a tributação sobre a folha como o IOF.

"Estamos ano a ano com uma regressão percentual de pessoas empregadas formalmente. E isso não pode ficar de fora da reforma tributária, porque o impacto mais significativo [para o emprego] talvez seja a desoneração sobre folha. Dentre todos os tributos no nosso ordenamento jurídico a tributação sobre folha é o mais perverso para a geração de empregos", afirmou.

Apesar de o governo rechaçar a semelhança com a antiga CPMF, ele próprio acabou fazendo a comparação ao mostrar um gráfico com o histórico relativamente estável das alíquotas de CPMF ao longo dos anos em que vigorou, o que representaria uma previsibilidade para a contribuição.

Silva afirmou que, com a substituição da tributação sobre folha de pagamentos pelo novo imposto, a seguridade social acabaria sendo bancada pela população como um todo. “Estamos transferindo o ônus para toda a sociedade”, afirmou. Ele ressaltou logo em seguida que a reforma vai propor, por outro lado, benefícios como ampliação da faixa de isenções e reembolso de impostos à baixa renda.


O presidente Jair Bolsonaro já havia afirmado neste mês à Folha que a recriação de um imposto nos moldes da antiga CPMF deve ser condicionada a uma compensação para a população. "Já falei para o Guedes: para ter nova CPMF, tem que ter uma compensação para as pessoas. Se não, ele vai tomar porrada até de mim", disse o presidente.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta terça-feira (10) que tema tem muita dificuldade de andar na Câmara e que estava esperando a formalização da proposta.

"A CPMF tem pouco apoio entre aqueles que conhecem a questão tributária, não sei se esse é o melhor caminho para você resolver os custos com mão de obra", afirmou. "Nós entendemos a preocupação do governo. Acho que a intenção está correta, mas não sei se a fórmula é a melhor."

As mudanças devem integrar a proposta de reforma tributária sendo elaborada pela equipe econômica e que deve ser enviada ao Congresso. O plano do governo está dividido em três pernas. Uma é justamente a criação do imposto sobre pagamentos. Outra é a junção de diferentes impostos federais em um único tributo sobre bens e serviços. E a terceira são as mudanças no imposto de renda.



Segundo Silva, as propostas para o imposto de renda devem ser concluídas pela equipe econômica ainda nesta semana. Pela proposta, o Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas (IRPJ) deve diminuir de 34% para um percentual entre 20% e 25%.

No caso do Imposto de Renda sobre Pessoas Físicas (IRPF), o governo planeja aumentar a base tributária (ou seja, o número de pagadores de impostos) entre os mais ricos. De acordo com o secretário, isso será alcançado com a própria tributação de dividendos, criação de um limite para benefícios de portadores de moléstias graves redução de descontos e revisão sobre aplicações financeiras.

Com as mudanças no imposto de renda, o governo defende que haverá a correção de um problema existente hoje, quando a curva da chamada alíquota efetiva (o percentual em impostos realmente cobrado do contribuinte) cresce até determinada faixa salarial e depois começa a cair entre os mais ricos. "Temos que fazer a curva continuar até as altas rendas. Hoje [a arrecadação] está concentrada nas primeiras faixas", disse.

O secretário ainda indicou que a fusão de impostos deve começar apenas com a junção de PIS e Cofins, que virariam a Contribuição sobre Bens e Serviços. A alíquota proposta será de 11%.



Fonte: Folha de São Paulo

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Com corte de 87%, CNPQ terá menos verba do que as passagens aéreas de deputados em 2020

Configurando um verdadeiro salto em ataques na produção do conhecimento no Brasil, o governo Bolsonaro cortará 87% no orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do ano que vem. Para 2020, o órgão, responsável por fomentar a pesquisa científica, receberá R$ 16,5 milhões de orçamento destinado a financiar materiais de trabalho, equipamentos, insumos etc. O valor atual orçamentário para o CNPq é de 127 milhões, que os especialistas e pesquisadores já consideram um valor abaixo das necessidades de pesquisa no país.
O corte revela as prioridades do governo Bolsonaro, assim como do Congresso e do Judiciário. Afinal, só nos dois primeiros meses de 2019, foram gastos R$ 3.3 milhões com passagens e transporte pagos para Deputados Federais, segundo levantamento da plataforma Ranking dos Políticos.
Se pegarmos este valor, e multiplicarmos por 6, totalizando os 12 meses do ano, chegamos no total de R$ 19,8 milhões de reais gastos com passagens aéreas e transporte, somente uma parte pequena da verba dos deputados federais, que já ultrapassa aquilo destinado à pesquisa científica no Brasil.
E já para a casta de juízes e desembargadores do judiciário, no ano passado chegou-se a estipular gastos com auxílio-moradia no valor de R$ 900 milhões.

