quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Da UNE ao Livres, movimentos ensaiam frente ampla pela democracia “até doer”

Em comum, concordam que a democracia está ameaçada em várias sentidos e buscam mobilização



Citando o poeta pernambucano Marcelo Mario de Melo, o jornalista Juca Kfouri pregou nesta segunda-feira, em São Paulo, que uma frente a favor da democracia deve ser “ampla, tão ampla, que precisa doer”. Porque “se não doer não vai ser ampla”. Significa que, para mais de 30 lideranças que se reuniram no teatro FECAP, no centro da cidade, o momento é de deixar as diferenças de lado para fazer frente aos desafios à ordem democrática lançados pela extrema direita que chegou ao poder, liderada pelo presidente Jair Bolsonaro.


O ato, nomeado Em Frente Pela Democracia, foi organizado pelo grupo Pacto pela Democracia. Participaram representantes de instituições e movimentos sociais de diferentes espectros ideológicos ― esquerda, centro, direita ― e que atuam em frentes diferentes: combatem o racismo e o genocídio da população negra, lecionam em universidades, pregam o liberalismo econômico, estão nas trincheiras da Amazônia pelo meio ambiente e as populações indígenas, buscam a renovação da política institucional, defendem os diretos humanos de forma mais ampla. Os partidos políticos não estiveram representados como tal.
Acontecimentos e declarações governistas foram lembrados, como as recentes ameaças de um novo AI-5 proferidas pelo ministro Paulo Guedes e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Mas dois episódios permearam toda a noite. Um deles foi a prisão de quatro brigadistas do Projeto Saúde e Alegria em Alter do Chão, no Pará. “Parece que uma semana dura anos, que o dia dura 100 anos. Você não sabe se está num sonho ou pesadelo”, afirmou Caetano Scannavino, coordenador da ONG. E também a morte de nove jovens da favela Paraisópolis após ação da Polícia Militar em um baile funk: “Bem-vindos ao nosso mundo. Espinho, balas... O que aconteceu em Paraisópolis não é novidade”, discursou José Adão, um dos fundadores do Movimento Negro Unificado (MNU), em 1978, em plena ditadura militar.
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