quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Com Doria, SP registra o menor investimento em 10 anos

O governo do Estado de São Paulo registrou em 2019, primeiro ano de mandato do governador João Doria (PSDB), o nível mais baixo de investimento público dos últimos dez anos. Gastos do governo estadual com obras e compra de novos equipamentos tiveram queda de 7,6% em relação a 2018. Foram investidos, no ano passado, R$ 9,5 bilhões, segundo dados da Secretaria Estadual da Fazenda e Planejamento. Até então, o resultado mais baixo da década havia sido registrado em 2018, último ano da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) e Márcio França (PSB), quando foram gastos R$ 9,8 bilhões em valores nominais (R$ 10,3 bilhões, corrigidos pela inflação).



A conta se restringe aos valores empregados em novas construções do governo, como rodovias, hospitais e presídios, ou na aquisição de equipamentos, como viaturas, por exemplo. A verba usada para pagar salários de funcionários e comprar insumos necessários à manutenção de serviços públicos, chamada de custeio, não é tratada como investimento.


Ao comentar a queda no ritmo de investimentos, que descreve como “normal”, o secretário da Fazenda, Henrique Meirelles, apontou três explicações principais: a redução de linhas de crédito recebidas pelo Estado, a diminuição no ritmo de obras e os cortes de gastos que foram feitos em várias esferas do poder público. “Foram coisas normais de um governo novo que assume e que tem de enfrentar uma série de problemas”, afirmou Meirelles, fazendo referência à troca de titulares em cargos-chave tanto no governo do Estado quando no governo federal.

A redução nas linhas de crédito com instituições financeiras do Brasil e do exterior tem ligação com a dificuldade do governo para tocar obras de mobilidade. Intervenções nessa área, como o Trecho Norte do Rodoanel e a Linha 6 do Metrô, estão paradas por dificuldades enfrentadas pelas empresas contratadas, envolvidas na Lava Jato, e necessidade de novas licitações, que ainda não foram lançadas. Como o dinheiro do financiamento é liberado à medida que a construção avança, esse montante caiu.

Para Meirelles, a queda nos investimentos não é um sinal preocupante, pois o governo trabalha com a expectativa de que, já a partir deste ano, as concessões de rodovias, aeroportos, linhas de trem e presídios se transformem em fonte de investimento privado em serviços públicos. “Talvez o mais importante para a gente avaliar é que o foco hoje do investimento é através de concessões. Esses são os grandes valores”, disse o secretário.



Ao analisar os aportes divididos por secretarias de governo, Doria investiu 28% a menos em saúde, 24% a menos em transportes metropolitanos e 28% menos na administração penitenciária, quando comparado à gestão Geraldo Alckmin (PSDB) e Márcio França (PSB) em 2018.


Fonte: Estadão

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