Os laboratórios estarão se precarizando conforme as pesquisas param, parte de um projeto de país aonde não se há desenvolvimento científico ou técnico. Bolsonaro e seus ruralistas querem transformar o Brasil no "terreno baldio" do mundo, e os ataques à ciência se ligam diretamente, por isso, às queimadas na Amazônia, às censuras nos debates de gênero e sexualidade, às ligações de figurões do governo com o ocultismo, com as teorias anticientíficas como o "negacionismo" do aquecimento global ou mesmo o terraplanismo.
A proposta orçamentária para as bolsas do CNPq em 2020 é de R$ 962 milhões, dezenas de milhões abaixo do custo total anual da folha de pagamento das, cerca R$ 1 bilhão. Até o presente momento, de R$ 785 milhões, só se pagou as bolsas até agosto, e o pagamento das próximas bolsas do ano está completamente incerto. O CNPq aguarda uma liberação emergencial de R$ 330 milhões para continuar pagando as bolsas. São mais de 84 mil pesquisadores que não sabem se terão suas bolsas garantidas para seu sustento, não sabem se poderão dar continuidade às pesquisas científicas e nem sabem qual será o futuro de seus laboratórios com esse novo orçamento previsto.

Fonte: Esquerda Diário

Conselho Nacional do Ministério Público pode abrir terceiro processo disciplinar contra Deltan

Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato de Curitiba, está no alvo de mais um debate no Conselho Nacional do Ministério Público. Um terceiro processo disciplinar pode ser aberto contra o procurador

Nesta terça-feira (10), o corregedor Orlando Rochadel deve liberar seu entendimento sobre o recurso do senador Renan Calheiros (MDB-AL) contra Deltan. 


Há fortes chances de que um terceiro processo disciplinar seja aberto contra ele.  
Renan acusa Deltan de ter usado suas redes sociais para atacá-lo e influenciar a eleição de presidente do Senado.  
As informações são da coluna Painel da Folha de S.Paulo

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Procurador que reclamou de salário “miserê” de R$ 24 mil recebeu R$ 64 mil em julho

Nos últimos três meses, o procurador embolsou um salário acima de R$ 60 mil

O procurador Leonardo Azeredo dos Santos, que considerou que vai “virar pedinte” por receber um salário de R$ 24 mil, embolsou cerca de R$ 64 mil apenas no mês julho, contando seu salário líquido e penduricalhos. Dos Santos reclama do valor durante uma gravação publicada no site do próprio Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG).


Segundo o Portal da Transparência do MP-MG, Leonardo dos Santos recebeu R$ 23.803,50 líquidos, R$ 9.008,30 em indenizações e outros R$ 32.341,19 que constam como “Outras Remunerações Retroativas/Temporárias”. As indenizações incluem auxílio-alimentação, auxílio-transporte, auxílio-moradia, ajuda de custo e outros dessa natureza, enquanto as “outras remunerações” tratam-se de adicionais de insalubridade ou de periculosidade, adicional noturno, serviço extraordinário, substituição de função e cumulações.
Em maio, o valor também foi de R$64 mil, apesar de constar uma variação nos valores de indenizações e “outros”. Já em Junho, o procurador recebeu  R$ 78 mil, devido ao débito de metade do 13º. Sem ele, o valor cairia para aproximadamente R$ 63 mil, demonstrando uma constância nos “extras”.


Dos Santos é membro da Câmara de Procuradores de Justiça desde fevereiro desse ano e ocupa o posto até o fim de 2020.
Procurado pela Fórum, o Ministério Público não respondeu aos questionamentos da reportagem e enviou uma nota destacando que o MP-MG “vem tomando medidas de austeridade para aumentar a eficiência administrativa e reduzir os gastos, principalmente com pessoal”.


