sábado, 21 de agosto de 2021

Pedido de impeachment barra candidato evangélico ao STF


Blog da Cidadania - Ministros do Supremo e políticos afirmam que ficou inviável a aprovação de André Mendonça para a vaga aberta para o STF.



Eles dizem que o envio do pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes na noite desta sexta-feira (20) acabou com qualquer chance que ainda existia.

Políticos afirmam que Davi Alcolumbre (DEM-AP) já havia sinalizado nesta quinta (19) que estava decidido a não dar seguimento a indicação feita por Jair Bolsonaro para o Supremo, mas o agravamento da crise entre Poderes dá o argumento perfeito para engavetar o caso de vez.

Desde que o presidente oficializou o nome do ex-advogado-geral da União para ocupar a vaga deixada por Marco Aurélio Mello, em julho, Alcolumbre trabalha para que Mendonça não seja aprovado —o senador é presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde ocorre a sabatina do indicado.

A Folha mostrou na terça (17) que a ideia de Alcolumbre, segundo aliados, era postergar o indicado de Bolsonaro para tentar emplacar no seu lugar o procurador-geral Augusto Aras.



Nos últimos dias, houve uma tentativa de tentar diminuir a temperatura da crise, mas fracassada.

Auxiliares palacianos viram na apresentação do pedido de impeachment de Moraes uma reação de Bolsonaro à operação da Polícia Federal desta sexta-feira.

Dez apoiadores do presidente sofreram busca e apreensão em diversos endereços por causa de uma manifestação que estava sendo convocada contra ministros do STF no dia 7 de setembro.



O cantor Sérgio Reis e o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) foram alguns dos alvos. O protesto que estava sendo organizado foi visto como um tentativa de ataque às instituições.

Além da destituição do cargo, Bolsonaro pede o afastamento de Alexandre de Moraes de funções públicas por oito anos.

Em entrevista às emissoras Record e SBT na noite desta sexta, o presidente disse que o pedido contra Luis Roberto Barroso será apresentado “nos próximos dias”.




Após receber a notícia a respeito do pedido de impeachment, Alcolumbre classificou o gesto a pessoas próximas como “sem precedentes na história e ataque gravíssimo às instituições”.

Ele criticou Bolsonaro por pedir agilidade do parlamentar em marcar a sabatina do ex-advogado-geral da União, mas agir no sentido contrário ao de propagar a harmonia nas relações.

A avaliação de Alcolumbre é que não há como avaliar a indicação de Mendonça no meio de uma crise entre Poderes. E se antes ele já não pretendia pautar o caso tão cedo, agora a possibilidade de ele colocar em análise o nome do ex-mininistro de Bolsonaro nos próximos três meses tornou-se ainda mais remota.




Aliados de Mendonça admitem que o pedido de impeachment contra Moraes não ajuda a sua indicação no Senado. Para eles, trata-se de uma disputa de narrativa do presidente da CCJ com o presidente da República. Não uma preocupação, de fato, de Alcolumbre com a crise institucional.

Governistas na Casa, contudo, prometem reação à possibilidade de Alcolumbre engavetar a sabatina de Mendonça.

Um deles disse que o presidente da CCJ não pode tratar a indicação do ex-AGU como uma questão pessoal, quando é uma questão colegiada.




A pauta da comissão, quem decide é o presidente, no caso, Alcolumbre. Mas os aliados de Mendonça prometem fazer barulho.

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