sábado, 14 de agosto de 2021

Oportunismo: nos anos 90, Roberto Jefferson defendia casamento gay e desarmamento

 


Revista Fórum - Atualmente bolsonarista, ex-deputado foi preso justamente por fazer ameaças a ministros do STF, muitas vezes armado e com ofensas homofóbicas



Velho conhecido da política brasileira, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), preso nesta sexta-feira (13), é um oportunista. Alçado para o posto, atualmente, de ícone bolsonarista, o ex-parlamentar, nos anos 90, defendia pautas que hoje são a base do ódio do bolsonarismo.

Ele é autor, por exemplo, de um projeto de lei que previa o desarmamento no Brasil. Um vídeo em que o presidente do PTB fala da pauta, da campanha eleitoral de 1998, começou a circular com força nas redes sociais logo após sua prisão.




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Hoje em dia o discurso é outro. Jefferson foi preso no âmbito do inquérito das milícias digitais, que é uma continuidade da investigação sobre os atos antidemocráticos e que envolve ameaças de morte aos ministros da suprema corte, pedidos de fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Boa parte dessas ameaças o ex-deputado fez através de vídeos em que aparece ostentando armas de grosso calibre e com discurso bélico e violento, chegando a falar em “cortar cabeças”.




“A arma é um instrumento até contra agentes do estado. Esse estado que está no mundo opressor, comunista, ateu, marxista, hedonista, imoral, satanista, que quer destruir todos os valores cristãos para uma sociedade de baderna, sexo solto, abusando de crianças, fazendo gaysismo, fazendo apassivamento, droga, aborto. Pra esse estado, nós vamos precisar desses instrumentos”, disse, por exemplo, em um vídeo divulgado em maio deste ano.

Outra pauta defendida por Jefferson nos anos 90 e que o faria ser alvo de bolsonaristas atualmente é a do casamento gay.



O ex-deputado chegou a ser relator de um projeto de Marta Suplicy, à época do PT, sobre o tema, e não só apoiava a proposta, como apresentou um substitutivo ao texto que foi elogiado pela ex-prefeita. Ele ampliou a abrangência do projeto e retirou o termo “união civil”, o substituindo por “parceria civil”, com o intuito de facilitar sua aprovação.

“Estou tirando o véu e a grinalda do projeto. Não é o casamento gay. Ele pode até ser aproveitado por homossexuais, mas é uma lei genérica”, afirmou à época.




“Teria sido muito melhor que o deputado se empenhasse em aprovar o seu substitutivo, que é muito melhor do que o meu projeto, com todas as implicações e ônus. A verdade e a Justiça sempre têm mais peso”, elogiou, por sua vez, Marta Suplicy.

22 anos depois, Jefferson utiliza exatamente do expediente contrário, a homofobia, para tentar ganhar alguma relevância nos tempos de bolsonarismo.

“Nós não vamos permitir que vocês governem o Brasil por despachos, quem faz despacho é pai de santo, eu sei que tem muito pai de santo aí no Supremo e, normalmente o pai de santo é gay, e tem aí os ministros gays como a gente notoriamente tem notícias deles. Tem os ministros de rabo preso e os de rabo solto”, disse nesta sexta-feira pouco antes de ser preso.

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