Confira a nota do MP-MG sobre o caso:
Em relação à 5ª sessão extraordinária da Câmara de Procuradores, realizada no dia 12 de agosto, para discussão da proposta orçamentária para 2020, na qual houve manifestação de cunho pessoal de um dos integrantes do colegiado sobre a política remuneratória da instituição, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informa que não há nenhum projeto em andamento sobre a adoção de benefícios pecuniários para a carreira de membros (procuradores e promotores de Justiça) ou de servidores, em vista da grave crise financeira vivenciada pelo estado e da necessidade de observação da Lei de Responsabilidade Fiscal para gastos com pessoal.

Fonte: Revista Fórum

domingo, 8 de setembro de 2019

A gigantesca pedalada orçamentária de Guedes

Por José Carlos de Assis  

Um governo decente deveria atacar também o estoque da dívida, acumulado durante décadas de expropriação de recursos da sociedade e do Estado sob patrocínio do Banco Central

Deputados e senadores que aprovaram a reforma da Previdência se convenceram de que isso era necessário porque o Brasil está quebrado, e por isso precisa equilibrar suas contas mesmo que com grande sacrifício. Uns poucos deles tem boa fé. Outros, má fé. Parte é desinformada. Mas um grande número foi na onda do governo, que inventou o número mágico de um trilhão de reais como sendo o déficit previdenciário que é preciso que seja coberto em dez anos.
Esse dinheiro sairá do bolso de quem já está aposentado ou obtendo pensões, e dos que ainda vão se aposentar ou se tornar pensionistas, além de outros beneficiários da Seguridade. Em síntese, será uma expropriação de trabalhadores mais pobres e mais necessitados, na sua fase final de vida. Mas não quero tratar disso do ponto de vista moral. Quero tratar do ponto de vista estritamente técnico, financeiro, a partir dos grandes números do orçamento federal.
Primeiro precisamos distinguir entre orçamento nominal e orçamento primário. O orçamento nominal, que é o orçamento global, inclui todas as contas do governo, tudo aquilo que o governo recebe e paga num ano por conta da compra de bens e serviços, e do pagamento do serviço da dívida pública (juros e amortização). Já o orçamento primário apresenta os pagamentos e recebimentos do governo, porém sem incluir o serviço da dívida pública. 
Observa que já nisso tem uma malandragem. Por que separar o orçamento primário do orçamento nominal? Essa separação remonta aos anos 80, em plena crise da dívida externa. Por força de juros externos astronômicos, nossa conta de juros e amortização tornou-se impagável. Se o serviço da dívida fosse apresentado junto com o orçamento primário, ficaria evidente que não tínhamos como pagar, independentemente de ajuste fiscal. O conceito de orçamento primário ajudou o governo a escolher onde cortar na hora do ajuste fiscal.
A novela da dívida externa seguiu um curso tortuoso: virtual quebra em 1982, embromação altamente onerosa durante 12 anos, acordo em 1994 com um desconto de 30 a 40%. Aí pudemos começar a pagá-la com saldos comerciais (dólares). Acontece que ao longo do processo de acumulação da dívida externa o Banco Central fez uma dívida interna paralela para “controlar” a inflação. Nesse caso não houve acordo. E o BC tem pago religiosamente.
Vamos em números agora, para avaliar se os parlamentares que votaram na reforma previdenciária porque é preciso tirar o Brasil da condição de quebrado tem razão. O orçamento geral da União em 2018 foi de R$ 2,6 trilhões. A principal responsabilidade que o Estado tem com a cidadania é atender a suas demandas sociais mais fundamentais, a saber, previdência, saúde e assistência, englobadas no conceito de seguridade social.
A conta da seguridade, em 2018, chegou a R$ 816 bilhões. Alta?, certamente que não. Nem em termos absolutos, nem em termos relativos. É que temos um país gigantesco com 211 milhões de habitantes, a maioria pobre, dependente dos sistemas de saúde, previdência e assistência; e um PIB de cerca de R$ 8 trilhões. Mas ao lado disso, inacreditavelmente, estamos pagando no mesmo ano a esmagadora quantia de R$ 1 trilhão 651 bilhões de juros e de rolagem de amortização, praticamente o dobro da despesa de seguridade. Acaso este é um país quebrado?
Considerando que o governo, como regra, não paga amortização da dívida, mas rola, não há muito o que preocupar com o estoque dela, a não ser no contexto de uma auditoria. Isso significa que o maior impacto do endividamento é em relação aos juros. Se a taxa de juros for reduzida para níveis internacionais, a conta cairia drasticamente, arrastando para baixo o serviço da dívida e abrindo espaço para financiamento decente da seguridade sem o achaque do trilhão. E tudo isso sem apelar para a pedalada fiscal preventiva de R$ 248 bilhões que Paulo Guedes impôs ao Congresso a título de autorização de aumento da dívida. 
Mas um governo decente deveria atacar também o estoque da dívida, acumulado durante décadas de expropriação de recursos da sociedade e do Estado sob patrocínio do Banco Central privatizado: seguiria as recomendações dos especialistas em dívida pública Maria Lucia Fatorelli e Paulo Lindsey, grandes heróis nessa empreitada, e realizaria imediatamente uma auditoria da dívida pública interna.  

