quinta-feira, 29 de julho de 2021

Quase 70% dos eleitores acham que Bolsonaro não merece ser reeleito

 


 O CAFÉZINHO  -Vamos começar analisando a pesquisa Modalmais / Futura Inteligência pelos cenários de segundo turno.

Num eventual segundo turno entre Bolsonaro X Lula, o petista venceria por 51% a 33%, com 13% de brancos e nulos.

Já num embate entre Ciro e Lula, o petista também venceria, por 45,5% a 25,4%, com 27% de brancos e nulos.

Já um embate entre Bolsonaro e Ciro, o candidato pedetista ganharia do atual presidente por 47% X 33%, com 18% de brancos e nulos.

Num embate entre Lula e João Doria, o petista venceria com mais de 30 pontos de vantagem: 50,3% X 16,8%; mas haveria um percentual de 31% de brancos e nulos


Patrocinada pelo banco Modalmais, a pesquisa é a primeira de uma série mensal, e será atualizada toda última quarta-feira do mês.

Na pesquisa divulgada hoje, com entrevistas realizadas entre os dias 23 e 26 de julho, foram disparadas mais de 300 mil ligações, das quais foram aproveitadas integralmente 2006.

Além da espontânea, a pesquisa traz cinco cenários estimulados de primeiro turno. Por economia de espaço, vamos reproduzir aqui apenas o primeiro, o segundo e o quinto.


Na espontânea, Lula lidera com 30%, seguido de Bolsonaro, com 24%. Ciro tem 3,3%. Os outros candidatos tem 1% para baixo.

No cenário 1, com todos os candidatos, Lula tem 33,8%, seguido de Bolsonaro, com 25%. Ciro e Moro ficam empatados, com 6,6% e 6,3%, respectivamente.

No cenário 2, com Simone Tebet, senadora do MDB-MS, ela aparece com 3% das intenções de voto. A liderança ainda é ocupada por Lula, com 41%, seguido de Bolsonaro, com 29%, e Ciro, com 14%.



No cenário 5, com apenas 4 candidatos, Lula aparece com 41,3%, seguido de Bolsonaro, com 29%. Ciro pontua 12,3% e Doria tem 5,7%.  Este cenário vem com tabelas estratificadas, que vamos analisar abaixo.

Em votos válidos, Lula teria 47% no cenário 5, o que ainda seria insuficiente para vencer no primeiro turno (é preciso 50% mais 1 voto), mas não ficaria longe disso.

Os dados estratificados do cenário 5 confirmam a força impressionante de Lula junto às famílias de baixa renda.



Entre eleitores com renda familiar de até 1 salário (que correspondem a 19,4% dos entrevistados da pesquisa), Lula tem 53,4% das intenções de voto, contra 19,8% de Bolsonaro. A vantagem de Lula sobre Bolsonaro, nessa faixa, é de 33 pontos.

Entre eleitores que ganham de 1 a 2 salários, que representam outros 24% dos entrevistados, a vantagem de Lula para Bolsonaro cai para pouco mais de 10 pontos: 41% X 30%.

Bolsonaro ultrapassa Lula junto aos eleitores com renda familiar entre 2 e 5 salários, segmento no qual o atual presidente tem 37% das intenções de voto, contra 33% de Lula. Essa é uma faixa expressiva do eleitorado, correspondente a 28% dos entrevistados.



Entre eleitores com renda familiar entre 5 e 10 salários, que correspondem a 13% dos entrevistados, Lula volta a aparecer à frente, com 36%, contra 27% de Bolsonaro.

Na faixa mais rica, de eleitores com renda familiar acima de 10 salários, Bolsonaro tem a liderança, com 37% dos votos, contra 27% de Lula. Ciro tem aí sua melhor pontuação: 21%.

Na estratificação por escolaridade, ainda para o cenário 5, Lula ganha em todos os níveis, incluindo os mais instruídos, com ensino superior, entre os quais o petista marca 36%, contra 27% para Bolsonaro. Ciro tem sua melhor performance entre eleitores com ensino superior, onde ele pontua 17%.



Por região, e ainda para o cenário 5, o ponto a ressaltar é a liderança de Bolsonaro na região Sul, onde ele tem 38,5%, contra 34% de Lula.

Nas outras regiões, porém, Lula lidera, com destaque para Nordeste e Sudeste.

A pesquisa perguntou aos entrevistados se eles acham que Bolsonaro merece ser reeleito: 66% responderam que não.

Foi feita pergunta parecida em relação a Lula, se eles acham que ele merece ser eleito novamente: 48,6% responderam que não, e 47,6% que sim.



Na apuração da rejeição, segundo explicou um dos técnicos responsável pela pesquisa, foi usado o método pelo qual é permitido ao entrevistado escolher apenas uma opção.

O mais rejeitado, de longe, é o presidente Bolsonaro: 49,1% dos entrevistados o apontaram como aquele em que não votariam “em nenhuma hipótese”. Em segundo lugar, vem Lula, com 26% dos entrevistados respondendo que não votariam nele. Os outros candidatos tem rejeição abaixo de 3%.

Conclusão 



Na live de lançamento da pesquisa, o sócio diretor da Futura Inteligência, José Luiz Orrico, opinou que será muito difícil quebrar a polarização entre os dois principais candidatos.

O cálculo da terceira via precisa ser ajustado. A questão agora não é mais identificar o nome com mais chances de vencer Bolsonaro, como era em 2018, e sim encontrar aquele com mais potencial para ter mais votos que Lula no segundo turno.

O retrato do momento indica que Lula ganharia, com margem expressiva, de todos seus concorrentes.



Segundo Orrico, Ciro Gomes teria dificuldades para vencer Lula no segundo turno por causa de seu discurso, que é muito distante do eleitorado conservador. Ele divide eleitorado com Lula.

Ironicamente, portanto, a presença de Ciro Gomes na disputa tornou-se útil para Lula, por ao menos duas razões importantes:

1) Ciro ajuda a desidratar Bolsonaro, na medida em que tem potencial de atrair bolsonaristas, sobretudo na classe média, que não votam jamais em Lula .




2) Ciro atrapalha os planos da terceira via liberal, porque sua presença, tremendamente ativa, com repercussão expressiva no eleitorado de classe média, bloqueia o crescimento dos candidatos mais à direita. Com outros candidatos à direita bloqueados, com desempenho pífio nas pesquisas, sobretudo no Nordeste,  o eleitor conservador não vê alternativa a Bolsonaro.

3) Com a terceira via conservadora bloqueada, Bolsonaro ganha sobrevida, e isso, por sua vez, também ajuda Lula, que é visto como a aposta mais segura para derrotá-lo.  A rejeição cada vez maior a Bolsonaro, ao mesmo tempo em que o presidente mantém o apoio de um núcleo duro,  radicalizado e… declinante, abrem caminho para a vitória de Lula no primeiro turno.




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