terça-feira, 6 de outubro de 2020

Mãe de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro escondeu da Justiça um imóvel comprado em Brasília


 Uma quitinete 36 metros quadrados e R$ 470 mil, no primeiro andar de um prédio situado em uma das áreas mais nobres de Brasília, pertence à candidata a vereadora no Rio de Janeiro Rogeria Bolsonaro (Republicanos). O imóvel, entretanto, não consta na declaração que a candidata enviou à Justiça Eleitoral. O apartamento, sozinho, vale mais do que o dobro de todo seu patrimônio originalmente informado.


Com R$ 233 mil em bens discriminados no pedido de registro de sua candidatura, a primeira esposa do presidente Jair Bolsonaro – mãe do senador Flavio (Republicanos-RJ), do vereador carioca Carlos (Republicanos) e do deputado Eduardo (PSL-SP) – deixou de fora de sua lista o imóvel comprado por ela este ano e pago à vista, conforme registro em cartório.


Documentos de cartório aos quais o Congresso em Foco teve acesso comprovam que Rogeria Bolsonaro, que concorre com o filho Carlos a uma vaga no Legislativo carioca pelo mesmo partido, efetuou a transação no dia 6 de julho deste ano.


Por lei, os candidatos são obrigados a declarar todos os bens que têm no momento do registro da candidatura, e não somente aqueles que informaram na declaração do Imposto de Renda do ano anterior. Deixar de prestar esse tipo de informação à Justiça eleitoral é considerada uma "conduta atípica", passível de investigação, mas que não costuma render punição ao candidato. A reportagem tratou do caso, sem citar os nomes dos envolvidos, com advogados especialistas em direito eleitoral. A conclusão é de que a ocultação não deveria acontecer, sob nenhuma hipótese.


Pela compra do apartamento, a publicitária pagou ao seu antigo dono, um militar, os R$ 470 mil à vista, em transação bancária. O imóvel, segundo o cartório responsável pela região, consta como sendo de propriedade de Rogéria Bolsonaro, que não o incluiu na declaração à Justiça eleitoral.


O apartamento fica na Super Quadra 311 do Setor Noroeste, bairro de alto padrão na capital federal. O prédio, feito apenas de pequenas unidades de tamanhos variados, é buscado normalmente por pessoas de alto poder aquisitivo que passam temporadas na capital federal, normalmente à trabalho. O prédio conta, de acordo com corretores da região, com benesses como academia, salões e serviço de lavagem de carro inclusos em seu condomínio.


Lançado em 2012, o bairro tem prédios mais modernos e novos que os do chamado Plano Piloto, onde estão localizadas as asas Norte e Sul, com unidades vendidas a partir de R$ 350 mil. O imóvel de Rogeria custou R$ 13.044 por metro quadrado- acima da média do bairro, que era de R$ 10.880/metro quadrado à época da transação, segundo informação do site especializado Wimóveis.


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