Fonte: Brasil 247

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Bolsonaro corta 38% da verba de monitoramento do INPE

Em meio à pior crise de queimadas na Amazônia dos últimos anos, o governo não acrescentou nem R$ 1 ao orçamento para monitoramento de risco de incêndios e de cobertura da terra feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e ainda deixou suscetíveis às negociações com o Congresso quase 38% do valor destinado à ação em 2020.


O monitoramento é feito por sistemas de satélite do Inpe, que identificam os incêndios na região amazônica e informam a localização dos focos de queimadas para as autoridades fiscalizadoras.

No ano que vem, o orçamento para a ação será de R$ 2,01 milhões. Além disso, um adicional de R$ 1,21 milhão foi incluído na programação de crédito suplementar sujeito à aprovação parlamentar, totalizando R$ 3,22 milhões. Os dados constam no projeto de lei orçamentária para 2020, apresentado ao Congresso na última sexta-feira (30).


Como comparação, em 2019 o governo pediu e o Congresso autorizou os mesmos R$ 3,22 milhões para o monitoramento feito pelos sistemas do Inpe, mas sem incluir nada no projeto de crédito extra submetido ao Congresso.


Ao fatiar o orçamento do programa de monitoramento em 2020, o Executivo busca cumprir a regra de ouro, que impede o governo de se endividar para pagar despesas correntes, como salários e aposentadoria. Mas, ao mesmo tempo, compartilha com o Legislativo a responsabilidade de prevenir crises ambientais como a atual, que ganhou repercussão internacional pela maneira com que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) respondeu às críticas de líderes europeus.

O maior foco de atrito na crise ocorreu entre o presidente brasileiro e Emmanuel Macron, presidente da França.

Bolsonaro chegou a ofender a primeira-dama francesa e a negar auxílio financeiro do G7, chamando-o de “esmola”.


Há, ainda, incentivos para pressionar os parlamentares a liberarem o crédito extra, que inclui recursos para o fundo partidário em ano eleitoral. Na prática, o R$ 1,21 milhão só estará disponível a partir da aprovação pelo Legislativo —o recurso suplementar deste ano foi aprovado pelos parlamentares só em junho.

Relator do Orçamento de 2020, o deputado Domingos Neto (PSD-CE) vê com preocupação o corte nas ações ambientais, especificamente no dinheiro para monitoramento das queimadas.

“Não são cortes tão graves como em outras áreas, mas, num ambiente onde já tem pouco, fazem mais falta”, disse Neto, que afirmou que vai discutir com o governo alternativas de suplementação no OGU (Orçamento Geral da União).

Neste ano, os valores pagos com monitoramento de queimadas já registram brusca queda em relação a 2018.

Levantamento do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) constatou que, nos sete primeiros meses de 2019, os gastos do governo com a ação caíram 67% em relação aos sete primeiros meses de 2018, para R$ 415.622. Desde então, ficou praticamente estável: até o último dia 3, estava em R$ 419.865.

O Inpe, subordinado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, foi alvo de ataques de Bolsonaro e de Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente.

Em julho, o presidente brasileiro chamou de “mentirosos” os dados apontados pelo Deter, sistema de detecção do Inpe, enquanto Salles qualificou de “sensacionalistas” os percentuais de desmatamento medidos pelo instituto.


Ao ser questionado sobre o aumento no desmatamento, segundo dados do Deter —programa do Inpe destinado a alertas de desmate, para basear ações do Ibama—, Bolsonaro também sugeriu que o então diretor do Inpe, Ricardo Galvão, poderia estar a “serviço de alguma ONG”.

