sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Número de vistos negados pelos EUA a brasileiros cresce 45% em um ano

O acúmulo de dívidas e o fim de um contrato de trabalho levaram a professora Graziele Soares, 35 anos, a tentar cruzar a fronteira do México para viver nos Estados Unidos, como fez uma irmã dela há 16 anos. Presa ao tocar o solo norte-americano, a brasileira relata "os piores dias" de sua vida no processo de deportação ao Brasil, um risco crescente para os que, sem visto, decidem arriscar a sorte.
Entre outubro de 2018 e setembro de 2019 o número de vistos de turismo negados pelos EUA a brasileiros teve um aumento significativo, o maior índice dos últimos 14 anos. Houve um crescimento de mais de 45% na comparação com a taxa do ano fiscal anterior, entre outubro de 2017 e setembro de 2018, chegando a 18,5%, de acordo com dados do Departamento de Estado norte-americano.


No mesmo período, o número de brasileiros detidos pela imigração norte-americana ao tentar entrar irregularmente no país também cresceu exponencialmente, chegando a 17,9 mil presos nos centros de detenção do departamento de imigração.
O número de vistos negados não explica, mas se relaciona com o crescimento do número de pessoas detidas, no que parece ser uma estratégia para desincentivar novas tentativas de imigração de brasileiros aos EUA.
O aperto na política de imigração leva aos dois resultados, para os que tentam o visto de forma legal e para aqueles que, sem essa chance, querem entrar via México, já que o país não exige mais vistos de brasileiros.
Os dados do Departamento de Estado, desde 2006, mostram que a parcela de vistos negados a brasileiros foi caindo rapidamente daquele ano, em que estava em torno de 13%, até 2014, quando chegou a 3,2%. Em 2014 e nos dois anos anteriores, as negativas estiveram próximas do limiar de 3%, sempre dado pelo governo norte-americano como o limite que o Brasil teria que baixar para entrar na sonhada lista de países que poderiam negociar o fim do visto.
Em 2015, no entanto, as negativas subiram um pouco, para 5,4% —de acordo com fontes ouvidas pela Reuters, possivelmente uma resposta ao início de uma crise econômica.
O salto, no entanto, começou em 2016, quando alcançou 16,7% —nesse caso, explica uma das fontes, causado pela soma de um ano eleitoral nos EUA em que a política de imigração já era um tema central e a sensação, entre os brasileiros, de que, com o fim do governo do democrata Barack Obama, a situação ficaria mais difícil.
"Nos meses entre a eleição e a posse do atual presidente americano (Donald Trump), houve um aumento perceptível, motivado pela sensação de urgência", explicou uma fonte do governo brasileiro que acompanha a situação dos imigrantes.
Em 2017 e 2018, os vistos recusados ficaram um pouco acima de 12%, para então saltarem para os 18,5% atuais.
A quantidade de brasileiros presos e as negativas de vistos são consideradas pelas fontes consultadas pela Reuters como duas faces da mesma moeda: o aumento do controle das fronteiras e a intenção de dissuadir novas levas de imigrantes.
"Acredito que o que aumentou não foi tanto o número de brasileiros tentando emigrar, mas sim o rigor das autoridades locais. Temos aqui uma clara intenção dissuasória", avaliou a fonte.
Em contato com as autoridades do país, um dos brasileiros presos e deportados contou que ouviu de um dos guardas no centro de detenção onde ficou que ao voltar para o Brasil deveria contar aos amigos no Brasil todas as dificuldades que passou para que outros não tentassem o mesmo caminho, contou a fonte.

Leia mais na UOL
Reações:

0 comentários:

Postar um comentário