terça-feira, 24 de dezembro de 2019

MP mostra relações de Flávio Bolsonaro e Queiroz com milícia que matou Marielle

Um dos temas em que o MP mais avançou foi a relação de Fabrício Queiroz, policial militar reformado, com Capitão Adriano, expulso da PM e foragido da Justiça desde fevereiro, quando o MP e a Polícia Civil deflagraram operação contra a cúpula do grupo paramilitar que domina o bairro de Rio das Pedras e outras comunidades vizinhas na zona oeste do Rio.


Os dois trabalharam juntos no 18º BPM (Jacarepaguá) e, segundo o próprio Queiroz, se tornaram amigos. Eles chegaram e se envolver na morte de um homem na Cidade de Deus enquanto atuavam no batalhão.

Até então, sabia-se que Flávio Bolsonaro havia empregado a mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e a ex-mulher do ex-PM, Danielle Mendonça, em seu gabinete. As duas —que seriam funcionárias fantasmas— tiveram os sigilos quebrados na decisão de abril. A medida revelou que as parentes de Adriano devolveram, ao todo, R$ 203 mil para Queiroz, referentes aos salários recebidos como assessoras parlamentares.

No caso de Danielle, o MP aponta que parte desses valores passaram por contas bancárias de dois restaurantes ligados à milícia, localizados no Rio Comprido, zona norte do Rio: o Restaurante e Pizzaria Tayara Ltda repassou R$ 45.330 a Queiroz, enquanto o Restaurante e Pizarria Rio Cap transferiu R$ 26.920 para o ex-assessor de Flávio Bolsonaro.


Mensagens encontradas no celular de Danielle —apreendido durante a operação que tentou prender Adriano em fevereiro— mostram que Queiroz e o miliciano agiram para obstruir as investigações. Ambos orientaram Danielle a faltar aos depoimentos marcados pelo MP e não assinar nenhum documento.

"Eu já fui orientada. Ontem fui encontrar os amigos", responde ela. "Amigos", segundo o MP-RJ, seria como os dois se referiam à milícia chefiada por Adriano. O Gaecc (Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção) afirma que o Escritório do Crime teria sido responsável por fornecer a defesa de Danielle.

As mensagens revelam ainda que Adriano ficava com parte dos recursos do esquema de rachadinha no gabinete de Flávio na Alerj com a contratação de suas parentes. Outro chat entre Queiroz e Danielle indica que a família Bolsonaro tinha ciência do envolvimento da assessora com o chefe da milícia e temia o impacto que essa revelação poderia ter nas eleições de 2018.




Em conversa no dia 5 de dezembro de 2017, Queiroz procura Danielle e diz que precisava conversar com ela. A funcionária, que era nomeada desde 2007 no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, pergunta: "É conversa boa ou ruim?".

Queiroz então demonstra que há preocupação por por parte do clã Bolsonaro de que o vínculo dela com o miliciano se tornasse público. "Sobre seu nome... não querem correrem risco, tendo em vista que estão concorrendo e visibilidade que estão", afirma Queiroz. O UOL manteve a grafia original das mensagens, mesmo quando há erros ortográficos.


Fonte: UOL
Reações:

0 comentários:

Postar um comentário