Galvão respondeu aos ataques e acabou exonerado por Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia, no dia 2 de agosto;

Salles também anunciou a intenção de contratar a Planet, empresa que fornece imagens de satélites com resolução maior e maior frequência do que o Inpe. O chamamento público para a contratação foi aberto no dia 21 de agosto.

Especialistas e o ex-diretor do Inpe contestam a decisão do ministro. “Desde janeiro, o ministro anunciou que quer contratar essa empresa para fazer o serviço que o Estado já faz de maneira exemplar. O Estado tem que ter controle sobre os produtos de monitoramento ambiental que vão servir de base para as políticas públicas brasileiras”, afirma o pesquisador Paulo Artaxo, professor da USP (Universidade de São Paulo).

As vantagens da Planet também são questionadas. O Deter é capaz de identificar desmates superiores a três hectares e a atualização ocorre a cada cinco dias. A Planet tem resolução de três metros e frequência diária. Segundo especialistas, a média histórica de desmatamento no país é de cerca de seis hectares, ou seja, captável pelo Deter. A maior resolução só faria sentido se acompanhada de maior fiscalização dos locais onde o desmatamento está ocorrendo, o que já não acontece hoje.

O Deter foi criado durante a gestão de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente, em 2004. A ideia era conter o desmatamento enquanto ele ainda ocorria. Desde então, a destruição caiu de 19.014 km² em 2005 para 4.571 km² em 2012 —ano a partir do qual iniciou-se uma leve tendência de aumento no desmate.

Para Gilberto Câmara, ex-diretor do Inpe e atual responsável pelo secretariado do GEO (Grupo de Observações da Terra), a qualidade dos dados do instituto não pode ser questionada. “Digo isso como diretor do GEO, que trabalha com mais de 100 países. Posso dizer com tranquilidade que não existe país que tenha um sistema de monitoramento com a qualidade e regularidade que o Inpe tem.”

Ele defende ainda o investimento em ciência e tecnologia como cruciais ao crescimento do país. “O preço de não ter informação do Inpe é a ignorância. É muito cara a ignorância. O orçamento para monitoramento de queimadas é de R$ 2 milhões. Isso não é nada para você ter uma informação com a qualidade fornecida pelo Inpe.”


Fonte: Blog da Cidadania

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

150 milhões de litros de Etanol livres de imposto: o preço que Bolsonaro pagou a Trump pelo apoio ao seu filho em embaixada

A entrada de mais etanol proveniente dos Estados Unidos sem taxação, anunciada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), tem um interesse extremamente político e visa render um emprego ao filho do ex-capitão do Exército, avaliou um deputado da oposição ouvido pela Sputnik Brasil.


Na opinião do parlamentar Ênio Verri (PT-PR), a decisão do Brasil de aumentar de 600 milhões para 750 milhões de litros o volume de etanol que pode entrar no país sem taxação extra de 20% representa prejuízos para a economia brasileira, e reforça a subserviência de Bolsonaro à administração de Donald Trump.

"Na medida que o Brasil deixa de cobrar essa sobretaxa sobre a importação desse produto, nós abrimos mão de receita, no momento em que o Brasil passa por uma crise gigantesca, inclusive com dificuldades de pagar contas básicas de água e luz do Estado brasileiro. O governo Bolsonaro iniciou os cortes de bolsas de estudo, nos levando a um atraso tecnológico ainda maior que o seu governo já tem feito", analisou Verri.



O deputado de oposição, que também é professor da Faculdade de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), pontuou ainda que a ampliação da oferta de etanol no mercado brasileiro, que é autossuficiente do produto, tende a trazer problemas para os produtores nacionais no curto, médio e longo prazo.

"Lá [nos EUA], como o etanol acaba tendo um certo subsídio acaba ficando mais barato do que o nosso. Por isso é que foi criada essa sobretaxa, ou imposto de importação, para que esse etanol americano chegue aqui a um preço maior do que aquilo que produzimos no Brasil. Hoje nós temos muitas usinas de produção de açúcar e álcool, que estão com parte da sua produção estocada, trabalhando em meio período porque tem mais produção do que consumo, parte por problemas internacionais e parte porque a demanda interna tem caído muito por conta da recessão que estamos vivendo", declarou o petista.

A concessão feita pelo Brasil aos EUA foi comemorada por Trump em suas redes sociais no início da semana. Contudo, Washington ainda não deu garantias de que fará concessões ao setor açucareiro brasileiro, o que para Verri amplia a ideia de que tudo não passa de um movimento em favor do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do mandatário brasileiro.


