quarta-feira, 28 de julho de 2021

VÍDEO: Bolsonaro viajou para aglomerar em data limite para fechar acordo por vacinas da OMS

 


  DCM - Na data limite para aderir ao consórcio Covax Facility para que o governo confirmasse sua participação no acordo, Jair Bolsonaro decidiu viajar para Sinop (MT) e receber uma homenagem, aglomerado com apoiadores.

O prazo acabaria em 18 de setembro de 2020, data em que o presidente privilegiou sua viagem para ficar com o gado.

Em reunião interministerial no dia anterior (17), funcionários do governo disseram que não havia “previsão de agenda” para apreciar o acordo.



“Ele conhece a iniciativa, mas evidentemente que toda a repercussão jurídica, política e financeira do tema aqui exige um tempo de maturação com o presidente. Eu perguntei ao Pedro [Marques, então chefe de gabinete de Bolsonaro] se tinha algum despacho marcado para tratar do tema e não está previsto”, disse um funcionário, Humberto Moura, subchefe adjunto executivo de Assuntos Jurídicos da Presidência.



17/09/2020 – Um dia antes de encerrar o prazo para entrar no Covax. Brasil corria risco de ficar de fora do consórcio se não assinasse na data. Dia seguinte, o presidente foi viajar. Sequer tinha se "apropriado do tema" ainda.
André Spigariol
@andrespigariol
EXCLUSIVO Gravações mostram que Bolsonaro não tinha sequer “previsão de agenda” para “se apropriar do tema” na data limite para o Brasil confirmar sua adesão ao Covax. Jair estava ocupado no MT em aglomerações e homenagens. Vídeos na @RevistaCrusoe: crusoe.com.br/diario/em-data


O Itamaraty solicitou uma extensão do prazo ao consórcio, mas, no dia seguinte, Nilo Dytz, ministro-conselheiro da Embaixada do Brasil em Genebra, disse ao governo que a data seria mantida.

Caso houvesse confirmação da adesão ao Covax Facility, o governo teria até o dia 25 de setembro para assinar o contrato.

Na mesma reunião, técnicos do governo tentavam trabalhar numa medida provisória que liberaria a adesão, mas questionaram “qual a chance” do documento ser assinado até o dia seguinte.



Mas assessores do presidente apontaram que a decisão só seria tomada no fim do dia.

No fim das contas, o governo brasileiro foi um dos últimos a aderir ao consórcio da OMS e acabou optando pelo número mínimo de vacinas: o suficiente para apenas 10% da população.


Ele poderia ter escolhido contratar doses para imunizar metade do país.


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