quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Gasolina a R$ 6,40 provoca debandada de motoristas em apps de corrida


Sindicato da categoria no DF estima que 20% dos motoristas já desistiram de rodar por causa do aumento do litro do combustível




A disparada do preço da gasolina no Distrito Federal, onde se encontra o combustível sendo vendido a R% 6,39 o litro, afetou em cheio a categoria dos motoristas de transporte por aplicativo. Reclamando de baixo percentual que as plataformas repassam do valor das corridas, a estratégia tem sido trabalhar só em horários de pico. Em muitos casos, os condutores têm preferido abandonar o trabalho.




Segundo estimativa do Sindicato Dos Motoristas Autônomos de Transportes Privado Individual Por Aplicativos no Distrito Federal (Sindmaap-DF), cerca de 20% dos que trabalhavam com as plataformas já desistiram de continuar rodando. Isso reflete também na demora que passageiros enfrentam para conseguir utilizar o serviço.

“Existem corridas que o motorista está pagando para correr, por isso a maioria vem fazendo o mínimo possível, rodando só em horário que há dinâmica de preços. Aumentou o preço da gasolina, do óleo, do pneu, mas o repasse do preço da corrida para os motoristas não aumenta”, reclama o presidente do Sindmaap, Marcelo Chaves.



Um dos motoristas que afirmam vir sofrendo com o alto preço do combustível é Luciano Brito, 27. Ele explica que a dificuldade em se arranjar um emprego formal é o que ainda mantém muitos motoristas no aplicativo. Caso contrário, a debandada seria ainda maior.

“Hoje em dia é mais gasto do que lucro. A tarifa para a gente não acompanha os nossos custos. O que eu mais vejo é gente nos grupos de motoristas falando que vão desistir, principalmente os que rodam com carro alugado”, relata.




Há dois anos no aplicativo, ele diz o preço da gasolina na época que começou ainda permitia algum lucro, diferentemente de agora. “Todo dia, o mínimo que se gasta para abastecer é R$ 100. Por isso eu só rodo em horário de pico, levando as pessoas para o trabalho. Começo às 6h, vou até 10h e depois desligo o aplicativo. Volto só às 17h”, conta.

A mesma estratégia é adotada por João Paulo Gomes, 26. “Não dá para ficar fazendo viagem de quatro quilômetros, pois o app vai cobrar R$ 8,50 e eu fico com R$4,50. Um valor desse que não paga a gasolina do deslocamento, até o passageiro e a corrida propriamente dita”, destaca.




Isso reflete na experiência também do passageiro. Segundo ele, é comum ouvir reclamações sobre a demora na espera por um veículo. “De 20 viagens que eu faço, 8 reclamam. Essa semana, no aeroporto, ouvi da passageira que ficou 40 minutos aguardando”, diz.



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