"Essa subordinação leva com que o país tenha prejuízos muito grandes. Eu diria que é um momento triste para o povo brasileiro, ter um presidente desse que abre mão de recursos em momento tão grande que vivemos em troca de, literalmente, de um emprego para o filho", criticou, referindo-se à indicação de Eduardo para o posto de embaixador do Brasil nos EUA, que ainda precisará ser avalizada pelo Senado.

Outro problema é a mensagem que o Brasil passa com mais esse episódio que, de acordo com Verri, consolida perante os demais países do mundo, o alinhamento automático de Bolsonaro ao governo Trump – algo que pode gerar novos prejuízos em breve aos brasileiros.

"Nós fechamos um acordo entre União Europeia e Mercosul, no qual o Brasil tem um papel muito importante, mas ao invés de mantermos as relações transparentes e muito bem definidas, nós fazemos um acordo com a Europa e nos subordinamos aos EUA. Isso não é bom, isso pode prejudicar outros acordos internacionais que porventura estejamos construindo neste momento, mas de maneira muito pragmática e olhando a questão conjuntural apenas, o prejuízo maior é financeiro. De imediato, nós vamos ter grandes prejuízos e isso é muito ruim para o país", explicou.


Fonte: Sputnik

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Bolsonaro corta verbas de todos os programas sociais no orçamento de 2020

Na sua primeira proposta de orçamento, o governo Bolsonaro passou a tesoura nos programas sociais atingindo em cheio as populações mais pobres do Brasil.

A maior tesourada foi no programa Minha Casa Minha Vida. Dos R$ 4,6 bilhões de 2019, somente R$ 2,7 bilhões estão previstos para o ano que vem.

A proposta de Orçamento afeta também o Bolsa Família, o Fies, o abono salarial, entre outros programas.


Talvez Bolsonaro encontre dificuldade em aprovar no congresso medidas tão duras. Mas daí basta abrir os cofres e comprar os deputados com emendas.



Fonte: Blog do Esmael

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Para favorecer Trump, Bolsonaro libera etanol dos EUA e prejudica produtor brasileiro

Em mais um gesto de submissão a Donald Trump, o governo Jair Bolsonaro aumentou a cota de importação de etanol isenta da tarifa de 20% de 600 milhões de litros para 750 milhões de litros por um ano. A medida deve significar R$ 270 milhões em renúncia fiscal


SÃO PAULO (Reuters) - O governo brasileiro elevou para 750 milhões de litros, ante 600 milhões anteriormente, uma cota para importações anuais de etanol sem tarifa, que vigorará por 12 meses, segundo publicação no Diário Oficial da União durante o final de semana.


As importações ficam limitadas a 187,5 milhões de litros por trimestre, segundo portaria do Ministério da Economia e da Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais.
A medida, que deve favorecer principalmente os Estados Unidos, principais exportadores de etanol para o Brasil, veio após reunião do presidente norte-americano Donald Trump com o chanceler brasileiro Eduardo Araújo e o deputado federal Eduardo Bolsonaro, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir a embaixada do país em Washington.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que anteriormente chegou a defender o fim das importações sem tarifa, disse em nota que viu “uma grande vitória do governo brasileiro” na nova cota, uma vez que havia pressões pela liberalização total do mercado, com taxa zero para qualquer volume.
A associação citou “meses de tensão” antes do resultado das negociações e disse que o acordo final “demonstra firmeza do Brasil”, uma vez que estabeleceu “condições para um incremento futuro do comércio bilateral de etanol”.
No final de julho, a Unica defendeu que manter qualquer facilidade para importações favoreceria os Estados Unidos e prejudicaria a indústria de cana do Brasil, que havia se preparado para o final da cota para importações.

O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre a decisão em relação à cota de importações, mas segundo a Unica o novo limite foi estabelecido após negociações lideradas pela ministra da Agricultura, Teresa Cristina, com respaldo do presidente Jair Bolsonaro.
CONTRAPARTIDA
Segundo a Unica, as condições em troca da cota envolveriam “abertura do mercado americano de açúcar, um dos mais protegidos do mundo, e a implementação efetiva do E15 (mistura de 15% de etanol na gasolina, versus os 10% atuais) nos Estados Unidos”. A associação, no entanto, não cita prazos para essas medidas.


