quinta-feira, 15 de julho de 2021

Reinaldo Azevedo: Bolsonaro é a farsa que precedeu a tragédia. E "Insta-testamento" da reação

 

Carlos Bolsonaro e a polêmica foto do pai inerme e seminu no hospital. Essa já é versão desfocada. A original foi retirada do ar. Falta de limites

 Não é a primeira vez que o corpo mórbido de Jair Bolsonaro serve à baixa exploração política. Ora ele se vende como o destemido, o corajoso e o atleta. Ora como o moribundo, vítima de um suposto complô das esquerdas. As duas personagens agradam aos fanáticos: o primeiro é o que destrói homens maus. O segundo é o que se transforma em alvo dos maus — provando, então, que estes existem —, oferecendo-se em sacrifício.

Uma coisa e outra apelam a categorias que nada têm a ver com a política e operam na esfera do fanatismo e da adesão irracional. Os que se deixam capturar viram joguetes de um cálculo. Em 2018, Carlos Bolsonaro fez uma selfie no hospital, com o pai seminu ao fundo. Não se tratava apenas, em termos bíblicos — já que se fingem tão pios —, de ver a nudez do pai, mas de expô-la nas redes sociais.

Não estou aqui a menosprezar a gravidade do quadro de saúde do presidente. Até onde sei, a coisa é séria, e não há a certeza de que ele possa ter uma boa resposta, como não havia em 2018. Operou-se, então, uma escancarada e bem-sucedida manipulação política de uma dificuldade real. E se busca reproduzir agora a fórmula.


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