terça-feira, 9 de abril de 2019

Designer é morto dentro de carro em ação policial ao deixar igreja: ‘Único vício dele era alegria’

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Sergipe abriu inquérito policial para investigar as circunstâncias da morte do designer de interiores Clautênis José dos Santos.
O homem de 37 anos foi atingido por um disparo de arma de fogo, na noite dessa segunda-feira (8), durante uma operação policial da Divisão de Roubos e Furtos de Veículos (DRFv) na Zona Norte de Aracaju. Ele deixava uma igreja em um carro de transporte por aplicativo junto com um amigo. O motorista do veículo também foi atingido, mas não corre risco de morrer.
O delegado-geral em exercício, Jonatas Evangelista, a corregedora-geral, Erika Magalhães, e a diretora do DHPP, Thereza Simony, detalharam o caso em coletiva realizada de imprensa realizada nesta terça-feira (9).


O secretário da Segurança Pública, João Eloy, prometeu empenho nas investigações e acionou o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa e a Corregedoria da Polícia Civil para começar, já nas primeiras horas da manhã de hoje, os levantamentos sobre as circunstâncias da ocorrência. O amigo de Clautênis que estava no carro, o motorista e os policiais envolvidos na morte do designer já foram ouvidos no DHPP.
A diretora do DHPP, delegada Thereza Simony, esclarece que cinco pessoas já foram ouvidas até o momento e que é bastante prematuro apresentar conclusões a respeito do que ocorreu. “O caso não é tratado no primeiro momento como erro policial. Os policiais estavam a serviço, numa missão de apuração de roubos de veículos naquela área da cidade e ocorreu um desfecho que está sendo objeto de apuração pelo DHPP”, explicou.
Clautênis estava junto com um amigo em um carro de aplicativo quando foi baleado
(Reprodução/WhatsApp)
Simony enfatiza que os policiais fizeram uma abordagem aos ocupantes do veículo. “O inquérito vai apurar o que ocorreu depois dessa abordagem e as conclusões serão passadas em breve à sociedade. O caso aconteceu a menos de 12 horas e ainda é muito prematuro tirar alguma conclusão. Temos 30 dias para concluir o inquérito e faremos o possível para cumprir o prazo legal”, disse.
De acordo com o delegado-geral em exercício, Jonathas Evangelista, os policiais civis foram ao bairro Bugio para investigar o roubo de um veículo Corola, mas não confirmaram a denúncia. No retorno, eles se depararam com um veículo de aplicativo, na Zona Norte da capital, e decidiram realizar a abordagem. “As diversas versões apresentadas estão sendo checadas e confrontadas a fim de entender o desfecho desse caso”.
A corregedora-geral da Polícia Civil, Erika Magalhães, está acompanhado o caso e ressalta que neste primeiro momento não há necessidade de adotar medidas administrativas de afastamento dos policiais. “Estamos aguardando a conclusão do inquérito policial para decidir se haverá necessidade de adotar providências na esfera administrativa. Os policiais já foram ouvidos e a princípio não serão afastados de suas funções”.

Familiares querem justiça

Uma tia de Clautênis contou ao BHAZ nesta terça-feira (9) que o sobrinho era bastante conhecido na região e que não tinha passagens pela polícia. “Ele era um bom sobrinho, um bom filho e irmão, muito prestativo para qualquer pessoa. Um menino que não tinha vícios. O único vício dele era de alegria”, comenta Maria Ieda Santos emocionada. “Ele não era um marginal de forma alguma. O Clautênis estava voltando de um jantar com o padre, somos uma família muito religiosa”, contou.
Ainda segundo Maria, testemunhas contaram que os policias envolvidos na ação chegaram atirando no carro em que o sobrinho estava. “Alguns moradores viram e contaram que os policiais estavam encapuzados e que chegaram atirando. O motorista podia ter acelerado pensando ser um assalto, mas ainda assim parou o carro. A gente sabe que não é assim que se faz uma abordagem, não se chega atirando. A gente quer respostas e uma punição para os responsáveis para que não aconteça com outras pessoas. Hoje aconteceu com a minha família, amanhã pode ser com a de outra pessoa”, lamenta.
O velório de Clautênis ocorreu na cidade de Barra de Coqueiros, de onde ele era natural. O corpo do designer será enterrado em um cemitério local, às 17h.
Nas redes sociais, internautas de diferentes partes do país repercutem e lamentam a morte do homem. A maioria dos comentários aponta para o fato de que ele era negro como o músico Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, que foi morto a tiros por militares do Exército. O carro em que ele estava foi atingido por cerca de 80 tiros, no Rio de Janeiro.

Fonte: BHAZ
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