A Unica disse que o tom proposto para as negociações pelo Ministério da Agricultura foi adotado por membros da equipe econômica, como o ministro da Economia, Paulo Guedes, e transmitido ao governo norte-americano pelo chanceler brasileiro Ernesto Araújo em “encontro que contou com a presença e influência de Eduardo Bolsonaro”.
O filho do presidente Bolsonaro teve a indicação para a embaixada em Washington elogiada por Trump, mas a nomeação ainda não foi submetida ao Senado Federal.
Apesar da elevação da cota para importações, uma associação de produtores de biocombustíveis dos Estados Unidos criticou a decisão do governo brasileiro, que definiu como “desapontadora” porque “mantem barreira comercial protecionista contra o etanol dos EUA”.
"A simbólica elevação da cota não ajuda em nada os consumidores brasileiros que enfrentam preços mais altos de combustíveis por causa da política discriminatória do Brasil”, disse em nota a Renewable Fuels Association (RFA).

Fonte: Brasil 247

domingo, 1 de setembro de 2019

Nos EUA, Eduardo Bolsonaro paga US$ 1 mil em almoço e foge pela cozinha para escapar da imprensa

Conforme um dos funcionários do restaurante, Eduardo afirmou que era “filho do presidente do Brasil” para justificar o uso da saída alternativa

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), que deve ser o próximo embaixador brasileiro em Washington, nos Estados Unidos, esteve na última semana em viagem à capital norte-americana.
De prático a viagem não trouxe nada para o Brasil. No entanto, o filho do presidente tentou uma selfie com Donald Trump e gastou US$ 1 mil, o equivalente a R$ 4.150,00, em um almoço.


De acordo com reportagem da Folha de São Paulo, das 33 horas em que passou em Washington, a comitiva de Eduardo ficou duas na Casa Branca, em conversas com integrantes do Conselho de Segurança Nacional dos EUA e à espera do encontro com Trump.
Passeios
O restante do tempo, Eduardo, seus auxiliares e Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, passearam e almoçaram em uma sala reservada de um dos restaurantes à beira do canal que leva ao rio Potomac.


Ao final, saíram pela porta da cozinha, nos fundos, com o objetivo de despistar os jornalistas. Conforme um dos funcionários do local, Eduardo afirmou que era “filho do presidente do Brasil” para justificar o uso da saída alternativa.


Fonte: Revista Fórum

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Boicote por crise dos incêndios na Amazônia chega ao mercado financeiro e acende alerta

Banco nórdico, Nordea, suspende compras de títulos do Governo brasileiro por incêndios. Onda de queimadas provoca cautela diante dos fundos que levam em conta práticas ambientais, sociais e de governança, que estão em alta


Os reflexos da crise ambiental desencadeada pelo aumento das queimadas na Amazônia chegou nesta semana ao mercado financeiro. O Nordea, o maior banco dos países nórdicos, afirmou que decidiu suspender as compras de títulos do Governo brasileiro, devido a preocupação com as respostas do Governo de Jair Bolsonaro dadas até agora aos incêndios na Amazônia. Banco nórdico, Nordea, suspende compras de títulos do Governo brasileiro devido ao aumento de incêndios.


A instituição financeira sediada em Helsinque, na capital da Finlândia, informou que está adotando uma "quarentena temporária" para a compra de bônus brasileiros denominados em dólar e real. "O que significa que não há compras adicionais e apenas ações potenciais de venda", afirmou à agência Reuters Thede Ruest, chefe de dívida dos mercados emergentes do Nordea. “Se avaliarmos desenvolvimentos positivos, podemos suspender a quarentena antes de uma data definida – igualmente se a situação piorar, talvez tenhamos que excluir os títulos do Governo brasileiro do nosso universo”, acrescentou. A Nordea Asset Management disse que sua exposição atual a esses títulos do Brasil é de aproximadamente 100 milhões de euros.
A decisão do banco nórdico é um alerta de que a questão ambiental ainda pode trazer implicações maiores ao Brasil, segundo o economista Lívio Ribeiro, da Fundação Getúlio Vargas. "Essa gestora é muito grande e o tema é bastante relevante, um sinal importante. Se esse episódio do Nordea for replicado, ele pode trazer implicações negativas importantes. A decisão não pode ser menosprezada. A última coisa que precisamos é de mais ruído para a economia brasileira", explica.
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China ignora Bolsonaro e firma parcerias direto com Estados do Nordeste

Enquanto os EUA pressionam o governo Bolsonaro para barrar certos investimentos chineses no país, empresas de tecnologia da China, inclusive as banidas pelo governo americano, aumentam seus laços e suas vendas a governos do Nordeste do Brasil.


