domingo, 8 de agosto de 2021

Sakamoto: Com quase 15 milhões sem emprego, Bolsonaro torra impostos em motociatas


UOL - A motociata do Distrito Federal, neste domingo (8), é a oitava da pré-campanha de Jair Bolsonaro por sua reeleição desde maio deste ano. A elas, somam-se dezenas de comícios eleitorais travestidos de inaugurações. Para tanto, usa recursos federais, estaduais, distritais e municipais, ou seja, dinheiro público oriundo de nossos impostos, a fim de garantir suporte aos atos - o que, em uma situação social grave como a que estamos, não é apenas ilegal, mas imoral.

Em todos os eventos, o presidente atacou o isolamento social contra a covid-19, contribuindo para o aumento de mortos, mentiu sobre sistema eleitoral e as urnas eletrônicas e ameaçou instituições da República ou qualquer coisa que se colocasse no seu caminho para um segundo mandato.


Na motociata de São Paulo, em junho, foram R$ 1,2 milhão que os contribuintes do estado (fora os demais) tiveram que desembolsar para garantir policiamento extra para que ele pudesse fazer seu passeio de moto.

Enquanto isso, o IBGE apontava que temos 14,8 milhões de pessoas que procuraram trabalho, mas não encontraram, o que representa 14,6% da população.

Gente que passou fome porque ele reduziu o valor do auxílio emergencial. De acordo com o Dieese, os R$ 150 do piso do auxílio compram menos de 25% de uma cesta básica em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Florianópolis, penúltima etapa de sua motociata eleitoral, neste sábado (7). O que significa que gente passou fome por sua culpa.

Bolsonaro estendeu a pandemia de forma desnecessária ao sabotar o isolamento. Poderia ter durado muito menos, o que significaria menos mortes e desempregados e uma economia em situação melhor. Hoje há 32,9 milhões de trabalhadores subutilizados, o que representam 29,3% da população. E 5,7 milhões de desalentados, que desistiram de procurar serviço porque sabem que não vão encontra-lo.

O rendimento médio, que era de R$ 2632 no trimestre encerrado em maio de 2020 foi de R$ 2547 no trimestre encerrado em maio deste ano.

A população ocupada cresceu sim, mas a quantidade de gente sem nada é tão grande, que as contratações ainda não fazem cócegas na realidade.

Este momento mostra que o país não conta com um projeto nacional de geração de postos de trabalho, apenas como variações da malfadada "Carteira Verde e Amarelo" - proposta que Jair apresentou na eleição de 2018. Grosso modo, ela defende gerar empregos através da retirada de direitos.

Uma reciclagem do conto do vigário da Reforma Trabalhista, de Michel Temer, que reduziu proteções à saúde e segurança dos trabalhadores, mas não teve impacto significativo na geração de vagas.

Diante dos números constrangedores, o ministro da Economia Paulo Guedes criticou a metodologia de cálculo do desemprego. Afirmou que o IBGE "está ainda na idade da pedra lascada". Diz que irá "rever" os procedimentos do instituto porque os métodos "não são os mais eficientes". É o médico que não briga com a febre, mas com o termômetro.

O ministro não é burro. Sabe que o indicador de desemprego que ele defende, o Caged, atua com empregos formais e a PNAD Contínua, do IBGE, envolve a enorme massa de trabalhadores informais. Mas critica não por razões técnicas, mas políticas. Segue a cartilha de governos autoritários que, quando colocados contra a parede, reduzem a transparência de informações à sociedade.

Se Jair Bolsonaro dedicasse o tempo que usa para andar de moto, agredir a credibilidade do sistema eleitoral e sabotar o combate à covid-19 em medidas para desenvolver um projeto nacional a fim de reduzir o desemprego, não precisaria se preocupar tanto em pavimentar um golpe de Estado, pois sua popularidade seria maior.

O que reforça que o único projeto que Bolsonaro sabe tocar desde o primeiro dia no cargo é a de sua permanência no poder. Quase 15 milhões de desempregados têm fome? Que comam motociatas.



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