quinta-feira, 18 de março de 2021

Apoio de 22% a Bolsonaro não é só idolatria; é teimosia e estupidez


O que 1/4 da população enxerga de positivo na política homicida do governo é um dos maiores mistérios da atualidade



Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (17), pelo Datafolha, mostra que 54% da população consideram ruim ou péssima a gestão de Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, frente à pandemia do novo coronavírus. E é pouco.



Sou daqueles que acreditam desacreditando em pesquisas. Explico: números, a meu ver, são indícios bem robustos do momento presente, mas jamais certeza de futuro. Daí o porquê, na minha opinião, pesquisas erram tanto.

Também creio que as pesquisas de opinião não levam em conta o fator “ignorância”. Em um país com cerca de 45% da população representados por analfabetos e analfabetos funcionais, a margem para desvios é enorme.


Digo isso por não encontrar sentido em 22% dos entrevistados considerarem boa ou ótima a atuação do devoto da cloroquina no combate à COVID-19. Afinal, o que o governo e seu líder fizeram de positivo para tal aprovação?

O País está com o sistema de saúde colapsado. Não temos nem teremos vacinas tão cedo. A economia está em frangalhos, e não por causa do vírus, mas também por causa dele. E Bolsonaro só promove arruaça e discórdia.

Daí eu pergunto: onde estão o bom e o ótimo nisso tudo? O que me leva a crer que apenas boas doses de teimosia e de estupidez são as responsáveis pela ainda relativamente boa avaliação do amigo do Queiroz e seu desgoverno.

Os estúpidos não enxergam o negacionismo e a incompetência de Bolsonaro por serem… estúpidos. Mal compreendem o significado de, em um ano de pandemia, estarmos emplacando o quarto ministro da Saúde.

Já os teimosos, coitados, fazem parte da turma carente de representação paterna ou, o que é pior, daqueles que não se enxergam como indivíduos, mas apenas como membros do grupo ao qual precisam desesperadamente pertencer.


Reconhecer, perante amigos e familiares, principalmente aquele cunhado mala que diz: “eu te avisei”, que errou feio (não ao votar; isso é besteira; todo voto é legítimo) ao insistir no apoio a Bolsonaro, é mesmo difícil para os orgulhosos. 

Além dos 22% de “bom e ótimo”, a mesma pesquisa apurou outros 24% de avaliação “regular”, ou seja, 46% dos nossos pais, irmãos, amigos, vizinhos, colegas etc. conseguem não detestar a conduta homicida deste sociopata.

Somados, e aliados aos bolsonaristas-raiz, versão da extrema direita dos petralhas-raiz, esse mundaréu de gente forma a quase metade dos brasileiros que ainda enxerga alguma virtude onde só existem desastre e 300 mil mortes.

“Só desastre e mortes, Ricardo; não há nenhum acerto”? No que tange ao enfrentamento da pandemia, não, não há. E quem ainda acredita nas falácias: “a culpa é do STF” ou “mandei dinheiro aos estados”, que procure um ruminante para dialogar.

O pai do senador das rachadinhas e da mansão de 6 milhões de reais é o responsável direto pelo excedente de mortes no País, e a fatura eleitoral - e judicial - há de lhe chegar. É mera questão de tempo até o verdadeiro número aparecer.



Ao menos, assim espero. Do contrário, como o próprio maníaco do tratamento precoce disse, “o brasileiro precisa ser estudado”. Afinal, idolatrar quem pode te matar é anormal até para o quase inexistente padrão brasileiro de qualidade política.


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