As empresas chinesas de tecnologia Huawei, ZTE, Dahua e Hikvision, todas sob algum tipo de embargo americano sob acusação de representarem ameaça à segurança nacional, estão negociando ou fornecendo serviços e produtos no Nordeste.


O intercâmbio entre a China e os nove estados nordestinos nunca foi tão intenso. Só neste ano, quatro governadores e dois vice-governadores da região estiveram no país asiático — e a peregrinação de secretários foi ainda maior. A China também mandou inúmeras comitivas para os estados.


Fonte: Folha de São Paulo

Governo avalia suspender Minha Casa Minha Vida e redirecionar recursos do Sistema S


Para proposta de Orçamento, Executivo nacional quer suspender novas contratações do Minha Casa e redirecionar recursos que iam para o sistema

O assunto foi discutido em reunião da Junta de Execução Orçamentária (JEO), que avaliou um conjunto de medidas para reduzir despesas obrigatórias (como salários, aposentadorias e pensões) e abrir espaço no teto de gastos (dispositivo previsto na Constituição que impede o crescimento das despesas acima da inflação) na proposta de Orçamento de 2020. Com essa diminuição das despesas obrigatórias, o governo poderia aumentar os chamados gastos discricionários (aqueles que são tradicionalmente contingenciados e que incluem custeio da máquina e investimentos). 
A suspensão das novas contratações do Minha Casa Minha Vida por um período pode garantir uma economia de despesas de R$ 2 bilhões. No caso do Sistema S, além do corte dos recursos anunciado no início do governo Bolsonaro, o que está em discussão é repassar uma parcela da arrecadação para bancar alguns grupos de despesas, principalmente aquelas voltadas para qualificação.
As duas propostas, porém, enfrentam resistências e não há definição. Uma das preocupações com o Sistema S é o risco de transformação de uma espécie de “orçamento paralelo”. 
Como o Orçamento de 2020 tem de ser enviado nesta sexta-feira (30) ao Congresso, o mais provável é que o projeto não conte ainda com o impacto das medidas que estão sendo estudadas - boa parte delas depende de medidas legais que precisam de ser aprovadas pelo Congresso. 
Na reta final da elaboração da proposta orçamentária para 2020, o governo prepara medidas para reduzir as despesas obrigatórias em mais de R$ 10 bilhões. Mas o valor ainda é insuficiente, e a equipe econômica busca saídas para conseguir R$ 15 bilhões adicionais para as despesas discricionárias.
A maior parte das medidas deve ser feita via medida provisória, que tem vigência imediata. Uma reunião foi realizada nesta quinta, 29, no Palácio do Planalto para tentar definir ações adicionais e fechar as contas do ano que vem.
Entre as medidas, o governo quer propor o congelamento das progressões de 334 mil servidores civis nas carreiras do Executivo (66,5% do total) para economizar cerca de R$ 2 bilhões.
Outra medida é o fim do adicional de 10% da multa rescisória sobre o FGTS pago pelas empresas. Hoje, as empresas pagam 50% de multa nas demissões, 40% ficam com o trabalhador e os outros 10% vão para os cofres da União, que repassa os recursos para a administração do fundo. Por ano, esses 10% correspondem a R$ 5,4 bilhões pagos pelas empresas, dinheiro que passa pelo Orçamento e consome espaço do teto de gastos.
Não há mais cortes que possam ser feitos “na caneta” do presidente Jair Bolsonaro para adequar o Orçamento de 2020 ao teto de gastos e desafogar os ministérios, segundo uma fonte. Qualquer iniciativa que resulte em alívio nas despesas obrigatórias precisará ser feita por meio de lei.
O quadro é de dificuldades mesmo depois de os técnicos terem decidido incluir nas contas o cenário de aprovação da reforma da Previdência - o que resulta em economia de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões nos gastos previdenciários. É a primeira vez que o governo decide incluir os efeitos da reforma no Orçamento. Sem isso, a situação estaria ainda mais apertada. O governo reservou cerca de R$ 89 bilhões até agora para as despesas discricionárias.

Fonte:  Agência Estado