terça-feira, 20 de agosto de 2019

Bolsonaro tira Coaf de aliado de Moro que caiu na Vaza Jato

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (20) que a intenção do governo federal é indicar um nome de carreira do Banco Central para o comando do novo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).


A medida provisória que promoveu mudanças no órgão federal foi publicada no “Diário Oficial da União” desta terça-feira. O Coaf passa a ser chamado de UIF (Unidade de Inteligência Financeira) e foi transferido do Ministério da Economia para o Banco Central —a MP será avaliada pelo Congresso.

Ao assumir a Presidência, Bolsonaro tirou o Coaf do Ministério da Economia (antiga Fazenda) e o colocou na Justiça, pasta de Sergio Moro. O ex-juiz federal acabou derrotado depois que o Congresso devolveu o Coaf à Economia.


Como antecipou a Folha nesta segunda-feira, a MP editada pelo presidente abriu brecha para indicações políticas na nova estrutura do Coaf, o que, na avaliação de deputados e senadores, pode comprometer a independência do órgão de combate à lavagem de dinheiro.

“A ideia do que está sendo proposto é só concursados do Banco Central”, disse. “Eu não conheço ninguém do Banco Central, mas acredito no presidente Roberto Campos Neto para fazer um bom trabalho”, disse o presidente.

Bolsonaro disse que foi sua a decisão de retirar do texto da MP a limitação a servidores do Banco Central para dar maior liberdade a Roberto Campos para formar a sua equipe. Com a mudança, o auditor-fiscal da Receita Federal Roberto Leonel, nome ligado ao ministro Sergio Moro (Justiça), deve deixar o cargo.

O presidente ficou incomodado com o comportamento de Leonel em relação à decisão do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, de suspender investigações criminais pelo país que usem dados detalhados de órgãos de controle —como Coaf, Receita Federal e Banco Central— sem autorização judicial.


Toffoli atendeu a um pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente, alvo de investigação realizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

(...)

Mais recentemente, o Coaf identificou movimentações atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). De acordo com o órgão, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão de janeiro de 2016 ao mesmo mês de 2017 —entraram em sua conta R$ 605 mil e saíram cerca de R$ 600 mil. A quantia foi considerada incompatível com o patrimônio do ex-assessor de Flávio Bolsonaro.



Fonte: Folha de São Paulo
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