quinta-feira, 4 de abril de 2019

Partidos alemães atacam Bolsonaro por comentários sobre origem do nazismo

Para deputada do partido que faz parte da aliança no poder, Bolsonaro usa "estratégia de mentiras". Já o partido Die Linke chama o brasileiro de fascista.

Alguns dos partidos mais tradicionais da história da Alemanha pós Hitler atacam o presidente Jair Bolsonaro por seus comentários sobre a origem do nazismo. Nos últimos dias, o chefe-de-estado declarou que o nazismo tinha suas origens nos movimentos de esquerda na Europa, versão também declarada pelo chanceler Ernesto Araújo.


Ao blog, a deputada do Partido Social-Democrata (SPD), Yasmin Fahimi, não poupou críticas ao brasileiro. "Os nazistas também usaram o termo "social" como uma máscara para seu real programa políticos", disse Fahmi, que faz parte do Comitê de Relações Exteriores do Parlamento alemão.

Seu partido governou a Alemanha sob a gestão de Gerhard Schroeder, Helmut Schidt e Willy Brandt. Hoje, o SPD também faz parte da coalizão que governa a Alemanha, num acordo com o partido de Angela Merkel, de centro-direita. Qualquer tipo de iniciativa por parte do governo em matéria de relações exteriores também passa pelo SPD. Hoje, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha é Heiko Josef Maas, justamente do Partido Social-Democrata.

"O fato de Jair Bolsonaro estar usando a mesma estratégia de mentiras é uma ridicularização inaceitável das vítimas que foram mortas pelos nazistas", disse Fahimi. "Durante a Alemanha Nazista, foram os sociais democratas que foram presos e mortos, antes de mais nada", afirmou. "Nazistas foram demagogos fascistas de extrema-direita. Durante esse pertodo, a Alemanha foi uma ditadura fascista, desumana e de uma ideologia racista. A declaração de Bolsonaro desprecia a memória de todas as vítimas assassinadas pela violência dos nazistas", insistiu. "O movimento de esquerda, pelo contrário, lutou contra a liberdade e igualdade de todos. Isso é o oposto to fascismo", completou.

Heinz Bierbaum, chefe do Comitê Internacional do partido Die Linke, tampouco poupou críticas. "Bolsonaro pode ser chamado de fascista", disse. "Desprezando a democracia, as conquistas do estado de direito, ele ataca a esquerda, LGBT, povos indígenas, afro-brasileiros, minorias e ativistas", declarou.




"Mais de 3 milhões de prisioneiros soviéticos morreram nas prisões na Alemanha durante a guerra", insistiu, lembrando que a ofensiva nazista no mundo e sua ideologia anti-comunista deixou como resultado 65 milhões de mortos. "A esquerda foi parte da resistência anti-fascista em toda a Europa e lutou contra esses regimes desumanos", completou.


Fonte: UOL

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