quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Bolsonaro balança mas não cai ao tropeçar na rampa do Planalto

 


Convencido de que tem mesmo um histórico de atleta (só rindo), Bolsonaro tentou subir rápido demais uma das rampas internas do Palácio do Planalto, tropeçou e se desequilibrou — desequilíbrio, aliás, que não se dá apenas no campo da ortopedia


Atrasou-se para sair da cerimônia e tinha de passar no Palácio do Planalto, rapidamente, e então seguir à base área de Brasília para embarcar com destino a cidade mineira de Jacinto, onde lançaria a pedra fundamental da BR-367. Valendo-se de seu histórico de atleta (só rindo), disparou a subir a rampa interna do palácio rumo ao seu gabinete no terceiro andar. Patinou, tropeçou nos próprios pés. Ai, que dor nos joelhos enferrujados do capitão!

Equilíbrio não é lá uma das características do presidente, e nesse ponto pode-se sair do campo da ortopedia e ir-se à esfera psíquica e emocional. Ao longo desse ano que se vai, ele mostrou-se desequilibrado na rampa de subida da pandemia, com declarações irresponsáveis; mostrou-se desequilibrado na rampa de descida em que acumulou derrotas no Supremo Tribunal Federal; mostrou-se desequilibrado na rampa também de descida de seu prestígio no apoio a candidatos nas eleições municipais. Tem mais. Desequilibrou-se ao ver a aprovação popular de seu governo levar um escorregão no início de dezembro, de 41% para 35%.

Vale uma observação: o desequilíbrio do presidente não vem de agora. Basta olhar-se pelo retrovisor o primeiro ano de sua gestão, e, em um retrovisor mais largo, olhar-se as suas mais de duas décadas como parlamentar — mandatos cumpridos em meio a ofensas proferidas a seus colegas e suas colegas na Câmara dos Deputados.

Dá para olhar-se aos tempos de caserna: um militar sem equilíbrio que acabou sendo passado para a reserva por insubordinação.


O título “Ainda não foi dessa vez” não significa que se deseja que Bolsonaro volte a tropeçar e escorregar nas tantas rampas palacianas e se esborrache no chão. Nada disso. O que se deseja é que ele caia sim, mas caia do cargo e deixe de infernizar o Brasil com suas desequilibradas de temperamento.

Fonte: Isto é


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